segunda-feira, 22 de julho de 2019

Sérgio Godinho: «Para que este fevereiro dure para sempre, basta que os leitores não o esqueçam»

segunda-feira, julho 22, 2019 6 Comments

Sérgio Godinho é um apaixonado pela literatura. Nascido em Figueiró dos Vinhos, foi esta a localidade que despertou o seu interesse pelas palavras e que, em 2010, lhe deu o primeiro lugar no concurso de escrita “A minha melhor história em inglês”.
Ao 19 anos, iniciou o curso de psicologia, na Universidade do Minho (UM), em Braga. Curso que serviu de inspiração à criação do novo livro Vita Apparatus –um romance sobre a luta da mente humana, que conta a história de um personagem que decide ativar um clone seu, anteriormente adormecido na máquina da vida.
“O romance sobre fevereiro que durará para sempre” é da autoria de Sérgio Godinho que, gentilmente, contou tudo ao Repórter Sombra sobre o nascimento deste livro. 


Sérgio, o que pode fazer este fevereiro durar para sempre?
Uma estória passa a pertencer ao público assim que é editada. Por isso, para que este fevereiro dure para sempre, basta que os leitores não o esqueçam. Que espalhem a palavra.

Em que é que se baseia esta máquina da vida de que fala no seu livro?
Se o que estás a escrever não tem a mínima hipótese de se tornar o melhor que já escreveste, recomeça. Creio que é esse o meu lema. Quando comecei Vita Apparatus queria criar a melhor obra que já tinha escrito até então. Não sei se o atingi. Eu penso que sim, caso contrário nunca o teria editado. A Máquina da Vida foi o ponto de partida. A vida a nascer por vontade do Homem. De súbito, uma figura divina entre mortais. Pareceu-me um bom ponto de partida.

O Sérgio tem 26 anos. Se pensamos que ainda é jovem, ficamos ainda mais surpresos quando percebemos que, aos 17 anos, venceu um concurso de escrita. Quando e como surgiu este gosto por transpor histórias para o papel?
A arte não deve ser uma competição. Livros não devem ser escritos para ganhar prémios. Estórias que nascem para satisfazer júris não têm outro propósito.
Comecei a escrever estórias quando tinha 15 anos. Fi-lo de uma forma descomprometida. Era apenas um jovem a fazer algo que gostava. Nunca pensei em editar. Alguns jovens formam bandas. Outros gostam de experiências científicas. Eu gostava de escrever estórias.

Há muitos escritores que dizem que escrevem mais por necessidade do que por vontade. É o seu caso?
A minha vida é simples: se não estou a escrever, estou a pensar em escrever.
Penso que um escritor deve ser como um maestro. Tudo o que é escrito deve estar preparado para causar uma reação no público. Fazer parte de um todo. É isso que me fascina na escrita: o poder das letras. Se consigo imaginar uma vida sem escrita? Consigo. Também consigo imaginar um mar sem qualquer peixe. Ambos os cenários são igualmente terríveis.

E prefere escrever mais sobre si ou sobre aquilo que o rodeia?
Gosto de escrever sobre o que ainda ninguém viu. “Ficção especulativa” é como Margaret Atwood lhe chama. Creio não existir nome melhor. Sou um eterno fascinado pelo “e se…”.


Apesar deste gosto pela escrita, estudou psicologia, o que é curioso tendo em conta que este seu livro explora a mente humana. A psicologia foi uma ajuda para o escrever?
A psicologia foi a origem. Sem a minha formação académica, este livro nunca existiria. Conhecer um pouco melhor os caminhos da mente humana é uma ajuda para a escrita. Sempre que falo da minha formação académica com amigos, faço questão de referir que psicologia é o curso perfeito para quem quer escrever. Todas as estórias têm algo vital em comum: pessoas.

Acredita que o sítio onde crescemos influencia o nosso modo de ver a vida?
O local onde crescemos e as experiências que vivemos moldam a nossa forma de ver o mundo. Não é uma opinião. É um facto. Tento ter isso em conta quando construo personagens. Se uma personagem tem alguma opinião forte sobre algo, essa conceção deverá ter raízes fortes. Ou seja, para construir personagens multidimensionais, temos que construir um passado forte. Sem isso, não há presente que lhe valha.

É difícil ser-se um autor independente em Portugal? Porquê?
Ser um autor independente em Portugal é uma loucura. Não tem outro nome. Não dá dinheiro. Não dá reconhecimento. Poucas pessoas compram livros. Menos ainda são os que os lêem. Alguns dizem que leram, mas não o fizeram. Grande parte dos leitores critica o nome do personagem, a casa onde vivem e até as flores que metemos no quintal. E, enquanto isso acontece, os escritores independentes preferem acotovelar-se uns aos outros, na tentativa de chegar a um cume literário imaginário, ignorando que somos a salvação uns dos outros. Em Portugal, pelo menos, somos todos loucos. Queremos viver das letras num país que não gosta do seu sabor.

O que o levou a optar por esse caminho?
A receita para criar um escritor independente em Portugal é fácil de decorar. Basta pegar num sonhador, tirar-lhe o bom senso e colocar-lhe um computador à frente.

Se pudesse ativar um clone seu para lidar com uma parte da sua vida, para onde o encaminharia?
Eu nunca o ativaria.


Publicado em Repórter Sombra

quinta-feira, 18 de julho de 2019

ADN: «O teatro é dar e receber. É um jogo como um passar da bola entre nós no palco e o público na plateia»

quinta-feira, julho 18, 2019 4 Comments

A Companhia de Teatro ADN dedica-se à criação. Com sede em Coimbra, os ADN criaram uma proposta com o objetivo não de levar as pessoas ao teatro, mas de levar o teatro às pessoas. Deste modo, todos os espetáculos são preparados de forma a poderem ser levados a diferentes espaços físicos, promovendo uma maior aproximação com o público.
Escolas, salas de espetáculo, bibliotecas, lares, instituições e festas temáticas são alguns dos locais onde é possível encontrar esta companhia de teatro.
A companhia ADN caracteriza-se como “um composto orgânico cujas moléculas contêm as instruções genéticas do talento”. Em entrevista ao Repórter Sombra, Filipe Lima (ator, diretor artístico, encenador e produtor da ADN), falou sobre este projeto.


“O teatro não se repete. Em cada representação, nasce uma nova personagem”. É isto que se passa quando a vossa companhia entra em palco? 
Surgem sempre aquelas "borboletas na barriga" quando entramos em palco, seja ele qual for ou onde for. Por muitos espetáculos que façamos, o público e o espetáculo em si serão sempre diferentes, nós mesmos enquanto atores e/ou personagens, seremos sempre diferentes. Nenhum espetáculo é comparável, nenhum espetáculo é igual. O espetáculo e os atores mantêm-se sempre numa constante procura de algo mais, em fazer melhor a cada atuação, em procurar mais do seu "eu" pessoal e do seu "eu" enquanto personagem. O público alimenta-nos enquanto personagens e nós alimentamos dessa mesma matéria, enquanto atores, as personagens. O teatro é dar e receber. É um jogo, como um passar da bola entre nós no palco e o público na plateia. Das reações que essa "bola" traz nós retornamos com uma nova reação. Nunca se sabe qual será essa mesma reação. Estamos sempre de ouvidos e olhos bem abertos. Antes de entrar em cena dizemos “Ação-reação! Com energia!" e é essa energia que se torna o “alimento” neste contacto entre ator/personagem e o público.

A ADN de Palco foi fundada em Dezembro de 2017. É ainda recente. Como é que tem sido a aceitação por parte do público?
A ADN de Palco é um projeto recente mas que se tem tornado muito intenso. Sentimos que temos crescido e evoluído muito enquanto empreendedores, profissionais na área e claro, como jovens e seres humanos. Sabíamos, por tanto que se planeou e projetou, que não poderíamos esperar menos, mas a verdade é que a reação da aceitação do público tem-nos surpreendido imenso. Tem sido deveras um feedback positivo, seja da parte das crianças como dos adultos, da parte de quem nos acolhe, professores, investidores, produtores, contratadores, entre outros.
Ainda estamos a crescer, é um facto. Mas o público que se tem mantido estável e presente, assistindo muitas vezes mais do que uma vez aos espetáculos, tem dado um feedback positivo e de encorajamento. O que nos faz acreditar cada vez mais neste projeto. Tudo isto nos deixa gratos e satisfeitos com este projeto que não é só nosso, mas de todos. Pois o teatro faz-se do coletivo sendo ele atores, equipa e público. Isto é tudo graças ao nosso público, a pensar neles, com o objetivo de tornar a nossa sociedade uma sociedade melhor, mais culta, mais humana e com mais adesão a estes projetos sejam eles recentes ou não.
Somos uma companhia recente, mas que pensa e projeta um grande futuro. E sem o público lá, nada faz sentido, eles fazem-nos acreditar e sonhar . Fazendo com que no final de cada espetáculo, nos deitemos nas nossas camas com o pensamento de missão cumprida e de coração cheio.

Numa fase em que se fala tanto na falta de apoio à cultura é preciso ser-se corajoso para fundar uma companhia de teatro?
Não importa ser corajoso, importa sonhar e ser ambicioso. Sabíamos, desde o início quais eram os prós e os contras com este projeto. Sabíamos minimamente quais as dificuldades que iriamos ter de ultrapassar. O sonho e a vontade eram maiores, e como ambos (Eu e a Teresa Roxo) não estávamos a ter sucesso na procura de trabalho profissional na área, devido à lastimável condição das companhias de teatro atualmente, decidimos arriscar neste projeto e ir em busca das nossas próprias oportunidades lutando, assim, contra toda essa inquietação para ultrapassar esta "crise" que se encontra o teatro em Portugal. Até à data, a ADN de Palco não conta com quaisquer tipo de apoios e/ou patrocínios, somos uma companhia ainda autossustentável onde nós somos os investidores de cada projeto. Juntou-se à direção, o Diogo Carvalho, também encenador e diretor de outros projetos da ADN e este também acredita que podemos crescer muito como companhia profissional e que temos muito ainda para alcançar. Contamos, futuramente, em solicitar apoios e patrocínios, mas está sempre presente na nossa cabeça que o "não" será sempre garantido, e temos as nossas estratégias para contornar a situação, como fizemos até hoje.

E quando se arrisca a trazer algo novo ao público, o que é que se tem em mente?
Em mente temos esse mesmo elemento "O público". O nosso lema é "fazer espetáculos para crianças a pensar nos adultos". Primeiramente, queremos que o espetáculo seja sempre facilmente adaptável e acessível a todas as pessoas e idades, que mantenha a sua itinerância, que seja diferente do que já foi feito, que surpreenda o público e que o mesmo sinta a nossa "evolução" e a nossa "revolução". Evolução pois mantemo-nos sempre à procura de algo novo, melhor, irreverente, diferente, surpreendente, com novos materiais, novas técnicas, mais investimento, entre outros de maneira a que se torne notável uma evolução no nosso trabalho. Revolução acontece pois quem faz do teatro uma revolução são as pessoas, o público. A nossa intenção enquanto atores e seres-humanos, é que a cada novo projeto seja revolucionário teatralmente e emocionalmente. Portanto ficamos imensamente gratos por podermos ter a oportunidade de mudar para melhor a vida de alguém, isso para nós é uma revolução! São esses os dois lemas que temos em mente a cada novo desafio e prometemos continuar a evoluir e a revolucionar a cada novo projeto.  


Vocês costumam deslocar-se a qualquer local para poderem dar o vosso espetáculo. O teatro é vivido de outra forma quando é ele a ir ao encontro do público e não o contrário?
Como foi referido anteriormente por vós “O teatro não se repete. Em cada representação, nasce uma nova personagem”. Com isto, nasce, também uma nova representação, um novo espetáculo seja nesse encontro com o público ou quando este vem ao nosso encontro. O que importa para nós, realmente, é que nos encontremos. É nesse encontro que acontece a magia do teatro. Quando vamos a uma escola, é natural que se percam alguns elementos dos nossos espetáculos, como as luzes, o panejamento, entre outros elementos que existem num auditório normal. Mas acreditamos que o público nem pensa na falta desses elementos. A cada novo projeto da ADN, tentamos sempre melhorar a sua itinerância de maneira a que consigamos levar sempre o "grande" espetáculo a todos os sítios e que nada falte ou falhe. O público merece essa atenção. Mas concluímos que nesta arte, o que importa é que realmente se "viva" o teatro, de todas as formas possíveis e imaginárias. Que surja esse "encontro" e que as pessoas saiam a pensar, a sonhar e a questionar-se daquilo que acabaram de assistir.

E qual é o melhor público?
Todos os públicos são um bom público. Basta a sua presença para nos deixarem já de coração cheio. Um público infantil é sempre algo mais desafiante pois nunca sabemos quais serão as suas reações e muitas vezes as crianças tiram-nos o "tapete". As crianças são espontâneas e a sua reação é sempre verdadeira e conseguimos ter mais retorno em feedback sobre o nosso trabalho. Um público misto, familiar, é para nós muito importante. É essencial os pais acompanharem os filhos ao teatro e viveram essa experiencia em família. O nosso slogan é "Espetáculos feitos para crianças a pensar nos adultos", e se ambos estiveram lá, melhor ainda. Conseguimos ter imensas reações, imensas mensagens que se passam e que retornam para nós que estamos no palco. Acreditamos que um público misto seja mais mágico e que torna o nosso projeto mais completo.

Vocês têm uma programação especialmente dedicada às crianças e, recentemente, estiveram em cena com a peça “Menina do Mar – O Musical”. Que feedback têm recebido por parte das crianças e das escolas?
Este projeto, surge como comemoração do centenário do nascimento de Sophia de Mello Breyner Andresen. A obra foi adaptada ao teatro musical numa versão didática e mágica dedicada à infância que nos leva até ao misterioso universo do Mar no imaginário de Sophia de Mello Breyner Andresen. É um espetáculo que faz reflexões sobre temas importantes: a saudade, a amizade, o sonho, o medo, a alegria, o imaginário, a Terra, o Mar, as estações do ano, a poluição, a reciclagem, entre outros e sentimos que as crianças e os adultos conseguem entender cada mensagem e a importância de cada um desses temas devido às suas reações no decorrer do espetáculo e no seu a pós. Temos sido parabenizados pela atenção que temos em cada projeto com as crianças e de para além do fator "entretenimento" tentarmos sempre passar algo educativo e emotivo às crianças (e aos adultos!). As críticas têm sido muito positivas e há pessoas que já assistiram mais do que uma vez ao espetáculo. Recebemos muitas vezes mensagens a dizer que os filhos sonharam com algumas personagens da história, o que nos deixa sensibilizados e de sorriso no rosto. O público intitula que é "O melhor espetáculo da ADN de Palco" e que o projeto é um espetáculo divertido e sensível, adoram as divertidas personagens e os seus figurinos coloridos, assim como o "fator surpresa" do cenário. Dizem, também, que saem do auditório "mais sábios, mais humanos". A nosso ver, é um espetáculo que ficará para sempre na memória de crianças e adultos!

“Um composto orgânico cujas moléculas contêm as instruções genéticas do talento”. É assim que vocês se definem. Como surgiu a oportunidade deste composto orgânico se juntar?
Em Dezembro de 2017, eu tive a ideia de fazer o Principezinho- O Musical- devido à experiência vivida na companhia profissional de teatro infantil TEATROESFERA. Não conhecia pessoalmente a Teresa Roxo, mas era fã do seu trabalho em palco. Então, entrei em contacto com a mesma para a desafiar com este projeto. Esta aceitou, produzimos todo o espetáculo, selecionando por casting os atores que cumpriam o requisito desse mesmo "composto orgânico" para, assim, estrear em Março. Todo o processo foi feito de maneira mais profissional possível, mesmo sem saber que se tornaria mais tarde uma companhia profissional. Depois de estrear, o feedback foi mais que positivo e imensas pessoas acreditavam que o projeto teria futuro. Como ambos não estavam a ter sucesso na procura de trabalho profissional na área decidimos investir e acreditar neste projeto como um futuro estável na nossa carreira. Posto isto, decidimos tornar o projeto oficialmente profissional, arriscar em novas produções, contratar novos elementos profissionalizados na área e temo-nos mantido sempre à procura de novos compostos orgânicos que complementam este "ADN de Palco" que temos presente.

Sentem que têm deixado, de facto, o vosso ADN em todos os palcos por onde têm passado?
Em respostas anteriores, meio que já conseguimos responder a esta pergunta. Comecemos pela escolha do nome "ADN de Palco"- ADN é uma parte de nós e PALCO é onde se baseia a nossa vida. Posto isto, acreditamos que a resposta seja um "sim", avaliando todo o feedback das pessoas que viram e de todos os palcos que pisámos. Felizmente, temos conseguido manter um público estável, que nos acompanha sempre a cada nova produção, e estreia após estreia temos tido presente sempre uma lotação maior e melhor. Os espetáculos têm esgotado quase sempre. As entidades contratadoras, querem contratar os nossos serviços novamente e novas entidades entram em contacto connosco. As pessoas falam connosco, acompanham-nos, abraçam-nos e agradecem-nos. Este projeto só é possível graças a tudo isso, e é por isso que continuamos nesta luta, a querer fazer mais, melhor e diferente. Queremos continuar a desafiar-nos, a nós e ao público, a encantar e encher de magia cada palco e/ou escola que passamos partilhando sempre este ADN que acreditamos que é "sentido" por cada espectador em cada espaço que vamos. 

 Entrevista publicada em Repórter Sombra.



terça-feira, 11 de junho de 2019

Vamos fazer o que nos faz feliz

terça-feira, junho 11, 2019 4 Comments
D.R.

Sempre que aprendemos a fazer algo novo, nasce um sentimento diferente dentro de nós. Quando o fazemos bem, não conseguimos conter uma imensa felicidade que invade o nosso corpo em forma de adrenalina. E ainda bem, porque não devemos nunca deixar de fazer o que nos faz feliz.

Viver em sociedade é viver num círculo onde todos dependemos uns dos outros, por isso, é fundamental sabermos aprender uns com os outros, de modo a evoluirmos enquanto seres humanos. Assim, sempre que aprendemos algo novo é inevitável que haja um crescimento tanto a nível pessoal como profissional. O que é difícil de explicar é o sentimento que nos invade quando isso acontece. Quando fazemos bem algo que fazemos pela primeira vez é como se renascessemos um bocadinho. Cresce em nós um sentimento que nos aumenta a auto-estima. É nessa altura que percebemos que estamos felizes.

A felicidade é o que nos move. Vivemos uma vida inteira em experimentações na esperança de chegar a uma conclusão: como posso ser feliz? Há quem encontre respostas mais cedo. Há quem as descubra mais tarde. Mas o objetivo é comum: viver para solucionar este mistério que é a felicidade.
Nunca duvidei que a felicidade é o centro de tudo. Pessoas felizes são capazes de mudar o mundo. Pessoas infelizes tornam o mundo mais amargo. Por isso, essa busca pelo que nos faz feliz não pode nunca parar. Porque quando perdemos a felicidade, perdemos um bocadinho de nós. Perdemos, acima de tudo, a capacidade de contribuir para um futuro risonho.

É por estes motivos que acredito que quando aprendemos a fazer algo novo e percebemos que somos bons a fazê-lo, a felicidade nos invade. Porque sentirmo-nos úteis e realizados é, provavelmente, o que nos faz mais feliz. Sentir que somos importantes; que estamos aqui para fazer a diferença; que nenhuma outra pessoa faria tão bem aquilo que estamos a fazer; que somos extremamente necessários... No fundo, sentir que somos únicos é o que nos faz mais feliz. Porque nos leva a acreditar que não estamos a viver uma vida por acaso ou só por viver.

Há quem leve uma vida inteira a cumprir “obrigações”. A tentar descobrir a felicidade porque esta nunca lhes bateu à porta. Por vezes, o segredo é simplesmente largar tudo para fazer o que nos faz feliz. Lutar por aquilo em que acreditamos e em que somos realmente bons. Ao fazermos o que nos realiza vamos, automaticamente, fazê-lo bem e seremos, certamente, muito mais felizes. Vamos fazer o que nos faz feliz.

Publicado em Repórter Sombra.

quarta-feira, 10 de abril de 2019

Inteligência emocional: aprender com o outro

quarta-feira, abril 10, 2019 5 Comments



A inteligência emocional caracteriza-se pela capacidade de reconhecermos e avaliarmos os nossos sentimentos e os dos outros e, posteriormente, lidar com eles. Assim, há quem tenha uma inteligência emocional alta e, em contrapartida, há quem não a consiga desenvolver completamente.

Para Goleman, este conceito é o maior responsável pelo sucesso ou insucesso do ser humano. Isto porque, por exemplo, em situações profissionais o relacionamento entre as pessoas é crucial e uma pessoa com uma maior inteligência emocional tem mais chances de ser bem sucedida. No entanto, no mesmo local de trabalho podemos encontrar indivíduos com níveis de inteligência emocional diferentes e, nesse caso, a comunicação é essencial para encontrar um ponto de equilíbrio. Mas para que essa comunicação seja eficaz é necessário percebermos quando é que alguém tem uma inteligência emocional baixa para sabermos como lidar com isso.

Normalmente, as pessoas com uma inteligência emocional baixa têm dificuldade em relacionar-se com o outro. Não entendem como é que ele se sente; consideram-no muito sensível e/ou não sabem lidar com emoções fortes. Assim, parte do trabalho parte do outro: do que sabe relacionar-se com os demais, do que compreende, do que tem a sensibilidade. Porque a verdade é que, se o outro tem uma inteligência emocional apurada vai conseguir colocar-se no lugar do que não a tem e ajudá-lo a desenvolvê-la da melhor forma possível. Deste modo, trabalhar com alguém com uma baixa inteligência emocional pode tornar-se mais fácil se aprendermos a não discutir um problema por muito tempo, a criticar em privado e, acima de tudo, a tentar compreender a história de vida do nosso colega. As vivências e o passado são, sem dúvida, as coisas que mais influenciam o nosso modo de agir e de ver o que nos rodeia.

Concluindo, o bom funcionamento de um local de trabalho depende da relação entre as pessoas que lá trabalham. Portanto, é crucial colocarmo-nos no lugar do outro, tentar perceber as suas frustrações, medos ou inseguranças e, acima de tudo, mostrarmos interesse em conhecer a sua história. Todos precisamos de sentir que somos precisos no lugar onde estamos.

Publicado em Repórter Sombra.



terça-feira, 26 de março de 2019

Urban Tales renascem em novo álbum

terça-feira, março 26, 2019 3 Comments

Depois de 7 anos sem produzir álbuns, os Urban Tales estão de volta com Reborn- um disco composto por 16 faixas que explora vários estilos musicais desde o rock ao acústico e do metal ao pop.
Reborn é um álbum cantado em português e inglês e conta com a participação de vários convidados, entre eles, Loren Dayle, Vítor Espadinha, Sofia Pires e Mariana Azevedo.



Vocês surgem enquanto banda em 2005. No entanto, nos últimos 7 anos não produziram nenhum álbum. Porquê esta espera?

Nos últimos anos, estive mais envolvido em trabalhar com outras bandas através da minha empresa de produção de áudio (MR Diffusion) e também porque, depois do segundo álbum (“Loneline still is the friend”), quis mudar de som e, nessa pesquisa, levei algum tempo a saber por que caminho ia.

7 anos depois surge, então, o “Reborn”. Tendo em conta que, neste período de tempo, a própria música em Portugal sofreu algumas alterações, que preocupações tiveram na elaboração deste álbum que não teriam há 7 anos atrás?
Nenhumas, no sentido em que não me segui pelo que se ouvia ou o que se fazia naquele momento. Tentei fazer o que sentia e o som que mais gosto/oiço. A minha preocupação foi fazer algo verdadeiro e como um álbum conceptual (história do início ao fim), que houvesse um fio condutor durante todo o álbum.

Qual é o vosso objetivo ao apostarem, agora, em estilos diferentes?
Que as próprias músicas tivessem uma dinâmica diferente entre elas e, claro, pelo gosto pessoal, visto que todos eles são músicos que gosto e sigo.

Este álbum é cantado em inglês e português. Porquê esta aposta?
Desde o segundo álbum que já tinha essa intenção. Gosto e oiço todo o tipo de música, seja em português ou inglês. Era algo natural de acontecer...

Para além da variedade de línguas, também surgem diversos convidados. Hoje em dia é importante essa colaboração com outros músicos para alcançar novos públicos?
Se for importante para a própria música, então acho que vale a pena. Eu escolhi os músicos do álbum, porque gosto genuinamente do trabalho deles. Então é um grande orgulho tê-los tido neste álbum. Não escolhi ninguém pelo motivo de chamar desta forma mais atenção ao próprio álbum.

Reborn” foi lançado digitalmente em Outubro. Como tem sido o feedback desde então?
Bastante bom. Desde os singles lançados que alcançaram o top iTunes em Portugal e Espanha ao facto de termos ido a várias televisões apresentar as mesmas e de termos tido uma forte aceitação das rádios às novas músicas. Os próprios ouvintes aceitaram o novo trabalho melhor do que esperava.

E como é que estão em termos de concertos?
Estamos abertos a convites. Se forem interessantes, os Urban Tales poderão voltar aos palcos.

Sentem que, de facto, a vossa música renasceu com este álbum?
Sem dúvida, basta ouvir em termos sonoros e talvez ainda vá mudar mais num futuro próximo...A ver...


Publicado em: Repórter Sombra.

Até logo, Diamond!

Obrigada pela visita!
Volta Sempre :)