sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

O dia em que a amizade deixa de ser prioridade

sexta-feira, fevereiro 15, 2019 1 Comments


Já perdi a conta ao número de vezes que ouvi a frase “andas desaparecida”. Já todos a ouvimos. Já todos a dissemos também. E, com o tempo, foi-se tornando numa das frases que mais me custa ouvir.
Eu não ando desaparecida. Vivo no mesmo sítio há 5 anos, tenho o mesmo número de telemóvel desde os 12 anos, tenho redes sociais e vou a casa dos meus pais todos os fins de semana. Portanto, não é muito difícil encontrar-me. O que é difícil é ver na amizade uma prioridade. Para os outros, só “desaparecemos” porque deixamos de ser uma prioridade. Uma das coisas que os meus pais me diziam quando eu era pequena é que, com o passar do tempo, o meu número de amigos ia diminuir. E isso só tendia a piorar até ficarem só um ou dois. Conforme fui crescendo fui percebendo que eles tinham razão. A lista foi ficando mais curtinha, mas sempre melhor. Porque só fica quem tem de ficar. A forma como nos vamos afastando daqueles que, hoje, estão perto é sempre a mesma: a amizade está lá mas, lentamente, vamos ficando no final da lista. Há outras prioridades que vêm antes de nós. O emprego, o descanso, as relações,... E depois ouvimos a célebre frase “não tenho tempo para nada”. Mas há sempre tempo quando se quer ter tempo. Com o passar dos anos, deixei de procurar quem dizia “não ter tempo”. Meti na cabeça que essas pessoas sabiam onde me encontrar e que, “quando tivessem tempo”, o podiam fazer. Claro que não o fizeram. Porque o tempo é só uma desculpa. Uma desculpa para não estar. Na vida, sigo a máxima “fazer o longe ficar perto”. Isso exige tempo. Tempo para ligar. Tempo para perguntar “estás bem?”. Tempo para ouvir. Tempo para conversar. E esse tempo existe sempre. Porque um amigo é sempre uma prioridade. E nós temos sempre tempo para as nossas prioridades. 
Lembro-me que, quando era pequena e dizia à minha avó “tenho saudades desta pessoa”, ela respondia sempre “sabes onde ela mora, não sabes? Então não tens desculpa para teres saudades”. E é isso mesmo: não há desculpas. 

Publicado em Repórter Sombra

sábado, 9 de fevereiro de 2019

Estás feliz?

sábado, fevereiro 09, 2019 2 Comments




A vida obriga-nos a crescer. Passamos grande parte do tempo a correr, preocupados com o amanhã, sem pensar muito no hoje. Vamos na rua e encontramos aquela pessoa que já não vemos há imenso tempo. Pergunta-nos o que temos feito, como está a correr o trabalho, quando é que vamos casar e se pretendemos ter filhos em breve. Pergunta-nos tudo menos o mais importante: se estamos felizes.
A sociedade planeia tudo por nós. Como se tivessemos de viver por etapas. Estudas para conseguires um bom trabalho (sem que te perguntem se é o trabalho que te apaixona), depois, automaticamente, tens de formar uma família. Se fizeres isto tudo direitinho, as pessoas partem do princípio de que tens a vida perfeita. Aos olhos delas, és feliz. Mesmo que não o sejas. E, se mostrares que não o és, provavelmente vão chamar-te de mal agradecido e dizer que não sabes aproveitar aquilo que tens. No fundo, tudo é posto em primeiro lugar, menos a felicidade. Raramente paramos para pensar se é mesmo isto que queremos ou se o fazemos porque o que está à nossa volta assim o exige. Não nos perguntamos se somos felizes, o que é que nos faz falta ou o que é que queremos mudar. Talvez porque a mudança nos assusta, principalmente se isso significar quebrar o que “é suposto acontecer”.
Aquele conhecido segue o seu caminho. E tu também. Falaram sobre tudo o que envolve as vossas vidas, mas nem sequer te ocorre que nenhum perguntou ao outro se está feliz. Talvez porque nem tu colocas essa questão a ti mesmo. Por mera distração. Porque estás a pensar em mil e uma coisas ao mesmo tempo. E a maior parte delas nem sequer tem importância porque se baseiam nos teus planos de corresponder às expectativas que o mundo tem sobre ti. Mas a vida só funciona realmente se olharmos mais para dentro do que para fora. E se, neste preciso momento, estiveres a viver uma vida que não é a tua?


Publicado em: Repórter Sombra.




segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

Diogo Piçarra nos Coliseus

segunda-feira, janeiro 21, 2019 3 Comments
«As maiores conquistas só são reais quando partilhadas».

Olá, pessoal! Hoje venho falar-vos da revista Coliseus, do Diogo Piçarra. Já há algum tempo que a tenho, mas só agora consegui lê-la como deve ser.
Como sabem, acompanho o trabalho dele há muitos anos e, por isso, não podia deixar de vos dar a minha opinião quanto a esta nova conquista. É um orgulho enorme vê-lo crescer assim e, quando pegamos nesta revista, percebemos que é merecido. Para já, a primeira vista, está super bem construída. Como podem ver na fotografia acima, começa com um texto escrito pelo Diogo onde agradece tudo o que tem conseguido. 
No seu interior, podemos ver várias fotografias da sua atuação nos Coliseus. Imagens carregadas de história e, acima de tudo, de sentimento. Em cada uma das páginas existe o título da música a que aquela imagem corresponde e, em cima da fotografia, está a letra dessa mesma música.


Para mim, o mais curioso foi perceber que todas as letras estão escritas pela mão do Diogo. Isso só nos faz sentir mais perto dele e torna tudo muito mais real. Acho que é mesmo o pormenor mais interessante. E essa realidade é ainda mais explícita quando, ao longo de alguns dos textos, vemos que o Diogo riscou palavras. Ou seja, enganou-se a escrever, riscou e escreveu novamente à frente. Esse pormenor de ter deixado algumas palavras riscadas para mostrar que foram, de facto, escritas por ele é de génio. Não há melhor forma de nos fazer sentir dentro daquela revista do que esta. 



Para além disso, há várias fotos do backstage e outras mais familiares. A certa altura sentimo-nos quase como se lhe entrássemos pela vida dentro. Principalmente em imagens onde ele está com o Pablo ou com a Sia (os seus gatinhos de estimação). No fundo, sentimos que nos é dada a chance de entrar um bocadinho da intimidade dele. E o grafismo é simplesmente incrível.


A par da revista, veio também o DVD Coliseus para quem não esteve presente poder ver e para quem lá esteve poder recordar esse momento. E também o EP com as músicas "Abrigo", "Era uma vez" e "Paraíso" (quer o cd quer o dvd andam sempre comigo no carro, portanto, não os tenho aqui para vos mostrar).
Posto isto, para quem segue e gosta do trabalho do Diogo, eu acho muito importante adquirirem esta revista. Em primeiro lugar, porque quando gostamos dos artistas não devemos limitar-nos a "sacar" músicas da internet. Devemos contribuir para que este se destaque no mercado adquirindo os conteúdos que ele produz. E, depois, pela importância que estas páginas assumem na sua vida. Nesta revista está a concretização de um sonho. A primeira vez que o Diogo pisou estes palcos. E uma carga emocional enorme. Muito, muito merecido. Ele nunca se esquece de nós e nós não devemos nunca esquecer-nos dele.




Algum de vocês tem a revista? O que acharam? :)









domingo, 20 de janeiro de 2019

Livraria Lello

domingo, janeiro 20, 2019 5 Comments

«A Livraria Lello & Irmão constitui um ex-libris da cidade do Porto e um autêntico santuário das artes editoriais e livreiras, albergando no seu edifício monumental uma das mais antigas e prestigiadas editoras nacionais.»


Olá, pessoal! Uma das coisas que prometi fazer mais este ano é, sem dúvida, viajar e conhecer novos lugares. E, felizmente, já estou a levar esse desejo avante.
Como sabem (porque já o aqui disse diversas vezes), o Porto é a minha cidade favorita. No entanto, há lá tanta coisa por descobrir que acabei por me distrair e nunca me dediquei a conhecer esta cidade como deve ser. Portanto, decidi começar por lá. E, enquanto fazia a minha lista de sítios a visitar, lembrei-me que, quando era pequena, fui à Livraria Lello numa visita de estudo. Mas como era muito nova não tinha nenhuma memória visual. Então decidi começar por aí. Tirei uma tarde para lá ir e não me arrependi nada. 
A verdade é que, ao longo dos anos, a Livraria Lello tem sido um dos pontos turísticos mais visitados. Por isso, fui com tempo (e preparada para uma fila gigante para entrar). Quando lá cheguei, comprei o bilhete (custo de 5 euros por pessoa) e foi-me dado um mapa com várias informações. Basicamente, esse mapa contém o nome de vários escritores com a localização precisa de onde os podem encontrar para facilitar a vossa pesquisa.



Eu sou completamente apaixonada por livros, aliás, eu era capaz de viver numa biblioteca de tão feliz que fico ao estar rodeada por livros. Portanto, como devem imaginar, assim que entrei senti-me um peixinho dentro de água e não saí de lá tão cedo (literalmente, devo ter estado 3h lá metida e vi tudo umas 10 vezes). 
A Livraria Lello, como hoje a conhecemos, foi inaugurada no dia 13 de janeiro de 1906. Este acontecimento teve um impacto incrível na imprensa que esteve presente para registar este momento. O edifício foi construído pelo engenheiro Francisco Xavier Esteves e é hoje considerada a mais bonita livraria do mundo. E assim que a analisamos ao pormenor percebemos o porquê. A fachada é neogótica, com painéis simbolistas que representam as figuras da Arte e da Ciência e a escadaria é vermelha e em betão. Ao longo da sala também podemos encontrar vários bustos de alguns dos mais importantes escritores (como Eça de Queirós ou Camilo Castelo Branco). 






Eu analisei vários livros ao pormenor. Mas não contive a excitação quando encontrei estes dois meninos que vos mostro na foto em baixo. Como já devem saber, sou viciada em Game of Thrones e quando os vi tive de os fotografar para vos mostrar.



No final da vossa visita, é-vos dado um livro com a história e todas as informações da livraria que acabaram de visitar. Sempre é uma forma de a ficarem a conhecer por completo e, claro, de terem uma recordação daquele lugar encantador. Como eu fui lá com o meu irmão, acabei por trazer dois livrinhos para casa.



Espero que tenham gostado deste post e que tenham ficado curiosos para conhecer a Livraria Lello. Acreditem que vale muito a pena. Recomendo imenso. É dos sítios mais bonitos que já visitei e acho que é muito importante para nos fazer sentir o poder da leitura (que é mais que muito).  


Já conhecem este sítio? Gostaram?
Aceito sugestões de sítios a visitar em breve :p











sábado, 19 de janeiro de 2019

Não há melhor terapia do que um amigo

sábado, janeiro 19, 2019 2 Comments
D.R.

Nunca fiz distinção entre amizade e amor. Não existem um sem o outro. E se é verdade que o amor é a cura para qualquer mal, um amigo pode, de facto, amenizar qualquer situação.
Há quem diga que o dia-a-dia nos tira tempo para estar, sentir ou desfrutar de pequenas coisas. Eu não acredito nisso. Acho que só depende de nós. Passamos grande parte do nosso tempo a tentar encontrar um equilíbrio e, no meio dessa procura, acabamos por perder mais tempo do que aquele que ganhamos. Não percebemos que o equilíbrio nos é dado pelos sentimentos. Que nada é mais terapêutico que ouvir aquela voz que nos faz sempre sentir em casa. Que não há melhor calmante do que um abraço daquele amigo que sabe sempre fazer com que nos encontremos no meio do caos. E isso, por si só, já é amor. O mais sincero de todos que não exige mais nada em troca a não ser estar. Estar de corpo e alma como se nada mais existisse para além de sentimentos. Porque a verdade é que, quando nascemos, a única coisa que trazemos conosco é isso. Não existem palavras, cargos ou bens materiais. Só sentimentos. Nascemos a chorar, porque sentimos.
Se sentir é a primeira coisa que existe quando somos “atirados” para o mundo, não há melhor terapia do que estar perto de alguém que nos faz sentir. Que nos devolve essa sensação de nascimento. E, por esse motivo, sempre associei um simples café ao amor. É incrível como transportamos para uma bebida o desejo de estar perto de alguém. “Vamos tomar café e conversar um bocadinho?”. É quase sempre este mote para a nossa procura daquele alguém que nos vai tirar da barafunda do dia-a-dia. Que nos vai fazer esquecer dos problemas do trabalho e nos vai relembrar que há coisas mais importantes que a correria e a pressa. Afinal, todos temos pressa para alguma coisa e raramente paramos para ver em vez de olhar.
No final de contas, tudo se resume a estar com o outro. A aprender a estar sem pensar no resto. Sem culpas do que ficou por fazer ou receio do que vai ser o amanhã. Nada é mais terapêutico do que um amigo. Nada é mais importante do que o amor.

Publicado em Repórter Sombra.




Até logo, Diamond!

Obrigada pela visita!
Volta Sempre :)