domingo, 31 de julho de 2016

Música da Semana #47

domingo, julho 31, 2016 5 Comments

Sou uma eterna apaixonada por covers. Por vezes não gosto da música original mas amo alguns covers que oiço dessa música.
Neste caso, a Stitches, do Shawn Mendes, é das minhas músicas favoritas. De todos os covers que já ouvi, este é o meu favorito. O Alex Goot interpreta-a de uma forma fenomenal e tem uma voz incrível. Estou completamente viciada! 

sábado, 30 de julho de 2016

Mário Pedrosa: «Adoro ouvir os aplausos, entram no meu organismo como de oxigénio se tratasse.»

sábado, julho 30, 2016 3 Comments
Mário Pedrosa é um jovem apaixonado pelo mundo da música. Começou por cantar em bares e em diversas cidades mas, em 2012, decidiu arriscar-se no mundo televisivo. O programa “Ídolos” foi o seu primeiro teste. E, apesar de não ter chegado às galas em direto, conseguiu surpreender os jurados com a sua voz.
Em 2014, decidiu voltar aos ecrãs no programa “The Voice”, na RTP1, onde, com a ajuda do seu mentor Mickael Carreira, ganhou mais experiência e aprendizagens. Mas é em 2015 que a sua vida muda para melhor. O seu regresso ao programa “Ídolos”, na SIC, garantiu-lhe um lugar nas galas em direto. Mário ficou em 8º lugar do programa e conquistou o público com a sua voz e talento.
Nesta entrevista, Mário fala-nos da sua experiência no mundo da música e promete-nos muitas surpresas relativamente ao futuro.



Como surgiu o teu gosto pela área da música?
Tudo começou nos meus 13/14 anos, quando um primo meu me apresentou um curioso instrumento com o nome de Guitarra. Ele já o conhecia há algum tempo e ensinou-me os primeiros acordes. Fiquei fascinado e logo o bichinho da música começou a crescer dentro de mim. Mais tarde, os meus pais surpreenderam-me oferecendo-me uma guitarra. Prontamente me dediquei ao instrumento, aprendendo através da Internet alguns acordes, algumas das minhas músicas favoritas, até que senti que faltava alguma coisa: cantar!

E quando é que começaste a cantar mais a sério?
Após uns meses, senti que a guitarra me sabia a pouco! Então comecei a cantar para acompanhar a guitarra. Foi aí que me apercebi que dava "uns toques" a cantar. Mais tarde, os meus pais, os meus amigos, aperceberam-se que eu cantava bem, e aceitando de bom agrado as opiniões, comecei a dar mais atenção à minha voz e ao meu canto.

Cantares em bares e em diversas cidades permitiu-te ir conquistando o público aos poucos. Como te sentiste quando começaste a ver o público a reagir à tua voz?
Quando comecei a dar os meus primeiros concertos ficava com algum receio, nervosismo, horas antes de entrar em palco. Acho que é um sentimento mútuo em todos os cantores, quer seja no inicio da carreira, como no último concerto das suas vidas. Mas apesar de toda essa mistura de sentimentos, conseguia aguentar-me firme, e logo após a primeira música, deixava o nervosismo de lado e a resposta do público era incrível! Nestes 6/7 anos de carreira, passei a ser adorado em várias cidades, sendo convidado várias vezes por ano a ir lá atuar. Adoro ouvir os aplausos, entram no meu organismo como de oxigénio se tratasse.

“Que experiência!” foi a forma como descreveste a tua primeira experiência no “Ídolos”. O que aprendeste nessa tua breve estadia no programa?
O “Ídolos”, em 2012, foi o meu primeiro teste. Após treino intensivo durante uns meses, e após os meus primeiros 3/4 concertos, decidi arriscar e saber a opinião de pessoas mais experientes e profissionais. Correu muito bem, tendo em conta a falta de experiência que tinha e sendo eu um jovem com apenas 17 anos! Passei a primeira fase com 3 respostas positivas por parte de Pedro Abrunhosa, Tony Carreira e Bárbara Guimarães. As opiniões dos jurados deram-me muita força de vontade de aprender mais e mais confiança para as próximas fases. Chegando à fase do teatro, (os três dias infernais) passei o primeiro e o segundo dia, sendo eliminado no 3º, por falta de energia, e de voz também. Não estava habituado a cantar 3 dias seguidos e não aguentei... Mas foi uma experiência fantástica, aprendi a cantar em grupo, tive algumas aulas de canto e sinto que evolui imenso.



Em 2014 participaste no “The Voice”. O que guardas dessa experiência?
A experiência no The Voice, apesar de curta, foi recheada de conhecimento, experiência e aprendizagem. Conheci grandes influências da música portuguesa como a Marisa Liz, Mickael Carreira, Rui Reininho e Anselmo Ralph. Aprendi muito com eles, principalmente com o Mick que, no programa, era o meu mentor. Tínhamos também alguns professores de voz que nos ajudavam nos ensaios, e até momentos antes de entrarmos em palco.

Em 2015 regressas aos ecrãs e conquistas toda a gente. Que expectativas levavas quando foste ao casting do “Ídolos"?
Em 2015, quando participei no Ídolos pela segunda vez, tinha como objetivo chegar até à primeira gala! Foi a minha melhor prestação comparada aos programas anteriores, devido a uma maior experiência e maturidade da minha parte. Atingi e superei o meu objetivo, ficando em 8º lugar, dentro de 12 mil participantes.

Infelizmente foste eliminado na quarta gala do programa. O que achas que ditou a tua saída?
Para além da falta de votos (que é o motivo mais óbvio), acho que devia ter alterado a escolha da música, alargar os meus horizontes e escolher outro estilo musical. Mas mesmo assim, penso que dei o meu melhor, todas as semanas, e orgulho-me disso.
O que mudou na tua vida pessoal e profissional após o programa?
Após este programa, a minha vida mudou muito a nível profissional. Mais concertos, mais entrevistas e novos projetos. A minha massa de fãs e seguidores cresceu imenso e o apoio que eles me dão é incrível. Dão-me muita força para seguir o meu sonho de ser artista profissional.

E no que diz respeito ao futuro, podemos esperar novidades? Onde te podemos encontrar?
Sim, apesar de não me ser possível abrir muito mais sobre o assunto, vão sair novidades, e das boas! Enquanto não saem, podem encontrar-me no YouTube, onde lanço vídeos com covers e e uma música original que lancei no Natal, com uma grande amiga, Claúdia Pascoal! Pesquisem Mário Pedrosa no YouTube, certamente aparecerá! Podem também encontrar-me no facebook (www.facebook.com/mariopedrosaoficial) e no instragram (mariopedrosa.oficial).



Terminada esta entrevista resta-me agradecer ao Mário por toda a sua disponibilidade e, acima de tudo, por ter aceite responder às minhas questões.






sexta-feira, 29 de julho de 2016

Opinião: «Inside Out»

sexta-feira, julho 29, 2016 4 Comments

Inside Out é um filme de animação de 2015 produzido pela Pixar Animation Studios e lançado pela Walt Disney Pictures.

Este é, sem dúvida, um dos melhores filmes de animação que já vi. A história passa-se na mente de uma menina -que podia ser qualquer um de nós. Nessa mente temos as emoções (neste caso a alegria, a tristeza, o medo, a raiva e o nojo) e o que estas emoções fazem é conduzir a vida da menina. Tudo está perfeito até que os pais da menina decidem mudar de cidade. A alegria tenta ajudar a menina a sentir-se melhor com essa mudança mas a tristeza destrói todas as suas boas memórias e faz com que a menina se vá isolando cada vez mais. A raiva, o nojo e o medo tentam consolar a menina mas acabam por fazê-la distanciar-se cada vez mais dos pais e dos amigos, levando-a mesmo a fugir de casa. A alegria faz de tudo para ajudar a menina e restaurar todas as suas boas memórias mas sem sucesso. Riley tinha perdido tudo. A escola, os amigos, o desporto e até a família. Deixou tudo para trás e todas as suas boas memórias foram postas de parte entrando num total estado de solidão que a alegria não conseguiu restaurar. O mais curioso é que a Riley foi salva mas não pela alegria como qualquer um de nós pensaria. Quem a salvou foi a tristeza. A tristeza reinstalou as memórias base na mente de Riley, o que fez com que ela voltasse a casa. Assim que vê os seus pais, começa a chorar confessando-lhes que sente falta da antiga casa e que não suporta estar ali. Os seus pais confortam-na e, juntas, a alegria e a tristeza criam uma nova memória para a menina a partir daquele momento. Um momento que deveria ser triste mas que se tornou feliz. 
A conclusão mais clara que tirei deste filme é que, ao contrário do que muita gente pensa, a tristeza não é uma coisa má. Aliás, a tristeza é a emoção mais necessária de todas. Sem tristeza não haveria alegria, essa emoção que todos nós procuramos. A tristeza é essencial em todos os campos. É ela que nos move. É ela que nos faz levantar e voltar atrás quando estamos prestes a cometer erros. É ela que nos torna mais fortes e, acima de tudo, é ela que molda a nossa personalidade. A alegria é o sentimento que mais desejamos e isso não significa nunca que este seja o mais importante. É aquele que nós queremos sentir e o que procuramos o tempo todo, só isso. Mas se não fosse a tristeza nós nunca conseguiríamos encontrá-lo. Por isso é que não acho correto negarmos a tristeza, talvez ela seja demasiado essencial para não ser sentida de vez em quando.
Isto para vos dizer que este filme é daqueles que mais me fez refletir até hoje e tenho a certeza que vai chegar ao coração de cada um de vós. Depois de o ver, ganhei uma visão completamente diferente acerca da mente humana e da forma como lidamos com as nossas emoções. Aliás, agora acho que não somos nós quem lida com as emoções. Elas é que lidam connosco. O nosso trabalho é apenas saber ouvi-las e seguir os conselhos que elas nos dão quando percebem o que é o melhor para nós. Nunca as devemos culpar por nada do que aconteça connosco porque se aconteceu é porque foi necessário. E se foi necessário, vai fazer-nos bem em algum momento da nossa vida.

Já viram o filme, internautas?
O que acharam? :)

quinta-feira, 28 de julho de 2016

Brincar é crescer e crescer é evoluir

quinta-feira, julho 28, 2016 7 Comments
Brincar é algo que faz parte da natureza inata de cada criança. E não só. Se há coisa que nos faz identificar com os restantes seres vivos são as brincadeiras.
Todos gostamos de brincar sejamos nós crianças ou não. Mesmo quando somos adultos só não pegamos nas barbies que estão na arrecadação e não jogamos à macaca porque “não é para a nossa idade”. Eu acredito que não há uma idade para a brincadeira, afinal, brincar é saudável e faz-nos felizes e, por isso, porque raio temos nós de parar de brincar só porque nos tornamos adultos? O desafio para um adulto deve ser manter a jovialidade dentro de si, afinal, todos temos em nós uma eterna criança, certo? Na realidade, a questão que se coloca quando falamos de “brincar” é a forma como muitos pais encaram isso no que diz respeito às suas crianças. Infelizmente, há muitos pais que ainda não levam a sério a “brincadeira”. Para eles, brincar é só isso, uma brincadeira, nada mais. E depois ouvem-se comentários do género “para de ser criança, já não tens idade para essas brincadeiras, és um homem e um homem não brinca” ou “a vida não é brincar, deixa-te dessas coisas e cresce”. Sim, já ouvi muitos comentários destes dos pais para os seus filhos e senti pena. Pena porque esses pais não percebem que brincar é o que os torna adultos. Adultos saudáveis, ativos e felizes, diria eu. Brincar é super importante no que diz respeito ao crescimento e desenvolvimento de uma criança.
A verdade é que quando vamos para a escola, começamos a desenvolver o nosso cérebro mais “a sério”. Aprendemos a contar, a escrever o nosso nome e uma série de coisas que são o início do nosso amadurecimento. E é isso que todos os pais procuram, que os filhos sejam inteligentes e que absorvam tudo o que lhes é ensinado e para isso não pode haver espaço para brincadeiras porque isso é uma distração. Enganam-se. Há brincadeiras e brincadeiras. As brincadeiras de que aqui falo não são as tardes passadas ao computador ou os jogos dos telemóveis. São brincadeiras a sério. Infelizmente, já não se vêem muito porque a maior parte dos pais só quer ver os seus filhos distraídos e ocupados e se para isso estes estiverem agarrados a um computador, tudo bem. Não, não é isso que é saudável. Saudável é jogar às escondidas. É saltar à corda ao ar livre, jogar futebol com os amigos e fazer corridas. Saudável é cair ao andar de bicicleta e fazer feridas nos joelhos depois de tanto rebolar pelo chão. É destas brincadeiras que falo. Brincadeiras que levam os vossos filhos para fora de casa. Têm a certeza que não contribuem para o desenvolvimento deles? Claro que sim! Não são só “brincadeiras de miúdos”! Todas estas atividades fazem com que as crianças se desenvolvam porque vão interagir com outras crianças, vão aprender que quando caírem na vida vão ter de aprender a levantar-se sozinhos tal como quando caem da bicicleta. Vão aprender que as feridas nos joelhos saram e que as feridas que a vida lhes vai trazer no futuro vão sarar também. Vão aprender que por mais que joguemos às escondidas acabamos sempre por ser encontrados e que a vida funciona como cada brincadeira que eles têm. Enquanto são crianças podem não entender. São apenas jogos. Mas quando começam a crescer começam a relacionar essas brincadeiras com cada situação que lhes vai acontecendo na vida e é aí que está o desenvolvimento.

Eu já fui criança, já caí, já fiz feridas nos joelhos e já chorei por querer brincar mais na rua e não poder porque estava na hora de ir dormir. Se isso me ajudou? Muito. Hoje vivo a vida de acordo com as memórias que tenho da minha infância. Infância essa que eu acho que se está a perder em prol dos computadores, dos telemóveis e de todas essas tecnologias que incentivam as crianças a estar fechadas em casa o dia todo. Se há coisa que a minha infância me ensinou é que brincar na rua ensina-nos mais do que possamos imaginar, ensina-nos a defendermo-nos e a protegermo-nos da vida. E se há coisa que vou fazer aos meus filhos é incentivá-los a largar as tecnologias e a brincar “à moda antiga”, na rua, com uma bola ou bicicleta, com carros telecomandados e trotinetes. Porque a infância é tão bonita e nós só nos apercebemos quando crescemos. Por isso, pais, se estão a ler isto, deixem as vossas crianças brincar. Não gritem se eles chegam a casa todos sujos. Chegar a casa sujo é a melhor coisa que uma criança pode fazer e sabem porquê? Porque significa que esteve a brincar. E quantas crianças hoje não brincam. Mal elas sabem que a felicidade da vida está nas pequenas brincadeiras e que ser adulto se torna tão aborrecido.

Publicado em: Repórter Sombra


quarta-feira, 27 de julho de 2016

Nelson Freitas lança novo single

quarta-feira, julho 27, 2016 3 Comments

No passado dia 22 de julho, Nelson Freitas lançou o seu novo single intitulado "My Feelings". Esta canção conta com a colaboração de Mikkel Solnado e é mais um êxito do álbum "Four". O videoclip foi gravado na Ilha do Pessegueiro e traz-nos o som ideal. 
Nelson Freitas é, assim, um dos artistas mais populares da atualidade e traz uma sonoridade única e diferente que o leva aos melhores palcos, como o Sumol Summer Fest ou o Sol da Caparica. A sua digressão encerra no Campo Pequeno, em Lisboa.

quinta-feira, 21 de julho de 2016

TAG: Liebster Award

quinta-feira, julho 21, 2016 7 Comments
Hoje trago-vos mais uma TAG. Desta vez fui nomeada pela Núbia Lima, do blog Motivos Pelos Quais Estou Feliz Hoje para responder à TAG "Liebster Award". Nesta TAG poderão conhecer-me melhor assim como ao blog.





Regras:
1. Escreva 11 fatos sobre você.
2. Responda as perguntas de quem te indicou.
3. Indique de 11 à 20 blogs com menos de 200 seguidores.
4. Faça 11 perguntas para quem indicar.
5. Coloque a imagem que mostre o selo Liebster Award.
6. Link de quem te indicou.

11 factos sobre mim:

1. Sou tímida e fico envergonhada facilmente;
2. Sou completamente apaixonada por piercings e tatuagens;
3. Sou viciada em séries;
4. Atualmente, tenho uma crush (enorme) pelo Louis Tomlinson;
5. Sou apaixonada por teatro, música e tudo o que tenha a ver com o mundo das artes;
6. O meu maior sonho é ser mãe;
7. Quando olho para as pessoas na rua, imagino sempre no que é que elas estão a pensar;
8. Sofro mais com mortes de animais do que de pessoas;
9. Sou demasiado sensível e tudo me faz chorar;
10. Sou obcecada pelo Benfica ao ponto de deixar de falar com quem não respeita o meu clube;
11. Todos os dias canto e danço pela casa ao som das minhas músicas favoritas.


Perguntas e as minhas respostas:

1. O que você pretende fazer com o primeiro dinheiro que ganhar com suas redes? 
R: Nunca pensei nisso porque não estou a contar vir a ganhar dinheiro com o blog. Se acontecer ótimo, mas não é um objetivo.

2. O que te motiva todos os dias quando você pensa no blog/canal e senta para escrever e produzir conteúdo?
R: Motiva-me a minha vontade de partilhar. Motivam-me os meus seguidores. Motivam-me os vossos cometários. Mas, acima de tudo, motiva-me a minha vontade incessante de partilhar as minhas opiniões com o mundo.

3. Como você se vê daqui 5 anos? Se vê com o blog/canal grande, ou faz atualmente por hobbie e procura carreira em outras áreas?
R:  Imagino-me ligada a outras áreas (jornalismo, teatro ou cinema) mas sem deixar o blog de parte. Este blog é quase um filho para mim e não faz parte dos meus planos deixá-lo. Claro que com o passar dos anos a regularidade com que vou escrever aqui vai mudando, mas desistir dele, nunca! 

4. Que dica você daria para quem está pensando em começar um blog?
R: Não começar se não houver amor e amor a sério! Se vão escrever para um blog só porque é giro e tem piada então desistam. Parecendo que não, manter um blog dá trabalho e ocupa muito tempo por isso só vale a pena se pusermos toda a nossa dedicação e vontade dentro dele. Escrever é, sem dúvida, o melhor começo.

5. Aliás, conta um pouco como foi que começou a ideia de ter um blog!
R: Não me lembro bem. Era muito nova quando tive a ideia de ter um blog, Entretanto, dei asas a essa ideia anos mais tarde. Queria partilhar com o mundo as minhas ideias, os meus gostos e as minhas opiniões. Acho que o mundo só evolui quando há uma partilha e as pessoas perdem tanto tempo com coisas desnecessárias que se esquecem de partilhar e se fecham numa bolha. Com o meu blog, eu não vivo numa bolha. Mostro-me por completo àqueles que o acompanham diariamente.

6. Se você começasse a bombar agora, você teria coragem de largar tudo, seu emprego atual e se dedicar 100% as suas redes e viver de publicidade?
R: Era ótimo que isso acontecesse mas eu iria conciliar o meu blog com tudo o resto. Acho que quando amamos mesmo as coisas conseguimos conciliar tudo.

7. Quais são os seus projetos ainda para esse ano de 2016 para o blog/canal?
R: Continuar a escrever, continuar a mostrar-vos coisas novas (nomeadamente, entrevistas), continuar com os vídeos e iniciar novos projetos.

8. Sua família e amigos te apoiam em relação ao blog?
R: Muito. Os meus pais acham super giro eu ter "o meu cantinho" aqui. Grande parte dos meus amigos, quando soube que tinha um blog, felicitaram-me por isso e dizem que estão sempre a par das novidades. :)

9. Conte-me sobre os assuntos que você aborda no seu blog e por que escolheu esses temas?
R: Bem, no meu blog eu falo de tudo um pouco. Posso falar de assuntos atuais, dar a minha opinião sobre livros, filmes e músicas. Também faço entrevistas e alguns vídeos, Tudo isto veio do meu amor pela comunicação, pelas artes e pela cultura.

10. Me fala sobre quem você acompanha e te inspira no mundo das blogueiras e youtubers.
R: Acompanho vários blogs mas, sem dúvida, que os que sigo todos os dias são os blogs do Miguel Gouveia e da Andreia Morais. Sou seguidora assídua. Quanto a youtubers, não vou nomear nomes porque nunca mais saía daqui (risos).

11. Cite algum sacrifícios que você faria/faz/fez ou que você jamais faria em relação ao seu crescimento nas redes.
R: Quando se gosta, não há sacrifícios :)

Não vou nomear ninguém, sintam-se todos à vontade para fazer a TAG ;)

quarta-feira, 20 de julho de 2016

Opinião: «No Teu Olhar»

quarta-feira, julho 20, 2016 10 Comments


Sou uma apaixonada por leituras mas sou ainda mais apaixonada pelo Nicholas Sparks. É o meu autor favorito e se me querem fazer feliz é simples: ofereçam-me livros dele.
Neste Natal, uma das minhas melhores amigas ofereceu-me este livro (ela sabe que sou doida pelo escritor) com uma dedicatória dela e de todas aquelas amigas que eu amo em Coimbra. Foi um gesto bonito e que me comoveu imenso porque para além de poder ler um livro do autor que mais gosto, ainda tenho lá as palavras mais sinceras das pessoas que mais amo em Coimbra. 
Comecei as minhas leituras no início deste ano mas, por motivos académicos, só consegui acabar este livro no mês passado. Bem, a minha opinião, como devem calcular, é a mais positiva que pode haver. Adorei! A história é apaixonante!


Neste livro, Nicholas conta-nos a história de Maria e Colin, dois jovens que se apaixonam mas que são completamente diferentes. Ela é uma advogada de mérito que leva uma vida pacata e longe de confusões, ele tem um passado marcado por violência, foi preso algumas vezes e à miníma briga ficaria preso por muitos anos. Colin e Maria cruzam-se quando Maria sofre um furo num pneu do seu carro e Colin se oferece para a ajudar. Assustada pela aparência do tatuado e ferido (por causa das lutas em que se envolvia) Colin, Maria agradece e vai embora desejando nunca mais voltar a ver aquele homem assustador. O que Maria não sabia é que Colin era colega de turma da sua irmã, Serena, e que os seus mundos se viriam a cruzar novamente.
Colin e Maria acabam por se envolver e viver um romance apaixonante. O amor deles é notório mas é quando tudo está a correr bem que algo terrível acontece. Como advogada, há uns anos atrás, Maria teve de tratar do caso de Cassie, uma jovem que sofria violência por parte do namorado. Como não havia provas concretas contra ele, o namorado de Cassie acaba por ser libertado mas Maria promete que Cassie ia estar protegida. O que não aconteceu. Cassie começou a sofrer ameaças por parte do jovem e, mais tarde, foi queimada viva pelo mesmo. Maria ficou de rastos por não ter cumprido a sua promessa mas o seu irmão ficou ainda pior. E é quando Maria e Colin vêem as suas vidas endireitarem-se que tudo muda. O irmão de Cassie culpa Maria pela morte dela e decide persegui-la e fazer o mesmo que foi feito à irmã. Ele quer vingar a morte da irmã fazendo o que fizeram a Cassie, ou seja, Maria vai sofrer na pele tudo o que Cassie sofreu. Passinho a passinho. Primeiro as ameaças, depois a morte da cadela por envenenamento, depois as perseguições e, por último, o fogo. A última etapa será Maria ser queimada viva como Cassie foi. Ou será que não é Maria quem vai estar nas mãos das chamas? E se for alguém que lhe esteja próximo de modo a causar-lhe ainda mais dor? Bem, como é óbvio, não vou revelar como acaba o livro mas posso garantir que é surpreendente. E se ao longo do livro a história nos apaixona, o final é emocionante. As personagens estão super bem construídas. Colin, Maria, Serena, Lily, Ryan... são todas personagens cativantes devido às suas caraterísticas próprias!
Para quem gosta de Nicholas Sparks, este é o livro ideal. Para quem não gosta do autor por escrever livros demasiado "românticos", este é o vosso livro, pessoal! Apesar de ter romance não é aquele tipo de "romance lamechas". Tem crime, aventura e mistério à mistura e é simplesmente fabuloso! Aconselho vivamente!



Alguém já leu o "No Teu Olhar"? O que acharam?
Boas leituras, internautas!




terça-feira, 19 de julho de 2016

Nélson Freitas encerra digressão no Campo Pequeno

terça-feira, julho 19, 2016 5 Comments

Nelson Freitas tem vindo a conquistar milhares de pessoas de norte a sul do país pelo seu misto de sonoridades que vão do zouk ao r&b, passando pelo kizomba, hip hop e soul. 
Atualmente, o artista encontra-se a promover o seu próximo álbum "Four" e, dia 22 de outubro, vai dar em espetáculo especial de encerramento desta digressão, no Campo Pequeno, em Lisboa.
Neste concerto não vão faltar os êxitos de "Four" assim como dos álbuns anteriores. O espetáculo conta ainda com vários convidados que serão divulgados em breve. 
Dia 22 de outubro é a data perfeita para finalizar este ciclo da carreira do Nélson Freitas. Os bilhetes já estão à venda nos locais habituais e na Ticketline. O preço vai dos 20 aos 28 euros.


segunda-feira, 18 de julho de 2016

Alta Definição || Éder

segunda-feira, julho 18, 2016 4 Comments


Como tantos outros portugueses vi, no passado sábado, o Alta Definição com o Éder e não consegui deixar de fazer um pequeno comentário aqui no blog. 
Sendo completamente sincera, já estava à espera de ficar presa à entrevista porque não é difícil perceber aquilo que o Éder tem para nos dar. Nota-se a milhas que estamos perante uma pessoa humilde, verdadeira e que já passou por muito na vida. Acho-o um exemplo, sem dúvida. Principalmente a nível de personalidade. Penso que ele é a prova de que às vezes só precisamos de força para mostrar às pessoas o quão erradas elas estão sobre nós. Ao longo destes meses fui lendo bastantes comentários que chegavam mesmo a humilhar o Éder. Li coisas que preferia nem ter lido mas, sinceramente, o povo português tende a ser demasiado rude quando quer, não é? Limitei-me a isso, a ler. Não queria entrar em guerras desnecessárias porque se há coisa que percebi à pala do futebol é que mais vale estares calado e deixares os ignorantes falar porque eles vão sempre contrariar o que tu dizes e vencer-te pelo cansaço. Isto para voz dizer que os comentários que ouvia sobre o Éder me irritavam imenso ao ponto de eu ter deixado de acompanhar os jogos e sair das redes sociais para não ler absolutamente nada enquanto Portugal estivesse a jogar. Sim, concordava que o Éder não estava no seu melhor. Conhecia e conheço o seu potencial e conseguia perceber que ele não o aplicava em campo da melhor forma. Mas toda a gente tem dias menos bons, certo? Mas claro que se tiveres Portugal inteiro a criticar-te não vais conseguir dar o teu melhor porque vais sempre com imensa pressão em cima, começas a acreditar no que dizem e já não são os outros quem te manda abaixo, és tu mesmo. É isto que acontece na vida. É isto que nos acontece a todos. Por vezes preferimos acreditar nas coisas más que dizem sobre nós do que provar que somos exatamente o contrário. A opinião das pessoas molda-nos, derrota-nos e faz-nos deixar de acreditar em nós próprios. E foi isso que aconteceu ao Éder. Porque ele nunca foi um mau jogador, muito pelo contrário. Se há alguém que sabe o que faz em campo é o Éder, se há alguém que luta para dar o seu melhor é o Éder. O Éder é dedicado e humilde. Tão humilde que se deixou acreditar no que os outros diziam. Tão humilde que ao invés de pensar "sou bom e vou provar-lhes isso", pensou "estou a atrapalhar". Penso que é essa característica que faz a diferença: a humildade. Quantos jogadores de futebol -e sejamos completamente sinceros- têm o rei na barriga? É certo que podem ter razões para isso por serem realmente bons mas é necessário ver a diferença entre os jogadores que são bons e se gabam disso e os que são bons e se mantêm humildes. 
Desde o primeiro dia em que entrei no Twitter e vi comentários completamente arrasadores sobre o Éder rezei (literalmente) para que aquela luva servisse para ele dar uma chapada de luva branca a muita gente. Afinal, nós temos sempre tendência a criticar quem faz mal mas esquecemo-nos que ao invés de criticar devíamos dar força. Esquecemo-nos que a pessoa que lê os comentários negativos tem sentimentos e vai encará-los da forma mais negativa possível. Se tu escreves "és lixo", eu vou ler "morre" porque a tendência é sempre para dramatizar ainda mais aquilo que está escrito porque a nossa confiança vai completamente abaixo. Durante semanas desejei que o Éder voltasse a acreditar, que voltasse a acreditar nele mesmo e que pudesse provar a toda a gente que ele é capaz. Que a Seleção não é só Ronaldo's, Quaresma's ou Nani's. A Seleção são todos eles! E não havia ninguém melhor para provar isso do que o elemento mais desprezado por "não estar à altura". E esse dia chegou. E chegou na melhor altura. O Éder veio provar que todos temos o nosso valor, basta acreditarmos em nós. Veio mostrar que não precisamos de ser "o melhor do mundo" para mover uma nação. Basta acreditarmos, darmos o nosso melhor e fazer aquilo que de melhor sabemos fazer. E foi isso que o Éder fez. Aproveitou a oportunidade, acreditou nele mesmo, chutou e marcou. Se não fosse o "poste", o "cone" e "aquele gajo que não está ali a fazer nada", provavelmente Portugal tinha chegado à final. Só. Mas agora toda a gente fala e toda a gente elogia. Acho bem que peçam desculpas. Acho bem que se humilhem perante o jogador que humilharam desde a primeira falha. Mas acho ridículo que digam "eu sempre acreditei em ti". Pior, acho ridículo que aqueles que o humilhavam agora o chamem de "herói". É, ele é um herói. Mas não é um herói só porque marcou o golo mais importante. É um herói porque suportou imensa coisa. É um herói porque viveu longe dos pais. É um herói porque se aguentou firme numa instituição desde criança. É um herói porque conseguiu chegar onde chegou sem passar por cima de ninguém. É um herói porque, depois de tanto sofrer na infância, ainda suportou comentários terríveis quanto ao seu modo de fazer futebol. É um herói porque tudo o que mais queria era que Portugal o amasse e aguentou os pontapés e as cuspidelas que levou em cima. É por isto que ele é um herói. E é também por isto que quem tem o direito de lhe chamar herói é quem acreditou desde o início, quem entendeu as suas falhas e o incentivou com um "para a próxima será melhor". Porque é fácil deitarmos abaixo a outra pessoa quando ela não corresponde às nossas expectativas, difícil é dar-lhe a força suficiente para ela passar a corresponder às mesmas.
Por isto tudo e muito mais, foi de lágrima no olho que vi esta entrevista. Emocionei-me e enchi-me de orgulho. Se há coisa que me irrita cada vez mais é a falta de caráter de tanta gente. Pessoas que dizem amar o seu país mas tratá-lo como se não valesse nada. E ver esta entrevista, ver o Éder a mostrar-se como nunca se mostrou, fez-me ter esperança. Agora sim, consigo acreditar que neste país ainda há pessoas que merecem tudo. Merecem respeito, merecem sucesso, merecem que lhes bata palmas de pé. Porque no meio de tanta gente hipócrita, que só consegue ser feliz quando os outros estão pior que eles e que só estão bem a criticar tudo, ainda há pessoas que se distinguem pela humildade, por serem elas mesmas e por terem os pés bem assentes na terra. E o Éder é, sem dúvida, uma dessas pessoas. Que Portugal se orgulhe de o termos cá porque eu orgulho-me e muito! 


Viram a entrevista?
O que acharam? :)


domingo, 17 de julho de 2016

Música da Semana #46

domingo, julho 17, 2016 5 Comments

A música Dialeto, do Diogo Piçarra, foi lançada esta semana e já é das minhas músicas favoritas. Como vocês já devem ter percebido, sou uma grande fã do Diogo. Já acompanho o trabalho dele há algum tempo e digo, sem medos, que é o meu artista português favorito. Admiro-o imenso por tudo o que ele tem conseguido conquistar e pela forma lutadora e humilde como o tem feito. Acho que chegar lá é importante mas chegar lá e manter a humildade é o desafio, e nisso o Diogo é fantástico.
Se há letra que me deixa completamente viciada é esta. É simplesmente linda e não consigo parar de ouvir. Parabéns, Diogo!

O que acham da música, internautas? :)

sábado, 16 de julho de 2016

André Mendonça: «Depois os rituais de bruxaria para me tornar hétero e me demoverem da ideia de ser homossexual e o mais grave foi saber que me colocavam drogas na comida para me pôr doente.»

sábado, julho 16, 2016 2 Comments
Chama-se André Mendonça e, como tantos outros, foi mais uma vítima da homofobia. Tudo começou quando, por volta dos doze anos, começou a perceber que não se sentia atraído por raparigas. Daí até perceber que era homossexual foi só um passinho.
A sua homossexualidade moldou-lhe a adolescência por, segundo os colegas, “ser diferente”. Na escola foi vítima de bullying, chegando mesmo a ser ameaçado, humilhado e insultado nas aulas. Ao não aguentar a pressão e os constantes insultos por parte dos colegas, André decidiu abandonar a escola ficando, assim, apenas com o 11º ano concluído.
A verdade é que, se na escola as coisas não estavam fáceis, em casa também não. Os pais não aceitaram a homossexualidade do jovem afirmando “que pouca vergonha! És a vergonha da família! Não tens vergonha de ser assim? Não me faças, nem eu nem o teu pai, passar vergonhas!” Esta falta de apoio familiar fez com que André tomasse a decisão de deixar a Madeira –local onde nasceu- e ir viver para Lisboa com o seu atual companheiro.
Atualmente, o jovem não mantém qualquer tipo de contacto com a família e está desempregado, sendo que é o seu companheiro quem suporta todas as despesas de ambos.
Nesta entrevista, André fala-nos do difícil e duro percurso que fez até aqui assim como da forma como a homofobia está presente em toda a parte.


Com que idade e como começaste a perceber que gostavas de pessoas do mesmo sexo que tu?
Desde cedo. Por volta dos seis anos comecei a perceber que era diferente, simplesmente apercebia-me que não conseguia fazer tudo como as outras pessoas. Foi algo que, mais tarde, vim a saber tratar-se de ter nascido prematuro, com vinte e seis semanas, e ter tido paralisia cerebral aos dois anos. Sempre tive a sensação de as pessoas me tratarem de forma diferente. Entre os doze e catorze anos comecei a perceber que algo em mim era diferente, que me sentia atraído por rapazes e as raparigas não me diziam nada. Apenas aos dezasseis anos é que consegui encarar o facto de gostar de alguém do mesmo sexo de forma positiva. Não foi um percurso nada fácil dado que me foi ensinado, por provir de uma família cristã, que ser homossexual era errado, doença, pecado.

A verdade é que a sociedade consegue ser muito cruel com aquilo que considera “diferente”. Quando decidiste assumir a tua homossexualidade perante os teus colegas e amigos sentiste que foste, automaticamente, tratado de forma diferente?
No ambiente escolar as coisas não foram nada fáceis. Desde a primária sempre fui discriminado por ser diferente, por andar de forma diferente, por não fazer as coisas no mesmo timming do que os outros, por ter algumas facilidades dado o problema de saúde aquando dos primeiros anos de vida. Quanto à questão da homossexualidade propriamente dita, sempre fui alvo de polémica na escola, fui vítima de bullying desde o 5º ano até ao 12º ano. Os amigos, a maioria deles, nunca esperavam que os ditos boatos da escola fossem verdade. Pensavam tratar-se de uma “brincadeira de crianças infantis”. E sempre tive quase nenhuns amigos, apenas pessoas oportunistas que queriam aproveitar-se de mim como podiam.

E a tua família? Como lhes disseste e como reagiram?
A primeira pessoa da família a quem contei foi uma tia minha que me disse que isso seria um desastre, uma bomba e que ninguém iria aceitar e respeitar-me. Que mal poderia querer que isso que lhe dissera fosse verdade e como poderia ter eu tanta certeza por ser tão novo.
Infelizmente, não tive a hipótese de contar aos meus pais, eles descobriram porque invadiram a minha privacidade: não podia ter a porta do quarto trancada e um dia leram as minhas sms porque esqueci-me do telemóvel e espiaram o que fazia no computador. Se por ventura tivesse tido essa hipótese, a minha intenção seria guardar o segredo mais uns anos porque desde cedo soube que não iriam saber respeitar-me e aceitar-me. Na altura em que se debatia a legislação do casamento entre pessoas do mesmo sexo, ouvia os meus familiares a tecerem comentários depreciativos e homofóbicos.
A reação dos meus pais quando descobriram que eu era homossexual foi uma catástrofe: “Que pouca vergonha! És a vergonha da família! Não tens vergonha de ser assim? Não me faças, nem eu, nem o teu pai passar vergonhas! Pelo teu irmão não faças uma coisa dessas!" (irmão este que não se encontra com vida, morreu à nascença e é inadmissível os meus pais usarem o meu irmão para me demover de gostar de rapazes). As coisas foram piorando: “Tu só gostas é de levar no cú! Devias é levar com a comichão das urtigas! Tu não prestas, és tonto, és uma vergonha! E quem foi que te meteu isso na cabeça?”. “Homens são homens, não são gatos!”; “Uma pessoa por ter uma tatuagem, piercing, gostar de homens ou mulheres, não é considerada sociedade nenhuma, é a coisa mais horrível que existe, é a podridão do mundo”, “Isso não são pessoas, não são nada!”
Chegando ao extremo de dizer-me: “É melhor pegares numa arma e matares os teus próprios pais, assim já ficas livre de nós já que é isso que queres! É melhor isso do que dizeres que és paneleiro! Só por uma gaja te ter dado com os pés, tu viraste!”.
Com o passar do tempo vieram outras expressões: "Filho, eu quero que tu sejas como o pai diz!” ; "Esses filhos da puta, esses paneleiros” ; “Esses amigos com quem tu andas, tens de mudar o rumo da tua vida! Assim não vais chegar longe!” ; "Não sei o que vês num homem, uma mulher tem tanto para dar a um homem, bem como um homem tem tanto para dar a uma mulher! Experimenta e vais ver como é bom!” ; "Pensei que tu eras meu amigo e gostavas de mim, não sei que tempestade vai na tua cabeça, eu ao pé de ti até me sinto um cachorro por tu não gostares de mulheres!” ; "Tu tens de pensar na tua vida e apenas um dia mais tarde (aos trinta anos), quando já trabalhares e ganhares, é que podes estar com quem quiseres e fazeres o que bem entenderes!” ; "Já é tempo de parares com essas coisas, não tens vergonha!? Já te disse para estudares, não é para andares a ver meninos!”; “As putas vão para a rotunda, tu não sei para onde vais!”.
Primeiro foram as expressões, as discussões constantes. Depois os rituais de bruxaria para me tornar hétero e me demoverem da ideia de ser homossexual e o mais grave foi saber que me colocavam drogas na comida para me pôr doente.

O facto de teres levado algum tempo para contar aos teus pais e aos teus amigos fez com que tivesses de passar por muita coisa sozinho. Como digeriste tudo isso?
Não foi mesmo nada fácil conseguir assimilar estar coisas num curto espaço de tempo, completamente tudo fora dos planos que eu tinha imaginado na minha mente, a vida trocou-me as voltas todas. Tive de crescer em mentalidade, aprender a lidar com coisas que aos 15/16 anos ninguém pensa ter de enfrentar. Cheguei até a ter uma depressão por causa da situação toda. Não foi, de todo, fácil de aprender a aceitar-me, a ter respeito por mim tal e qual como sou dado a educação que me foi dada na infância e dado o facto de viver num meio em que ser gay implica viver dentro do armário.

O preconceito está em toda a parte e não consegue não atuar. Há algum episódio em que tivesses sido vítima desse preconceito que possas partilhar connosco?
Cheguei a ser ameaçado na escola com uma navalha e um isqueiro. Os meus colegas de turma colocavam pioneses nas cadeiras, vezes sem conta. Chegaram até a entornar-me uma garrafa de leite para cima da roupa com o propósito de me humilhar e enxovalhar em plena sala de aula.
Numa aula de Educação Física estávamos a lecionar a modalidade de basebol e a professora mandou-me fazer de catcher, e certos colegas disseram-me: “ah, vai lá apanhar as bolas, tu só gostas é disso, seu vadio! Não fazes nada nas aulas! Só gostas de estar sentado e só gostas é de levar no rabo e de leitinho, não é seu cabrão?” Fiquei com um trauma no desporto devido ao bullying passado desde há alguns anos, relembro-me de tudo o que eu passei em pequenino e entro em modo depressivo. Depois, as pessoas não me sabem integrar. Põem-me sempre de parte, colocado a um canto. Sempre foi assim. E depois começam a gritar comigo, dizendo que eu não sei jogar e que não jogo direito, e gozam comigo. Tudo aliado ao facto de não me sentir bem nos balneários com os rapazes. No 11º e 12º tive atestado médico a Educação Física (dado os problemas de saúde que tive à nascença). Fazer aquelas aulas para mim era uma tremenda tortura psicológica! Foi horrível todo este processo. Acabei por abandonar a escola em Janeiro de 2014, ficando apenas com o 11º ano completo para todos os efeitos. Isto, devido ao facto de a situação ter chegado ao limite do que aguentava e não suportar mais a pressão psicológica tanto em casa como na escola. Estava na altura de pôr o meu ponto final, quando para mais, eu sabia que a escola não estava minimamente interessada em defender os meus direitos.

O que é que pesou na tua decisão de te mudares para Lisboa?
Estava sem saber o que iria fazer, apenas queria sair dali, daquele casulo, daquele sitio onde nada fazia sentido e recomeçar de novo noutro local. Pesou tudo um pouco. Se me iria ambientar à nova cidade, se ia conseguir socializar e fazer amigos, o medo de andar sozinho principalmente à noite mas, por outro lado, sabia que iria ter liberdade para ser eu mesmo.

Numa entrevista disseste que o teu atual companheiro é o teu primeiro relacionamento sério. Como percebeste que era amor?
No início, o que ambos apenas queríamos era uma “amizade colorida” mas com o evoluir do tempo o cupido fez das suas. É absolutamente incrível e impensável encontrar alguém com a cabeça no lugar num site de engate muito popular, “Manhunt”. Este é daqueles sítios onde jamais se pensa que se encontra alguém para algo sério, verdadeiro e duradouro.
É tão incrível como um "não queres companhia para dormir?" fez o encanto daquela noite. Parece um filme, foi no momento certo, à hora certa - Destino. Desde que o vi, senti o “clique”, algo me disse que ali à minha frente estaria uma pessoa muito especial, com muito para me dar: amor, carinho, amizade, etc. Pelo evoluir das coisas semana após semana, a vontade, a necessidade de estar a falar horas e horas, o convívio, estar frente a frente, era cada vez maior. O desejo de ter a pessoa só para nós era notório. Desde o início, percebi que estava perante uma pessoa com a cabeça no lugar, tendo alguma vivência similar à minha, sempre abordamos todos os temas com maturidade, partilhando a visão, vivência e experiencia de vida de cada um de nós. São tudo coisas que nos fazem crescer, mudar e evoluir. Estou orgulhoso de cada passo, cada conquista ecada vitória de ambos.

O que a maior parte das pessoas não consegue entender nos casais homossexuais é o facto de se amarem porque “vai contra a natureza humana”. Alguma vez sentiste que a sociedade olhava para ti e para o teu namorado na rua como não sendo um “casal saudável” só por serem do mesmo sexo?
Sim, já duas vezes. Uma quando passávamos o fim-de-semana do dia dos namorados no Porto. Uma senhora apontou-nos o dedo, perseguiu-nos e queria tirar-nos os sacos das compras do supermercado. Se não fosse um grupo de idosos do outro lado da rua a mandarem embora, não sei o que teria sido. A outra, em Portimão, na Páscoa. Um rapaz mais ou menos da nossa idade pediu isqueiro para o cigarro, dissemos que não e seguimos em frente. Como ele viu que estávamos de mão dada começou a seguir-nos e a insultar-nos. Nós seguimos caminho sem olhar para trás, até ao momento em que ele nos atira uma pedra da calçada que quase atinge a cabeça do meu namorado. Aí aceleramos o passo mas ele continua a perseguir-nos durante mais uns quantos metros, até que decide ir-se embora.

Achas que isso tem contribuído para o facto de teres dificuldade em arranjar emprego?
O mercado de trabalho encontra-se muito complicado e precário. Em parte, noto que a dificuldade se deve a não haver quem se digne a dar oportunidades para a pessoa mostrar aquilo que vale, o seu potencial, poder começar e evoluir para poder finalmente ter experiência (requisito fulcral na maioria dos anúncios de emprego).
E depois ninguém está para perder tempo a ensinar alguém,
querem é máquinas e autênticos robots que não falem, não reclamem e aceitem ser escravizados. É quase impossível não ter um trauma com isto. Eu acredito e sei ver que sou capaz de fazer coisas interessantes. A questão aqui é que as empresas não vêem isso e estão a borrifar-se para o resto. Não acreditam no valor das pessoas. Tenho, desde que cá estou, experimentado diversas coisas, no entanto, não houve sequer nenhuma dessas que vingasse e perdurasse. O facto de ter a condição de saúde que tenho também acaba por limitar-me e não há quem seja capaz de respeitar as limitações e incluir-me dando uma oportunidade.     
E por outro lado, tudo se rege em padrões e costumes impostos, a sociedade acaba por impor “modelos” para as profissões. Por exemplo, não podes ter maneirismos, ter um lado artístico, ter o cabelo pintado, usar makeup ou usar roupa de um estilo diferente. É bizarro porque penso “desde quando é que se julga o livro pela própria capa?” e “como é que isso influência a minha prestação enquanto profissional?”. Acho que deveria haver liberdade para podermos ser nós mesmos. Quem o faz acaba por ser logo discriminado e posto de parte por decidir ser genuíno. Por, no fundo, teres a coragem para seres “tu próprio” tal e qual como és, te sentes e identificas.

O que dirias às pessoas que te julgam a ti e a tantas outras pessoas com orientações sexuais “diferentes”, afirmando que a homossexualidade é uma doença?
A homossexualidade não é uma doença, doença é, sim, a pequenez da mente das pessoas em quererem ser retrogradas e massacrar os outros com idealismos e convicções baseadas em “ques”. O amor vence tudo. Se incomoda assim tanto alguém ser homossexual e demonstrar afeto, está mais do que na hora de abrir os olhos e ver o mundo lá fora. É desolante ser tratado, rotulado e julgado como se fosse um produto de supermercado com um código de barras. Doí, magoa e fere. Devemos simplesmente não impor barreiras ao amor. Estamos em 2016, vamos andar para a frente! Trata só os outros com o respeito que gostarias que tivessem por ti. Para amarmos alguém não interessa o sexo, raça, religião. O que interessa mesmo é o significado do sentimento “amor” para nós e para esse alguém. Ser homossexual não faz alguém pior ou melhor mas sim alguém mais forte, com a vivência na primeira pessoa para o mundo cruel que te rodeia. Quem é homossexual é uma pessoa como as outras, também têm um projeto de vida, casar, constituir família, ser bem sucedido. Isto é um pequeno detalhe que faz parte de nós desde a nossa existência, é uma forma de amar tal como a heterossexualidade, é bonita, verdadeira, real, sincera.

Consideras que teres dado a cara num programa de televisão te permitiu abrires mentalidades e afirmares o teu direito de seres feliz?
Sem dúvida que sim. Foi das melhores coisas que fiz. Decidi, finalmente, que já estava mais do que na hora de partilhar a minha história de vida, a minha vivência, por forma a inspirar outros e a demonstrar a força e a coragem e orgulho que tenho em ser quem sou. E também para poder contribuir para uma diminuição do preconceito e homofobia existentes! O feedback que obtive aquando da emissão do programa foi bastante positivo. Quem viu ficou comovido com o meu testemunho e felicitou a minha coragem para ser quem sou sem medos.

Numa entrevista, referiste que a tua família se esqueceu da tua existência. Até à data, nunca mais te tentaram procurar ou estabelecer algum tipo de contacto?
Embora o tempo passasse, os meus pais continuaram os iguais de sempre: a renegar-me, maltratar-me e criticar-me por tudo e mais alguma coisa. Continuaram as chantagens e manipulações emocionais, o quererem saber tudo da minha vida pessoal e íntima, sem olhar a meios. Até que chegou o ponto de rutura, sendo que foram eles próprios que decidiram abandonar-me e deixar-me sem chão, no natal de 2015. Quase seis meses se passaram desde que eles me deixaram de apoiar financeiramente. Não me falam, nem me retribuem as chamadas que lhes faço. Ignoram-me, não só eles mas todos os familiares, como se eu alguma vez existisse. É triste, mesmo muito, mas a vida é para a frente. Se não querem saber de mim para nada, manifesto o mesmo sentimento para com eles e faço de tudo para seguir com a minha vida em frente. Até à data, quer depois da ida ao programa bem como da referida entrevista, não tive qualquer contacto por parte de algum familiar sejam os pais, bem como tios/tias, primos/primas. Simplesmente ninguém se lembra de mim nunca, desde que vim para cá e não vou ser eu a preocupar-me que eles existam pois só me falam quando necessitam de algo. Família se fosse de verdade deveria de ter o dever e preocupação de quinze em quinze dias ou de mês a mês perguntar se estou bem, se preciso de alguma coisa, como corre a minha vida. Mas não, não querem saber. Assim sendo, não preciso de pessoas assim na minha vida. Mais vale esquecer, nem os consigo considerar como pais mas sim progenitores.

O que dirias aos teus pais se eles estivessem a ler esta entrevista?
Família é todos os dias. É para sempre. É dar apoio não importando a causa. É estar lá para o que os outros necessitam. Sinto pena por estes seres serem incapazes de ver o que há de belo em mim. Não há ganhos na vida sem sofrimento, aprendemos a nos tornar-nos mais fortes e mais maduros. Quanto à família, a única que tenho tido mais perto de mim tem sido o meu namorado, tendo este feito mais por mim do que eles a vida inteira. A família de sangue, que esperava dignamente que me respeitasse, não o faz. Continuam sempre a culpar os outros por aquilo que acontece, dizerem mal de tudo e todos. Um dia vão acordar para a realidade mas aí será bastante tarde demais. Cada um vê o que quer ver e como quer ver.
Eu, desde pequeno, sempre dei todos os sinais que seria homossexual. Nunca ninguém quis saber disso. Ninguém foi capaz de olhar com olhos de ver, de apoiar e tornar as coisas mais fáceis e descomplicadas, afinal, é apenas gostar de alguém que é do mesmo sexo, não se trata de um bicho-de-sete-cabeças tal como o encararam, o que importa é ser feliz.

Voltando à questão do trabalho, estás desempregado e tem sido o teu companheiro a suportar todas as despesas. Como é que têm conseguido lidar com esta dificuldade?
A situação tem sido complicada. Não tem sido nada fácil para mim ver o meu namorado a ter de suportar todas as despesas e não poder contribuir em praticamente nada. O facto de estar desempregado desde agosto de 2015 e de ter trabalhado apenas três meses num local onde fui explorado não ajuda em nada também. Custa entregar currículos, tentar e tentar, bater no ceguinho e no final nada. Custa-me não ter uma solução imediata para o problema porque seria isso que necessitava. E já cheguei à conclusão que ou consigo um fator “cunha” ou então será complicado entrar no mercado de trabalho.

Por fim, o que dirias às pessoas que estão a conhecer esta tua história e de que forma gostarias que o teu futuro melhorasse a nível profissional?
Sei que um dia vou mostrar a todos que me tornei alguém com família, filhos, trabalho e realização. Aquilo que me fizeram foi tão mau, mas tão mau, que me deixou marcas irreversíveis. Por outro lado, ajudou-me a crescer em pessoa, aprendi a ser mais forte, a perceber que o mais importante não é ter o armário cheio de roupa cara e bens materiais, mas sim amor, carinho, amizade, e coisas que às vezes nos parecem fúteis, aqueles pequenos detalhes mas que fazem a diferença no dia-a-dia de alguém.
Desde pequeno que fui obrigado a cozinhar para poder alimentar-me porque os meus progenitores passavam o tempo quase todo a trabalhar. A paixão foi crescendo e, com o passar do tempo, após muito pensar e da insistência do meu namorado e alguns amigos, decidi criar uma página de facebook - https://www.facebook.com/culimendarte/.
No entanto, até hoje, não tive sucesso algum e aquilo que idealizava ser para ganhar uns trocos de venda de comida não se concretizou. Em parte, dado a viver numa grande cidade e da invasão robótica nas cozinhas. Hoje em dia as pessoas já fazem de tudo em casa.
Quero ter algo meu, o meu ganha pão, uma espécie de salão de chá irreverente onde possa vender os meus produtos caseiros e artesanais mas dado não ter capital próprio torna-se mais complicado conseguir seguir em frente e delinear o projeto. Acho que essa solução, se fosse possível, neste momento seria a mais viável. Caso contrário. resta-me esperar que alguma alma bondosa me consiga integrar em alguma coisa ou ajudar-me no que for possível para poder sentir-me útil, realizado e feliz.


Terminada esta entrevista, resta-me agradecer ao André pelo contacto e por ter partilhado connosco toda a sua história.


Até logo, Diamond!

Obrigada pela visita!
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