terça-feira, 17 de julho de 2018

Mentir é a forma mais fácil de fugir à verdade

terça-feira, julho 17, 2018 1 Comments


Todos mentimos. E quem diz que nunca mentiu está, por si só, a mentir. A mentira faz parte de nós como as lágrimas ou os sorrisos. É algo que nem sempre conseguimos controlar ou explicar.
Uns mais, outros menos. Uns não conseguem controlar, chegando mesmo a desenvolver uma doença. Outros fazem-no porque se sentem melhor. E há ainda quem minta por achar que é a única opção. A mentira está no nosso ADN. Não há como negar que já recorremos à mentira em alguns momentos das nossas vidas. Mentimos aos nossos pais, aos nossos amigos e, o que nem sempre damos conta, mentimos a nós mesmos. Este último ponto é, em parte, aquele sobre o qual menos refletimos.
Já todos ouvimos a célebre frase “todos os adolescentes mentem aos pais de vez em quando”, seguida de um “eu sei porque já tive a tua idade”. Verdade. Já todos o fizemos ou porque sabíamos que os nossos pais não iam concordar com a verdade ou porque acreditámos que mentir seria a única forma de os proteger. No entanto, são poucas as pessoas que admitem que já mentiram a si mesmas. Mas a verdade é que isso também é uma realidade comum a todos nós. E se alguém a nega, então, ainda não se apercebeu disso.
Refletir sobre a mentira é examiná-la atingindo o nosso íntimo. Porque mentimos? O que é, de facto, a mentira? Acredito que não é nada mais nada menos do que a fuga à verdade. Muitos poderão dizer “Claro! A mentira é o oposto da verdade” mas, no fundo, isso não implicaria que o nosso propósito fosse fugir a essa mesma verdade. Mas é. Nós é que nem sempre percebemos e é aí que entra a importância de percebermos porque é que mentimos a nós mesmos. Se o entendermos, concluímos que a mentira é usada para fugir à verdade. Mentimos quando dizemos que estamos bem, porque queremos acreditar que estamos bem. Mentimos quando dizemos que já vimos todas as séries que o nosso namorado viu, porque queremos acreditar que ter coisas em comum faz com que tudo funcione. Mentimos quando dizemos que não se passa nada, porque queremos esquecer que se passa alguma coisa.
No fundo, a mentira é um escape. É uma forma de fugirmos à verdade que nos dói ou que vai doer se dissermos à pessoa a quem estamos a mentir. É vista como uma coisa negativa mas, na realidade, é muitas vezes utilizada como um escudo protetor. No entanto, e apesar de estar na nossa genética, não deve nunca ser a solução, por mais que nos proteja ou a quem amamos. Só vai parar de doer quando admitirmos que dói. Só vamos ficar bem quando admitirmos que estamos mal. A relação só vai funcionar quando admitirmos que nunca vimos aquela série mas que a queremos ver, lado a lado com a pessoa amada.
A honestidade é a chave para tudo. E, por vezes, mentir afirmando que está tudo bem e ver o outro acreditar sem fazer perguntas corrompe ainda mais o nosso íntimo. Às vezes, a melhor solução é chorar, dizer a verdade e acreditar que um abraço vai surgir como fruto da sinceridade. Dizer a verdade, significa resolver. Mentir é apenas adiar. Cabe-nos a nós decidir se queremos seguir em frente ou ficarmos no mesmo lugar.


Publicado em Repórter Sombra.

domingo, 15 de julho de 2018

Não tem de doer

domingo, julho 15, 2018 2 Comments
D.R.

Um dia destes disseram que me amavam. Uma coisa tão sincera e forte. Nunca fui boa a lidar com isso. Sempre fui melhor a amar do que a ser amada e o medo de "fazer asneira" apoderou-se de mim. Não queria ser o que já foram comigo. Não queria magoar. Não queria fazer doer. Queria ser a pessoa que não consegue retribuir mas que está lá. Que entende. Que apoia. Que ouve e se preocupa. 

Durante quase três anos, também amei alguém. Um amor diferente de todos os outros. Daqueles que te tira o ar e que não te deixa dormir à noite. Desta forma, quando alguém me disse que me amava, lembrei-me dessa fase da minha vida. Inspirei-me na pessoa que amei e no que ela foi para mim... diferente de todos os outros. O único amor que não doeu. O único que, ao invés de me fazer sentir pequenina, me engrandeceu. Um amor que, apesar de não ser correspondido, me ensinou que não precisa de o ser para ser mágico.
Esse amor foi o amor que eu quis ser para aquele que, infelizmente, não pude corresponder. Afinal, ninguém pode obrigar ninguém a amar. Mas não retribuir um sentimento não implica deixarmos o outro completamente no vazio. Isso é feio e triste. Quando alguém diz que me ama é o maior elogio que me pode fazer, por isso, eu não vou embora. Não me afasto. Não magoo. Porque raio é que vou partir o coração a alguém que me elogia dessa forma? Dizer que te amam é o mesmo que dizer que existes. Que importas. Que ocupas um espaço importante na vida desse alguém. E isso é tão bonito que nunca entendi porque é que tem de doer. Até conhecer alguém que me mostrou o contrário. 
Só dói se tu deixares. Não podes forçar-te a retribuir uma coisa que não sentes, mas podes estar lá. Podes perguntar "o que é que queres que eu faça? Diz e eu faço". Podes escolher aprender a lidar com isso ao invés de fugir a sete pés. Foi o que me fizeram e, por isso, durante 3 anos, não doeu. Porque a pessoa que eu amava soube tomar conta de mim. Soube ensinar-me a ver a vida de outra forma. Soube mostrar-me que eu sou especial de qualquer das formas. Fez-me sentir única, especial. Soube agradecer-me pelo facto de estar lá todos os dias. E isso, por si só, já é um gesto de amor. É compreensão. É ser-se adulto e é saber reconhecer que amar faz parte da vida e só um covarde magoa quem diz que o ama. E eu tive a sorte de, por uma vez na vida, me ter apaixonado por alguém que não era covarde. Que não foi embora e que escolheu ficar até hoje.
Por isso, não. O amor não tem de doer. Podes perfeitamente amar alguém que faz com que doa o menos possível. Alguém que te faça sentir orgulho em amar essa pessoa. "Eu amo-o, mas ele merece". É tão bom sentir isso. Mau é quando amas alguém que não merece. Que te trata como se o amares fosse errado. Nesse caso, vai embora e escolhe amar alguém que, mesmo não conseguindo amar-te de volta, cuida de ti e diz "eu estou aqui".
É esse o tipo de pessoa que eu quero ser. Aquela que cuida e não vai embora. Aquela que dá carinho ao invés de desprezar quem dá tudo por si.


quarta-feira, 4 de julho de 2018

Perda ou afirmação da identidade?

quarta-feira, julho 04, 2018 4 Comments
D.R.

A internet veio mudar por completo o paradigma da comunicação. Há quem diga que mudou para melhor e há quem acredite que mudou para pior. Vantagens e desvantagens há em tudo. No entanto, é verdade que as proporções que a internet atingiu ao longo dos anos afetaram a nossa identidade e a forma como nos comunicamos aos outros.

A realidade é que, quando navegamos, podemos assumir qualquer identidade. O facto de nos comunicarmos com qualquer pessoa, de qualquer canto do mundo, faz com que, muitas vezes, não nos mostremos como realmente somos. Perdemos a nossa verdadeira identidade e, por vezes, sentimo-nos num vazio. Em casos extremos, acreditamos que somos mesmo aquela identidade que assumimos e esquecemo-nos do que somos realmente.
A noção de identidade na era digital veio fazer-nos acreditar que podemos ser tudo o que quisermos. Trouxe a possibilidade de manipularmos o outros mas, sobretudo, a nós próprios. Na internet podemos assumir uma vida que não temos. Podemos comunicar o que não somos, mas gostaríamos de ser. E esse poder é tão forte que chegamos a acreditar que temos uma identidade que, na realidade, não temos. E isso leva-nos a cometer erros. Devaneios. Injustiças.
No fundo, todos sabemos que isto é como um jogo. Todos somos aquilo que não somos. Todos temos a vida perfeita e fazemos as escolhas certas. Mas, no nosso íntimo, todos sabemos que não passa de uma falsa identidade. Porque, fora da internet, todos temos problemas. Os sorrisos dissolvem-se e dão lugar às lágrimas. Não nos conhecemos e, muito menos, conhecemos o outro. Temos inseguranças e uma identidade própria que, muitas vezes, não queremos aceitar por acreditarmos nas identidades que nos são exibidas através de um perfil do facebook ou de outra página qualquer. Mas, no fundo, sabemos que essas identidades são tão falsas quanto a nossa. Afinal, nós só mostramos o que queremos mostrar. E, na maior parte das vezes, mostramos apenas o melhor escondendo o lado mais obscuro e sombrio.
A internet é um poço de possibilidades, sim. Permite-nos uma liberdade de circulação incrível e, acima de tudo, rapidez. Permite-nos contactar com quem está longe de nós e nós sentimos saudade. Essa é uma das vantagens. Mas a forma como altera a nossa identidade pode ser uma das maiores desvantagens. Nem sempre somos nós. Nem sempre somos fiéis a nós próprios. Nem sempre nos protegemos como deveríamos. Na grande maioria do tempo, usamos a internet para afirmar a nossa identidade, mas acabamos por perdê-la ainda mais rapidamente.

Publicado em: Repórter Sombra.

segunda-feira, 2 de julho de 2018

One Last Goodbye a... Once Upon a Time

segunda-feira, julho 02, 2018 9 Comments
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D.R.


Quem me conhece e/ou acompanha, sabe que sou viciada em séries. Desde que me tornei uma espetadora assídua, já disse adeus a The Vampire Diaries, Teen Wolf e Pretty Little Liars. Em todas elas dei o meu parecer aqui no blog e, neste caso, não vai haver excepção.
Once Upon a Time foi a segunda série que comecei a seguir. Sempre acreditei em magia. Mesmo quando havia pessoas desagradáveis que me diziam como se fazia cada truque mágico. Mesmo sabendo todo aquele mecanismo, continuei a acreditar. Porque, para mim, tudo nesta vida é mágico. A própria vida é feita de magia. Os sentimentos são mágicos. A forma como nos relacionamos uns com os outros é mágica. A natureza, as diferenças que temos uns para com os outros, a música, a Arte... Tudo isso é feito de magia. Atrevo-me mesmo a dizer que, no fundo, a magia está em nós. Somos todos feitos de magia. A questão é que há os que acreditam nela e são felizes. E, depois, há os que não acreditam. Eu sempre acreditei e, por isso, sempre gostei de ver séries onde ela estivesse presente de qualquer forma. Neste caso, ela está presente a vários níveis. 
Em Once Upon a Time, a magia que vemos à primeira vista é aquela que produz feitiços, que usa pós mágicos, que ressuscita mortos ou que faz desaparecer coisas e pessoas. No entanto, há mais magia para além dessa e penso que, o último episódio da série, deixou isso bem claro. O que mais gostei no término desta série foi mesmo o facto de ter mostrado que a magia mais importante ao longo de cada temporada foi a magia produzida pelo amor. Não importam as maldições, os feitiços, os pós mágicos ou os estalar de dedos... Importa o amor. O amor sob várias formas: entre homem e mulher, pela família, pelos amigos ou, simplesmente, pela vida. E é nessa magia que eu acredito. Acredito que o amor é a coisa mais mágica que existe, e também a mais importante. E é o amor a base de tudo nesta série. O amor que está presente desde o primeiro episódio até ao último.
Gostei bastante da forma como a série terminou: com alguns reaparecimentos de personagens, com o perdão por aqueles que eram vistos como vilões no início da série e muito mais. Isto porque perdoar alguém que antes nos fez mal, é a maior prova de amor que podemos dar. O reaparecimento de algumas personagens mostrou que o amor existe sempre, mesmo que quem amamos não esteja presente fisicamente.
Foi um prazer poder acompanhar esta série pela lição de vida que nos dá. Os bens materiais não importam, não importa onde estamos ou onde vamos. Importa, sim, o que está dentro de nós. Esse é o nosso tesouro mais valioso. 
A par disto, resta-me comentar a excelente escolha dos atores. Os papéis foram incrivelmente bem atribuídos e, imparcialidades aparte, não posso deixar de referir que me apaixonei particularmente pela Lana Parrilla. Uma atriz incrível que deu vida a uma rainha má e a uma Regina fabulosa. Pôs todo o corpo e alma naquela personagem e fez com que ela fosse a minha favorita de toda esta série. No fim, ficam as saudades. E a certeza de que a magia existe enquanto acreditarmos nela.


Acompanharam esta série? O que acharam do final? Qual a vossa personagem favorita?

sábado, 30 de junho de 2018

O poder de observar os outros

sábado, junho 30, 2018 4 Comments

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D.R.

Quando era pequena, dizia que queria ser médica para poder ajudar as pessoas. Desde o momento em que aprendi a falar, comecei logo a ser arrebatada com a pergunta "então, minha menina, o que queres ser quando fores grande?". Nos primeiros anos, respondia que queria ser mãe. Depois, percebi que queria ter outra profissão para além dessa. Então comecei a responder que queria ter uma profissão que ajudasse as outras pessoas e toda a gente, sem excepção, me falava da medicina. "Como queres tanto ser mãe e tens esse gosto tão grande por crianças, podes seguir pediatria".

Durante anos acreditei que podia ser médica. Mesmo quando passava as tardes inteiras em frente a um espelho com um microfone de plástico. Anos mais tarde, percebi que não são as profissões que ajudam as pessoas. Somos nós. Não podemos querer mudar o mundo num estalar de dedos, mas podemos ser o suficiente para mudar o mundo de alguém. Durante anos a fio, senti-me sozinha. Completamente deslocada do resto do mundo. Achava que a minha personalidade não se encaixava. E se os outros não conseguiam chegar até mim, a culpa só podia ser minha. Precisei de um abraço que nunca chegou. Precisei de uma palavra de conforto. Precisei que alguém puxasse a corda mas, na maior parte do tempo, achava que não havia sequer alguém para a segurar. Foi aí que percebi que não são as profissões que ajudam os outros. Somos nós e o nosso olhar sobre eles que, na maior parte das vezes, é inexistente. Só olhamos, nunca vemos. Nunca vemos os pedidos de ajuda discretos ou o olhar lacrimejante. Perguntamos mais vezes um "estás bem?" à pessoa que está conosco todos os dias do que àquele amigo que não vemos há semanas e que pode, de facto, estar sozinho no outro lado do mundo. Só nos preocupamos com o que está mesmo à nossa frente e esquecemo-nos que há mais para além disso. 
Na falta de um abraço ou de uma palavra de conforto, eu escrevia. Escrevia sobre o que sentia, sobre o que queria que mudasse no mundo, sobre o que via, sobre tudo... Anos depois, o microfone de plástico ganhou vida e transformou-se em metal. Escolhi uma profissão que me permitisse ajudar o outro com palavras e com a minha voz. As duas coisas que estiveram comigo nos anos mais duros e que nunca me abandonaram. Aprendi a aperfeiçoar a escrita e a voz para me poder ajudar a mim e aos outros. Não trouxe a minha profissão até mim por ser a mais digna ou a mais incrível. Trouxe-a porque ela sou eu. E eu quero ser eu até ao final da minha vida. Quero observar, ouvir e transmitir histórias. 
Desde que o fiz, a minha vida mudou. Às vezes, as pessoas perguntam-me como é que eu consigo perceber o que vai dentro dos outros sem sequer lhes perguntar. Acham-me louca quando digo que analiso todos os comportamentos de toda a gente que se cruza comigo. Parece psicopata para quem não está habituado a olhar pelo outro. Mas, para mim, é a coisa mais importante do mundo. 
Durante os últimos anos, conquistei muita coisa. E cada conquista deu-me uma sensação incrível. Mas nenhuma me soube tão bem como ler uma mensagem onde uma menina me dizia que "se todos temos um anjo da guarda, então o meu és tu". Uma menina que não me conhece minimamente bem. Uma menina que me faz voltar atrás no tempo. Porque eu já fui essa menina. Já me senti sozinha no mundo e encontrei o meu anjo da guarda. Há sempre alguém no fundo do túnel que aparece e te puxa a corda.
Prometi que, um dia, ia ser o anjo da guarda de alguém e ia puxar a corda que, um dia, quis que puxassem por mim. Hoje foi o dia. E esta sensação vale mais do que qualquer outra que já senti no mundo. E não precisei da minha profissão para mudar a vida de alguém. Precisei apenas de observar os sinais e dizer "relaxa, não estás sozinha, eu estou aqui".


A vida muda num simples sopro. E sempre para melhor. Basta praticarmos o bem.

Até logo, Diamond!

Obrigada pela visita!
Volta Sempre :)