quarta-feira, 15 de janeiro de 2020

A felicidade tem asas

quarta-feira, janeiro 15, 2020 5 Comments



Já todos quisemos voar. Abrir asas e ir além dos nossos limites. Conhecer novos lugares, contemplar a beleza dos oceanos e sentir o que é ser livre. Livre de ter os pés assentes na terra e de estar limitado ao que as nossas capacidades nos deixam fazer.

Também eu já quis voar. Sentir de perto o céu azul e tocar as nuvens. Na impossibilidade de o fazer, acredito que a felicidade é o que temos mais próximo dessa sensação de voo. A bem dizer, a felicidade é a única que nos levanta os pés do chão e nos faz flutuar. A única que nos faz viajar por lugares que nunca conhecemos e que nos permite ser o que quisermos, quando quisermos. A felicidade faz-nos sonhar e o bom dos sonhos é que não têm limites: podemos ser e fazer tudo o que ambicionamos.

Creio que é por isso que todos desejamos ser felizes: porque a felicidade nos deixa sonhar. E se “o sonho comanda a vida”, quando somos felizes somos mais capazes, mais lutadores, mais conscientes e, sobretudo, mais vividos. Felicidade puxa felicidade num ambiente cíclico que só para quando as nossas asas se despenharem do céu em que vivemos ou baterem contra uma nuvem que nos atire ao chão.

Muitas vezes, quando alguém refere que o que mais ambiciona na vida é ser feliz, isto é visto como um cliché. A questão é “porquê?”. Afinal, quando, todos os dias, acordamos ao som de um alarme que odiamos, não é isso que nos motiva a sair da cama e enfrentar chuvas, trovões e trânsitos infernais? A busca por uma vida feliz não é nada mais nada menos do que viver. Só quem é, realmente, feliz e/ou procura essa felicidade sabe o que é viver.
Sim. É possível voarmos sem ter asas. É possível olhar o mundo de cima e apreciar o que de mais belo ele tem. Basta estarmos cientes de que a felicidade tem asas e faz de nós aquilo que nós quisermos. É só acreditar. Tudo se resume a isso.

Publicado em Repórter Sombra

terça-feira, 17 de dezembro de 2019

Heartbreakers: «Não existe um tempo certo para fazermos aquilo que mais gostamos e nos preenche a alma»

terça-feira, dezembro 17, 2019 3 Comments

Rui e Marcos Nogueira são irmãos e dão vida à dupla “Heartbreakers”. A paixão pela música está-lhes no sangue e, segundo afirmam, este gosto incentivou-os a trabalhar todos os dias até chegar à “sonoridade perfeita”. O percurso começou cedo e, pelo caminho, registaram-se passagens por alguns concursos televisivos, sendo o último o The Voice Portugal, em 2015.
Quatro anos depois, a dupla lança o seu primeiro single. “Hora” apresenta uma reflexão sobre o percurso dos dois irmãos ao longo dos últimos anos, mencionando dificuldades, alegrias e momentos importantes para que, hoje, o sonho esteja a realizar-se.



Há dois anos falávamos após a vossa participação no The Voice Portugal. Hoje falamos porque o vosso trabalho deu frutos. Chegou, finalmente, a vossa “Hora”?

Este nosso tema "Hora" surge num momento de viragem das nossas vidas. Se ouvirem com atenção a letra e virem todas as cenas retratadas no videoclip, rapidamente se percebe que estamos a descrever todo este caminho que percorremos até chegar a esta nossa "Hora”. Isto passando pelos nossos momentos de infância, onde sonhámos com tudo isto que, hoje, estamos a viver, alguns momentos também de  "desconexão"... E, já no final, o realizar de um sonho: poder, então, apresentar este nosso trabalho a todos aqueles que sempre nos apoiaram e estiveram lá à espera deste momento, terminando o vídeo seguindo esta nossa "estrada" juntos!

Porque é que demorou tanto tempo?
Acreditamos que, na vida, tudo tem o seu momento certo para acontecer e, neste primeiro trabalho, não quisemos colocar nenhum tipo de pressão com datas e deadlines. É verdade que surgiram alguns altos e baixos durante esta nossa caminhada, o que levou a que demorasse algum tempo até ao lançamento deste trabalho, mas tudo fez parte. Fomos trabalhando todos os dias até chegar à sonoridade perfeita, até termos aquilo que sempre imaginamos pois, no final de contas, iria ser o nosso primeiro single, aquele que nos acompanhará ao longo da nossa carreira.

Acreditam que a vossa participação em vários programas de música ao longo dos últimos anos contribuiu para o que estão a alcançar atualmente?
Sem dúvida nenhuma que os programas pelos quais passamos fizeram-nos crescer muito enquanto artistas. Isto para não falar nas amizades e conhecimentos que fizemos no meio artístico, que nos proporcionaram a oportunidade de trabalharmos nos nossos temas e no lançamento do nosso primeiro original.

Como referiram, este single aborda o misto de emoções que vocês viveram até alcançar o vosso sonho. Acreditam que o público português está pronto para receber os Heartbreakers após tantos anos de espera?
Para nós, este momento significa não apenas um objetivo cumprido, mas um sentido de realização pessoal por todo o trabalho, dedicação e dificuldades que tivemos de enfrentar para chegar a este resultado final. À medida que os dias foram passando, rapidamente percebemos que o nosso sonho não tinha sido alcançado apenas por lançarmos o nosso primeiro single, mas por todo o apoio e mensagens que temos vindo a receber. Esse sim, é o sonho de qualquer artista: sentir-se apoiado por aqueles que o acompanham e se orgulham do resultado final.

Existe um tempo certo para vingar na área da música?
Não existe um tempo certo para fazermos aquilo que mais gostamos e nos preenche a alma. O mais importante é sentirmo-nos realizados e com a certeza de que conseguimos fazer chegar a mensagem a quem está do outro lado a ouvir-nos.



Como tem sido a recetividade por parte do público?

Não podíamos estar mais felizes com o feedback que temos recebido por parte do público. Tem sido fantástico todas as mensagens de carinho que temos recebido, todo o apoio e saber o quanto as pessoas estavam ansiosas por ouvir o nosso primeiro trabalho.
Mais gratificante ainda é saber que as pessoas querem mais e estão ansiosas pelo próximo lançamento.

Em 2017, diziam-nos que, aquando da vossa participação no Factor X, ficaram conhecidos como os “segundos Anjos”. Após o lançamento deste single, que referências musicais poderemos encontrar nos próximos originais?
A nível de referências musicais, temos sempre a preferência de referir a boa música e os excelentes artistas que temos cá em Portugal. Identificamo-nos muito com os Anjos não só pela qualidade e sucesso que têm vindo a demonstrar ao longo dos anos, mas, acima de tudo, pela cumplicidade que demonstram ao estar juntos nos seus projetos como irmãos. Tal como deles, também gostamos muito dos Calema pela sua história de vida e por mostrarem que, com trabalho e humildade, o reconhecimento e o sucesso acabam por aparecer. E, por último, a nossa grande referência, que dispensa apresentações, é o Diogo Piçarra. Além de um grande músico, é um grande ser humano. Todos estes artistas que referimos, por coincidência ou não, fizeram parte desta nossa “Hora” ao enviarem-nos vídeos de apoio.
  
Como se dá o processo de construção musical entre ambos?
Este processo, na verdade, é bastante simples, pois tudo se dá de uma forma bastante natural. Normalmente, começamos por escrever ideias soltas sobre determinado tema, depois juntamo-nos e tentamos adicionar a melodia que se enquadre melhor. Como temos os mesmos gostos no que diz respeito a sonoridades, acabamos por concordar facilmente com o resultado final.

Já estão a apostar em novos temas originais?
Claro! O público não para de nos pedir novos temas e nós estamos ansiosos por mostrar. Com o lançamento deste tema colocaram-nos a fasquia muito elevada e vamos fazer os possíveis para mantê-la assim com o que aí vem.

Para quando o lançamento de um disco?
Neste momento, esse não é o nosso principal foco. Estamos concentrados em trabalhar tema a tema para dar a conhecer o nosso projeto ao público. Deste modo, conseguimos ter um feedback mais pormenorizado do público sobre o trabalho que temos vindo a fazer.

Portanto, pretendem continuar a partir corações por Portugal fora...
Costuma-se dizer que o sonho comanda a vida. O lançamento deste nosso primeiro trabalho é a prova de que não basta só sonhar, é preciso ir à luta e, acima de tudo, nunca desistir. É com esse mesmo pensamento que esperamos, um dia, poder ser profissionais da música, fazendo aquilo que mais gostamos. E é com esse mesmo público português (e não só) que queremos poder continuar a contar. O apoio tem sido incrível e faremos tudo para que os Heartbreakers possam pisar os grandes palcos do nosso país. 

Publicado em Jornal MiraOnline


sexta-feira, 22 de novembro de 2019

O eco do pensamento

sexta-feira, novembro 22, 2019 1 Comments



Viver em sociedade é, obviamente, partilhar a vida. Há uma série de características que todos temos em comum porque nos são inatas. O facto de pensarmos é uma delas. É inevitável pensar mesmo que, por vezes, não queiramos. O pensamento faz parte de nós como um braço ou um pé.
Descartes defende que o pensamento é sinónimo de existência. Se eu “penso, logo existo” é inegável que refletir é inato ao ser humano. Não há forma de impedir que isso aconteça no nosso cérebro... ou de bloquear pensamentos. E é uma tão grande verdade que já todos tivemos aquele momento em que gostávamos de carregar num botão e desligar o nosso cérebro para impedir que certos pensamentos nos invadissem; ou nos tirassem o sono; ou nos trouxessem para a realidade.

Há quem afirme que pensar faz mal. Mas quando? Quando os pensamentos ecoam na nossa mente nos limitam. Quando nos fazem sentir mal. Quando nos tentam dizer que não vale a pena ir em frente e nos travam. Quando, acima de tudo, nós deixamos que eles nos parem. Quando lhes damos ouvidos em circunstâncias em que eles não nos dizem nada de positivo. Quando decidimos ficar sozinhos com eles. Sem mais nada ou ninguém. É aí que pensar faz mal.

Se Descartes afirmava que para existir temos de pensar é incrível concluir que, por vezes, são os pensamentos que impedem a nossa existência. Há dias, meses e anos em que eles ecoam na nossa mente e não querem sair sussurrando palavras mórbidas que nos fazem acreditar que não somos suficientes, que o amanhã pode não ser o que queremos que seja e que a positividade não existe. É nestas alturas que o botão desligar seria a solução ideal. No entanto, na falta dele, basta contrariá-los. Como contrariamos o nosso pai ou a nossa mãe quando não queremos arrumar o quarto.

Afirmarmo-nos perante os nossos pensamentos é devolvermo-nos à nossa existência. Ter controlo sobre nós. Ouvir mil e uma vezes aquele eco e saber definir qual é o que nos vai ajudar e, pelo contrário, qual nos vai destruir. Quando conseguirmos lidar com os nossos pensamentos e aniquilar os que nos fazem mal, aí sim, existiremos. E, nessa altura, existir será o ponto de partida para tudo o resto.

Publicado em Repórter Sombra

segunda-feira, 28 de outubro de 2019

Dar valor

segunda-feira, outubro 28, 2019 5 Comments


Dar valor. Na vida, tudo se resume a isto. Dar valor à família, a um amigo, ao amor que nos enche a alma ou, simplesmente, a momentos. Valorizar cada instante que temos nesta aventura que, um dia, terminará. E nenhum de nós quer partir com um sentimento de culpa por não ter estado quando devia estar ou não ter aproveitado quando a oportunidade surgiu.

Aos 24 anos, uma das frases que mais ouvi ao longo desta minha passagem pela vida foi “só damos valor quando perdemos”. Ouvi este quase provérbio na infância, na pré-adolescência, na dita adolescência e, agora, na fase adulta. Ouvi-a da boca de jovens, de adultos e de idosos. De pessoas com e sem instrução. De empregados e desempregados. No fundo, de toda a gente. Já toda a gente, em algum momento, disse ou ouviu esta tão conhecida frase.

Cresci habituada a refletir sobre o que me rodeia e, ao longo destes anos, tenho pensado sobre este “damos valor quando perdemos”. Quando criança, - como qualquer criança que diz tudo o que pensa -, afirmava “se as pessoas sabem que só dão valor quando perdem, porque se deixam perder para dar valor?”. E aquela frase que, dita por uma menina, parecia confusa, hoje, aos 24 anos, parece-me fazer todo o sentido. Porque é que todos proferimos esta frase mas raramente fazemos alguma coisa para a mudar?

Certo é que o primeiro passo para alterarmos alguma coisa está em identificarmos a origem do problema. Ora, a origem do problema aqui já está identificada. É dedicarmos pouco tempo ao outro. Acreditarmos que cada um de nós tem a sua vida. Quando, na verdade, dependemos todos uns dos outros. Dependemos de abraços, de sorrisos, de noites passadas à lareira a contar histórias e de palavras que nos caem no ouvido e nos emocionam quando ditas pelos que amamos. Mas pouco fazemos para saborear cada um destes momentos.

Percebemos que esta é a origem do problema quando, ao questionarem-nos sobre “e se hoje fosse o teu último dia de vida?”, respondemos sempre da mesma forma: diria que amo a quem amo, abraçaria quem sempre quis abraçar, pediria desculpas aos que magoei. O que não nos passa pela cabeça é que, no segundo a seguir a respondermos a esta pergunta, podemos realmente partir para outro sítio. Um sítio que não sabemos se existe. E não fazemos nada do que gostaríamos de fazer “se este fosse o nosso último dia de vida”.

Sabendo de tudo isto porque é que, durante 24 anos, ouvi sempre a mesma história? Porque é que continuamos a precisar de perder para valorizar o que quer que seja? Provavelmente porque somos todos egoístas. Porque sabemos como isto pode terminar mas preferimos acreditar que não. Porque teimamos em enganar-nos a nós próprios acreditando que há sempre tempo. Que podemos abraçar amanhã, encontrar aquele sorriso um dia destes, contar histórias à lareira no inverno seguinte e ouvir o que os que nos amam têm para nos dizer quando tivermos um minuto livre na nossa agenda preenchida por tudo e por nada ao mesmo tempo.

Mas a novidade que não é novidade alguma é: não há tempo. Enquanto escrevo este texto, há filhos a perder os pais. Pais a perder os filhos. Avós a partirem sem verem os netos há meses ou até anos. Mas a culpa é de tudo menos do tempo. O tempo corre sem que se possa controlar. Todavia, nós decidimos o que fazemos com ele. Talvez a nossa falta de tempo está em insistirmos que temos tempo a mais para pensar, dizer e mostrar. Até ao dia em que, na verdade, o tempo acaba. A vida ensina e talvez o maior ensinamento que ela nos dá seja aquele a que, curiosamente, damos menos valor: valorizar antes de perder.


Publicado em Repórter Sombra

segunda-feira, 22 de julho de 2019

Sérgio Godinho: «Para que este fevereiro dure para sempre, basta que os leitores não o esqueçam»

segunda-feira, julho 22, 2019 8 Comments

Sérgio Godinho é um apaixonado pela literatura. Nascido em Figueiró dos Vinhos, foi esta a localidade que despertou o seu interesse pelas palavras e que, em 2010, lhe deu o primeiro lugar no concurso de escrita “A minha melhor história em inglês”.
Ao 19 anos, iniciou o curso de psicologia, na Universidade do Minho (UM), em Braga. Curso que serviu de inspiração à criação do novo livro Vita Apparatus –um romance sobre a luta da mente humana, que conta a história de um personagem que decide ativar um clone seu, anteriormente adormecido na máquina da vida.
“O romance sobre fevereiro que durará para sempre” é da autoria de Sérgio Godinho que, gentilmente, contou tudo ao Repórter Sombra sobre o nascimento deste livro. 


Sérgio, o que pode fazer este fevereiro durar para sempre?
Uma estória passa a pertencer ao público assim que é editada. Por isso, para que este fevereiro dure para sempre, basta que os leitores não o esqueçam. Que espalhem a palavra.

Em que é que se baseia esta máquina da vida de que fala no seu livro?
Se o que estás a escrever não tem a mínima hipótese de se tornar o melhor que já escreveste, recomeça. Creio que é esse o meu lema. Quando comecei Vita Apparatus queria criar a melhor obra que já tinha escrito até então. Não sei se o atingi. Eu penso que sim, caso contrário nunca o teria editado. A Máquina da Vida foi o ponto de partida. A vida a nascer por vontade do Homem. De súbito, uma figura divina entre mortais. Pareceu-me um bom ponto de partida.

O Sérgio tem 26 anos. Se pensamos que ainda é jovem, ficamos ainda mais surpresos quando percebemos que, aos 17 anos, venceu um concurso de escrita. Quando e como surgiu este gosto por transpor histórias para o papel?
A arte não deve ser uma competição. Livros não devem ser escritos para ganhar prémios. Estórias que nascem para satisfazer júris não têm outro propósito.
Comecei a escrever estórias quando tinha 15 anos. Fi-lo de uma forma descomprometida. Era apenas um jovem a fazer algo que gostava. Nunca pensei em editar. Alguns jovens formam bandas. Outros gostam de experiências científicas. Eu gostava de escrever estórias.

Há muitos escritores que dizem que escrevem mais por necessidade do que por vontade. É o seu caso?
A minha vida é simples: se não estou a escrever, estou a pensar em escrever.
Penso que um escritor deve ser como um maestro. Tudo o que é escrito deve estar preparado para causar uma reação no público. Fazer parte de um todo. É isso que me fascina na escrita: o poder das letras. Se consigo imaginar uma vida sem escrita? Consigo. Também consigo imaginar um mar sem qualquer peixe. Ambos os cenários são igualmente terríveis.

E prefere escrever mais sobre si ou sobre aquilo que o rodeia?
Gosto de escrever sobre o que ainda ninguém viu. “Ficção especulativa” é como Margaret Atwood lhe chama. Creio não existir nome melhor. Sou um eterno fascinado pelo “e se…”.


Apesar deste gosto pela escrita, estudou psicologia, o que é curioso tendo em conta que este seu livro explora a mente humana. A psicologia foi uma ajuda para o escrever?
A psicologia foi a origem. Sem a minha formação académica, este livro nunca existiria. Conhecer um pouco melhor os caminhos da mente humana é uma ajuda para a escrita. Sempre que falo da minha formação académica com amigos, faço questão de referir que psicologia é o curso perfeito para quem quer escrever. Todas as estórias têm algo vital em comum: pessoas.

Acredita que o sítio onde crescemos influencia o nosso modo de ver a vida?
O local onde crescemos e as experiências que vivemos moldam a nossa forma de ver o mundo. Não é uma opinião. É um facto. Tento ter isso em conta quando construo personagens. Se uma personagem tem alguma opinião forte sobre algo, essa conceção deverá ter raízes fortes. Ou seja, para construir personagens multidimensionais, temos que construir um passado forte. Sem isso, não há presente que lhe valha.

É difícil ser-se um autor independente em Portugal? Porquê?
Ser um autor independente em Portugal é uma loucura. Não tem outro nome. Não dá dinheiro. Não dá reconhecimento. Poucas pessoas compram livros. Menos ainda são os que os lêem. Alguns dizem que leram, mas não o fizeram. Grande parte dos leitores critica o nome do personagem, a casa onde vivem e até as flores que metemos no quintal. E, enquanto isso acontece, os escritores independentes preferem acotovelar-se uns aos outros, na tentativa de chegar a um cume literário imaginário, ignorando que somos a salvação uns dos outros. Em Portugal, pelo menos, somos todos loucos. Queremos viver das letras num país que não gosta do seu sabor.

O que o levou a optar por esse caminho?
A receita para criar um escritor independente em Portugal é fácil de decorar. Basta pegar num sonhador, tirar-lhe o bom senso e colocar-lhe um computador à frente.

Se pudesse ativar um clone seu para lidar com uma parte da sua vida, para onde o encaminharia?
Eu nunca o ativaria.


Publicado em Repórter Sombra

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