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quarta-feira, 15 de novembro de 2017

terça-feira, 14 de novembro de 2017

«Jacaré»: a peça que junta Brasil e Portugal num só palco

terça-feira, novembro 14, 2017 4 Comments
Se pensarmos em subir a uma árvore para fugirmos de um jacaré parece-nos uma situação caricata e impossível. No entanto, na peça de Cláudio Torres Gonzaga, não há situações impossíveis.
Em “Jacaré”, um guia turístico e uma turista ficam presos no cimo de uma árvore quando tentam escapar da perseguição de um jacaré. Depois de muitos momentos tensos e divertidos chegam à conclusão de que só um poderá sair dali com vida. Mas quem?
Os atores são o humorista António Raminhos e a atriz Abbadhia Vieira, que nos vão falar um pouco acerca da peça.




A peça “Jacaré” estreia no próximo dia 16 de Novembro. O que é que nos podem dizer sobre ela?
Abbadhia: Primeiro, é um processo ricamente cultural, porque a peça original é uma peça totalmente em português brasileiro e essa adaptação para o português de Portugal foi muito curiosa, porque havia palavras que nós não conhecíamos. Eu não conhecia algumas expressões aqui de Portugal e o Raminhos não conhecia algumas palavras que estavam no texto, então, foi muito rico nesse aspeto. Depois, embora seja uma comédia, tratamos questões muito delicadas nesta peça como o valor da vida, quando estamos em perigo e quanto vale a vida de um ser humano.
Raminhos: A peça é sobre um guia turístico e uma cliente que, por acaso, enfrentam uma situação normalíssima, que consiste em ficarem os dois presos em cima de uma árvore, porque lá em baixo está um jacaré e eles não conseguem fugir. A peça acaba por ser quase uma luta entre duas pessoas para perceberem como é que eles podem sair os dois com vida dali. Portanto, é uma comédia ligeira que faz muito mais pensar sobre as decisões que temos de tomar na vida.

Pegando um pouco pelo facto de esta peça unir Brasil com Portugal, como é que surgiu a ideia de juntar a Abbadhia e o Raminhos?
Abbadhia: Nós temos em comum o autor e diretor da peça, Cláudio Torres Gonzaga, que, quando soube que eu estava a caminho de Portugal, me indicou o nome do Raminhos. Eu não conhecia o Raminhos e, quando cheguei a Portugal, apresentei-me e nós fizemos a leitura, conversámos e chegámos à conclusão de que era possível realizarmos esta peça aqui em Portugal. E faz parte dos nossos planos levá-la também ao Brasil.
Raminhos: A Abbadhia veio viver cá para Portugal e o Cláudio Gonzaga, há uns tempos, convidou-me. E eu como tenho aquela atração pelo abismo disse-lhe que sim. Ainda nem sequer tinha lido a peça e já estava a dizer “bora, vamos fazer”. Geralmente, eu tenho esta atração pelo abismo de fazer coisas que não estou habituado a fazer nem que seja para poder dizer “olha, pelo menos isto já fiz”.

Mas, geralmente, tem corrido sempre bem...
Raminhos: Sim, mas há sempre uma primeira vez para tudo! O meu maior medo é, obviamente, esquecer-me de falas ou de deixas. Até porque, eu tenho bem presente que a única peça de teatro que eu fiz foi quando andava no sexto ano. Eu fazia muitas peças e, então, há uma em que há uma fala que era de um ator e que passou para mim e eu só tinha de dizer “desde aqui da cidade do Olimpo, só vemos Barcelona” e eu disse “desde aqui da cidade do Olimpo só vemos Bruxelas” (risos).

O Raminhos está, pela primeira vez, a fazer teatro. Como se está a sair? (risos)
Raminhos: É horrível (risos). Horrível mas não é no mau sentido! O processo em si é gratificante, ou seja, estarmos a ensaiar e vermos as coisas a ganhar forma. No entanto, fazer as coisas muito bem e aprender a fazer as coisas, é horrível nesse sentido, porque é muito exigente. E, para além disso, eu continuo na rádio, tenho os espetáculos, tenho os eventos, tenho que ensaiar, tenho que aturar três miúdas em casa... (risos) Portanto, tudo isto faz puxar muito mais. Mas tem sido muito engraçado ver aquilo que no início são palavras em folhas ganhar forma.

E o facto de ser uma peça onde o humor está incluído não acaba por, também, facilitar um pouco as coisas?
Raminhos: Mais ou menos. Já tive peças que são misturas de stand up com teatro, mas aí eu tenho muito mais liberdade para improvisar. Agora, aqui, trata-se de uma peça de teatro escrita por um autor, neste caso, pelo Cláudio Torres Gonzaga, e ao ser uma peça escrita obriga a que esse improviso não possa ser assim tão grande. Eu tenho de dizer as coisas de determinada forma e com uma determinada intenção, o que acaba por não facilitar muito. Basicamente, eu estou cheio de medo (risos).

Para a Abbadhia, é fácil trabalhar com alguém com um sentido de humor tão apurado? Na medida em que a própria Abbadhia também está relacionada ao humor...
Abbadhia: Sim, sim. É um processo onde a cada ensaio a gente acrescenta alguma coisa de distinto que vai colaborar com a peça no sentido do humor. A dificuldade maior é que o Raminhos é uma pessoa acostumada a estar sozinha no palco. Então o processo mais delicado de adaptação foi fazer com que duas pessoas de humor que estão acostumadas com o humor solo, se adaptem agora a uma coisa de dueto e não um monólogo, que é uma coisa mais solo. Esse é o desafio, mas um desafio bom.

O Raminhos está habituado a atuar sozinho e agora tem de dividir o palco com outra pessoa. É complicado fazer essa divisão?
Raminhos: Não. Só é complicado mesmo nessa parte de termos de dar as deixas. Essa parte poderá, eventualmente, ser mais complicada. Mas nós damo-nos bem, criámos uma química engraçada, a Abbadhia é divertida, então, divertimo-nos bastante.

Voltando um pouco atrás, uma das coisas que a Abbadhia mencionou foi exatamente o facto de haver uma união entre Portugal e Brasil e de, no ensaio, haver uma dificuldade com a questão das palavras. Também sentiu essa dificuldade?
Raminhos: Nós temos mais facilidade porque vemos muitas novelas brasileiras, não é? Eu li a peça e falei com o Cláudio e disse que havia muitas coisas para alterar para o português de Portugal, porque não iam fazer sentido ou nós nem sequer usamos essas expressões. E, ao mesmo tempo, é muito engraçado porque às vezes eu estou a falar com a Abbadhia, fora dos ensaios, e parece que estou a falar com as minhas filhas porque de 30 em 30 segundos eu tenho de lhe estar a explicar o que é que lhe estou a querer dizer, porque há palavras que ela não percebe. Claro que eu lhe ensinei todas as asneiras possíveis e imaginárias (risos).

E, em média, quanto tempo demora uma peça destas a ser devidamente preparada e ensaiada?
Abbadhia: Eu cheguei aqui em Abril e estamos a ensair desde Maio/Junho. Tivemos alguns intervalos porque eu viajei, ele tinha as atividades dele mas, efetivamente, a gente está há três/quatro meses se preparando para isso porque, tanto ele quanto eu, temos outras atividades.


Porque é que as pessoas têm de ir ao teatro ver esta peça?
Abbadhia: Eu aposto 100%, no mínimo, pela curiosidade de ver um português e uma brasileira disputando o palco. Mas, para além disso, é uma experiência quase reflexiva porque vai fazer pensar. O cenário é diferente ao que as pessoas estão acostumadas, a situação não é uma situação comum, por isso, é uma experiência quase sensorial. Aí, somamos a estreia do Raminhos no teatro, uma brasileira que está cá há pouco tempo se acostumando com os sotaques, além de ser um espetáculo muito divertido.
Raminhos: Primeiro, porque é uma produção luso-brasileira muito simples e muito divertida. E, para quem gosta de mim ou tenha curiosidade, é a minha estreia no teatro. Espero que possa matar essa curiosidade nem que seja para me ver espalhar ao comprido (risos).



“Jacaré” é o nome da peça do conhecido humorista, Cláudio Torres Gonzaga, e tem estreia marcada para dia 16 de Novembro, no Teatro Armando Cortez, em Lisboa.


Por Cátia Sofia Barbosa in Miraonline.



terça-feira, 12 de setembro de 2017

Opinião: «Porta com Porta»

terça-feira, setembro 12, 2017 3 Comments
Foto de Clube de Fãs Sofia Alves.


Se seguem atentamente o blog sabem que sou apaixonada por teatro. E, sendo assim, sempre que posso não dispenso ir assistir a uma peça. É revitalizante e faz-me um bem à alma que nem imaginam!
No sábado passado, não hesitei em ir assistir à peça Porta com Porta. Assim que vi que ia estar aqui e que ia poder ver, pela primeira vez, a minha atriz favorita em cena fui logo comprar o bilhete! Sou fã do trabalho da Sofia Alves há anos. É a minha atriz portuguesa favorita e é também a mulher mais bonita que Portugal já viu, na minha opinião, é claro. Quando a vi, finalmente, em cena e à minha frente nem queria acreditar. Foi quase um sonho tornado realidade. A atriz não desiludiu e o ser humano também não. No fim do espetáculo -e já no exterior do auditório- não faltou simpatia, sorrisos e muitos abraços a quem por ela passava. E é tão bom ver alguém tão grato e que, acima de tudo, é tão lindo por fora quanto o é por dentro!
Para além da Sofia, claro que também estava bastante ansiosa para ver o desempenho do João de Carvalho. Desde pequenina que o acompanho e é um ator fantástico. E mostrou isso ao longo de toda esta peça. Muito profissionalismo e, acima de tudo, uma paixão incrível naquilo que faz!
Agora que já falei um pouquinho sobre os atores, claro que vos vou falar também da peça em si. Portanto, Porta com Porta é uma comédia escrita por Lázaro Matheus, que estreou em Portugal "nas mãos" da atriz Sofia Alves e do ator João de Carvalho, e cuja direção é de Celso Cleto. Esta peça apresenta-nos Rute, uma mulher independente na casa dos 40 anos que resolve comprar um apartamento num local de prestígio. O que ela não esperava é que viesse a viver porta com porta com o seu ex-marido, Tony. De facto, Tony está longe de ser o vizinho ideal para Rute e a relação de ambos revela-se bastante atribulada. 
No final do espetáculo, saí daquela porta com um novo humor e uma nova alma. É incrível o poder que o teatro pode ter sobre nós. E recomendo vivamente esta peça. Já li diversas opiniões sobre a mesma, mas a minha não podia ser mais positiva. O trabalho do João e da Sofia é incrível, não podendo esquecer-me de todos aqueles que estão por trás da peça e que contribuem para que ela esteja tão bem conseguida. Por isso, e se também são amantes de teatro, não percam esta peça e tirem um bocadinho do vosso tempo para valorizar a cultura e os nossos atores portugueses que são, sem dúvida, um orgulho para o nosso país.


sábado, 26 de agosto de 2017

Culturas diferentes, sentimentos iguais

sábado, agosto 26, 2017 7 Comments

As notícias do último ano mostraram-nos muitos refugiados a atravessar o Mediterrâneo, à procura de alguma esperança na Europa. No entanto, nem todos os acolheram da melhor forma. A questão que se coloca é “porquê?”
A verdade é que, no geral, as pessoas desconfiam do diferente. E isso inclui também culturas diferentes. Não é fácil receber aqueles que nos são desconhecidos e é ainda mais difícil aceitar dividir aquela que é a nossa casa com eles. Falta compaixão. Falta solidariedade. E a prova disso é que, juntos, conseguimos ajudar aqueles que precisam dentro do nosso país. Então porque é que não nos juntamos também para ajudar aqueles que procuram auxílio em nós? Porque temos medo. Temos medo do que não é nosso.
Os refugiados procuraram ajuda junto de nós, é verdade. Mas procuraram, acima de tudo, um bocadinho de esperança. Não será que, ao não termos compaixão por eles, lhes estamos a retirar parte dessa esperança? Afinal, como pode o mundo ser bom se as pessoas só são generosas com aquilo que lhes é próximo e afastam o desconhecido? Não pode. Não pode enquanto não se unir. E, por isso, penso que a melhor arma para resolver este tipo de situações é espalharmos compaixão. Ensinarmos os que nos rodeiam a respeitar as diferenças e a aceitar que pessoas de culturas diferente sentem o mesmo que nós. Sofrem, choram, riem e querem ser felizes. Assim como nós queremos. E se quando estamos num momento de aflição procuramos toda a ajuda possível, porque é que não ajudamos os outros quando eles nos procuram? A máxima do “não faças aos outros o que não queres que te façam a ti” tem de ser aplicada a tudo. E a realidade é que enquanto continuarmos a olhar de lado para o vizinho da frente porque é homossexual ou a desviarmo-nos do novo morador porque é negro, não vamos nunca conseguir aceitar aqueles que vêm de um país completamente diferente do nosso. Afinal, se não aceitamos as pessoas que nos são próximas, como vamos aceitar as que estão distantes?
Por tudo isto e muito mais, penso que o essencial é a união. Dizem que a união faz a força e eu não vejo verdade maior que essa. O planeta Terra é habitado por todos nós, logo, todos devemos dar as mãos como a família que somos. Só assim conseguiremos crescer. Só assim conseguiremos diminuir a maldade existente e trazer um bocadinho mais de luz: com união e sem preconceito.

Publicado em Repórter Sombra


quinta-feira, 8 de junho de 2017

A Cultura e os Jovens

quinta-feira, junho 08, 2017 6 Comments
Sou apaixonada por tudo o que é Cultura desde pequena. A Cultura é das coisas mais bonitas que existem no mundo. No entanto, tenho-me apercebido de que cada vez há menos jovens a apreciá-la.
A verdade é que a geração mais jovem vai cada vez menos ao teatro ou a museus. Isto porque os filmes substituíram o teatro e é cada vez mais fácil aceder a tudo através da internet e das redes sociais. E isto faz com que os jovens não se esforcem para apreciar a Arte. É muito mais cómodo ficar em casa a ver um filme ou em frente a um computador do que ir a um museu. É muito mais fácil estar deitado no sofá a ver séries do que gastar dinheiro para ir assistir uma peça de teatro. Na verdade, penso que isto só acontece porque a maior parte dos jovens já não sabe apreciar uma boa peça de teatro, porque nem sequer perde tempo a tentar encontrar a beleza disso. As tecnologias, a internet e todas as rede sociais que emergiram nos últimos tempos roubam-lhes toda a atenção. E fazem-no ao ponto de eles não verem fora da caixa. Deste ponto de vista, como vamos levar os mais jovens a teatros ou a museus?
A resposta não é assim tão simples. Mas o importante é não desistir. É importante trazer a Cultura e a Arte de volta ao dia a dia da juventude. Penso que as instituições poderiam começar por apelar à geração mais adulta para que estes tomassem a iniciativa de levar os seus filhos ao teatro mais frequentemente. E, quem sabe, entrar em contacto com escolas e apelar a visitas de estudo em contexto de aulas para o público juvenil se “habituar” a visitar esses sítios.

Penso que o ponto de partida para levar a geração mais jovem a teatros ou a museus por vontade própria é apelar, em primeiro lugar, à geração mais adulta. A forma como ensinamos a geração posterior à nossa a lidar com a vida e com o ambiente que a rodeia é a coisa mais importante. E uma geração que incentive a visitar lugares históricos e culturais pode cultivar o gosto de continuar a visitar esses mesmo locais por parte da geração seguinte.




Publicado em Repórter Sombra.




Até logo, Diamond!

Obrigada pela visita!
Volta Sempre :)