domingo, 15 de julho de 2018

Não tem de doer

domingo, julho 15, 2018 2 Comments
D.R.

Um dia destes disseram que me amavam. Uma coisa tão sincera e forte. Nunca fui boa a lidar com isso. Sempre fui melhor a amar do que a ser amada e o medo de "fazer asneira" apoderou-se de mim. Não queria ser o que já foram comigo. Não queria magoar. Não queria fazer doer. Queria ser a pessoa que não consegue retribuir mas que está lá. Que entende. Que apoia. Que ouve e se preocupa. 

Durante quase três anos, também amei alguém. Um amor diferente de todos os outros. Daqueles que te tira o ar e que não te deixa dormir à noite. Desta forma, quando alguém me disse que me amava, lembrei-me dessa fase da minha vida. Inspirei-me na pessoa que amei e no que ela foi para mim... diferente de todos os outros. O único amor que não doeu. O único que, ao invés de me fazer sentir pequenina, me engrandeceu. Um amor que, apesar de não ser correspondido, me ensinou que não precisa de o ser para ser mágico.
Esse amor foi o amor que eu quis ser para aquele que, infelizmente, não pude corresponder. Afinal, ninguém pode obrigar ninguém a amar. Mas não retribuir um sentimento não implica deixarmos o outro completamente no vazio. Isso é feio e triste. Quando alguém diz que me ama é o maior elogio que me pode fazer, por isso, eu não vou embora. Não me afasto. Não magoo. Porque raio é que vou partir o coração a alguém que me elogia dessa forma? Dizer que te amam é o mesmo que dizer que existes. Que importas. Que ocupas um espaço importante na vida desse alguém. E isso é tão bonito que nunca entendi porque é que tem de doer. Até conhecer alguém que me mostrou o contrário. 
Só dói se tu deixares. Não podes forçar-te a retribuir uma coisa que não sentes, mas podes estar lá. Podes perguntar "o que é que queres que eu faça? Diz e eu faço". Podes escolher aprender a lidar com isso ao invés de fugir a sete pés. Foi o que me fizeram e, por isso, durante 3 anos, não doeu. Porque a pessoa que eu amava soube tomar conta de mim. Soube ensinar-me a ver a vida de outra forma. Soube mostrar-me que eu sou especial de qualquer das formas. Fez-me sentir única, especial. Soube agradecer-me pelo facto de estar lá todos os dias. E isso, por si só, já é um gesto de amor. É compreensão. É ser-se adulto e é saber reconhecer que amar faz parte da vida e só um covarde magoa quem diz que o ama. E eu tive a sorte de, por uma vez na vida, me ter apaixonado por alguém que não era covarde. Que não foi embora e que escolheu ficar até hoje.
Por isso, não. O amor não tem de doer. Podes perfeitamente amar alguém que faz com que doa o menos possível. Alguém que te faça sentir orgulho em amar essa pessoa. "Eu amo-o, mas ele merece". É tão bom sentir isso. Mau é quando amas alguém que não merece. Que te trata como se o amares fosse errado. Nesse caso, vai embora e escolhe amar alguém que, mesmo não conseguindo amar-te de volta, cuida de ti e diz "eu estou aqui".
É esse o tipo de pessoa que eu quero ser. Aquela que cuida e não vai embora. Aquela que dá carinho ao invés de desprezar quem dá tudo por si.


quarta-feira, 4 de julho de 2018

Perda ou afirmação da identidade?

quarta-feira, julho 04, 2018 4 Comments
D.R.

A internet veio mudar por completo o paradigma da comunicação. Há quem diga que mudou para melhor e há quem acredite que mudou para pior. Vantagens e desvantagens há em tudo. No entanto, é verdade que as proporções que a internet atingiu ao longo dos anos afetaram a nossa identidade e a forma como nos comunicamos aos outros.

A realidade é que, quando navegamos, podemos assumir qualquer identidade. O facto de nos comunicarmos com qualquer pessoa, de qualquer canto do mundo, faz com que, muitas vezes, não nos mostremos como realmente somos. Perdemos a nossa verdadeira identidade e, por vezes, sentimo-nos num vazio. Em casos extremos, acreditamos que somos mesmo aquela identidade que assumimos e esquecemo-nos do que somos realmente.
A noção de identidade na era digital veio fazer-nos acreditar que podemos ser tudo o que quisermos. Trouxe a possibilidade de manipularmos o outros mas, sobretudo, a nós próprios. Na internet podemos assumir uma vida que não temos. Podemos comunicar o que não somos, mas gostaríamos de ser. E esse poder é tão forte que chegamos a acreditar que temos uma identidade que, na realidade, não temos. E isso leva-nos a cometer erros. Devaneios. Injustiças.
No fundo, todos sabemos que isto é como um jogo. Todos somos aquilo que não somos. Todos temos a vida perfeita e fazemos as escolhas certas. Mas, no nosso íntimo, todos sabemos que não passa de uma falsa identidade. Porque, fora da internet, todos temos problemas. Os sorrisos dissolvem-se e dão lugar às lágrimas. Não nos conhecemos e, muito menos, conhecemos o outro. Temos inseguranças e uma identidade própria que, muitas vezes, não queremos aceitar por acreditarmos nas identidades que nos são exibidas através de um perfil do facebook ou de outra página qualquer. Mas, no fundo, sabemos que essas identidades são tão falsas quanto a nossa. Afinal, nós só mostramos o que queremos mostrar. E, na maior parte das vezes, mostramos apenas o melhor escondendo o lado mais obscuro e sombrio.
A internet é um poço de possibilidades, sim. Permite-nos uma liberdade de circulação incrível e, acima de tudo, rapidez. Permite-nos contactar com quem está longe de nós e nós sentimos saudade. Essa é uma das vantagens. Mas a forma como altera a nossa identidade pode ser uma das maiores desvantagens. Nem sempre somos nós. Nem sempre somos fiéis a nós próprios. Nem sempre nos protegemos como deveríamos. Na grande maioria do tempo, usamos a internet para afirmar a nossa identidade, mas acabamos por perdê-la ainda mais rapidamente.

Publicado em: Repórter Sombra.

segunda-feira, 2 de julho de 2018

One Last Goodbye a... Once Upon a Time

segunda-feira, julho 02, 2018 9 Comments
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D.R.


Quem me conhece e/ou acompanha, sabe que sou viciada em séries. Desde que me tornei uma espetadora assídua, já disse adeus a The Vampire Diaries, Teen Wolf e Pretty Little Liars. Em todas elas dei o meu parecer aqui no blog e, neste caso, não vai haver excepção.
Once Upon a Time foi a segunda série que comecei a seguir. Sempre acreditei em magia. Mesmo quando havia pessoas desagradáveis que me diziam como se fazia cada truque mágico. Mesmo sabendo todo aquele mecanismo, continuei a acreditar. Porque, para mim, tudo nesta vida é mágico. A própria vida é feita de magia. Os sentimentos são mágicos. A forma como nos relacionamos uns com os outros é mágica. A natureza, as diferenças que temos uns para com os outros, a música, a Arte... Tudo isso é feito de magia. Atrevo-me mesmo a dizer que, no fundo, a magia está em nós. Somos todos feitos de magia. A questão é que há os que acreditam nela e são felizes. E, depois, há os que não acreditam. Eu sempre acreditei e, por isso, sempre gostei de ver séries onde ela estivesse presente de qualquer forma. Neste caso, ela está presente a vários níveis. 
Em Once Upon a Time, a magia que vemos à primeira vista é aquela que produz feitiços, que usa pós mágicos, que ressuscita mortos ou que faz desaparecer coisas e pessoas. No entanto, há mais magia para além dessa e penso que, o último episódio da série, deixou isso bem claro. O que mais gostei no término desta série foi mesmo o facto de ter mostrado que a magia mais importante ao longo de cada temporada foi a magia produzida pelo amor. Não importam as maldições, os feitiços, os pós mágicos ou os estalar de dedos... Importa o amor. O amor sob várias formas: entre homem e mulher, pela família, pelos amigos ou, simplesmente, pela vida. E é nessa magia que eu acredito. Acredito que o amor é a coisa mais mágica que existe, e também a mais importante. E é o amor a base de tudo nesta série. O amor que está presente desde o primeiro episódio até ao último.
Gostei bastante da forma como a série terminou: com alguns reaparecimentos de personagens, com o perdão por aqueles que eram vistos como vilões no início da série e muito mais. Isto porque perdoar alguém que antes nos fez mal, é a maior prova de amor que podemos dar. O reaparecimento de algumas personagens mostrou que o amor existe sempre, mesmo que quem amamos não esteja presente fisicamente.
Foi um prazer poder acompanhar esta série pela lição de vida que nos dá. Os bens materiais não importam, não importa onde estamos ou onde vamos. Importa, sim, o que está dentro de nós. Esse é o nosso tesouro mais valioso. 
A par disto, resta-me comentar a excelente escolha dos atores. Os papéis foram incrivelmente bem atribuídos e, imparcialidades aparte, não posso deixar de referir que me apaixonei particularmente pela Lana Parrilla. Uma atriz incrível que deu vida a uma rainha má e a uma Regina fabulosa. Pôs todo o corpo e alma naquela personagem e fez com que ela fosse a minha favorita de toda esta série. No fim, ficam as saudades. E a certeza de que a magia existe enquanto acreditarmos nela.


Acompanharam esta série? O que acharam do final? Qual a vossa personagem favorita?

sábado, 30 de junho de 2018

O poder de observar os outros

sábado, junho 30, 2018 4 Comments

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D.R.

Quando era pequena, dizia que queria ser médica para poder ajudar as pessoas. Desde o momento em que aprendi a falar, comecei logo a ser arrebatada com a pergunta "então, minha menina, o que queres ser quando fores grande?". Nos primeiros anos, respondia que queria ser mãe. Depois, percebi que queria ter outra profissão para além dessa. Então comecei a responder que queria ter uma profissão que ajudasse as outras pessoas e toda a gente, sem excepção, me falava da medicina. "Como queres tanto ser mãe e tens esse gosto tão grande por crianças, podes seguir pediatria".

Durante anos acreditei que podia ser médica. Mesmo quando passava as tardes inteiras em frente a um espelho com um microfone de plástico. Anos mais tarde, percebi que não são as profissões que ajudam as pessoas. Somos nós. Não podemos querer mudar o mundo num estalar de dedos, mas podemos ser o suficiente para mudar o mundo de alguém. Durante anos a fio, senti-me sozinha. Completamente deslocada do resto do mundo. Achava que a minha personalidade não se encaixava. E se os outros não conseguiam chegar até mim, a culpa só podia ser minha. Precisei de um abraço que nunca chegou. Precisei de uma palavra de conforto. Precisei que alguém puxasse a corda mas, na maior parte do tempo, achava que não havia sequer alguém para a segurar. Foi aí que percebi que não são as profissões que ajudam os outros. Somos nós e o nosso olhar sobre eles que, na maior parte das vezes, é inexistente. Só olhamos, nunca vemos. Nunca vemos os pedidos de ajuda discretos ou o olhar lacrimejante. Perguntamos mais vezes um "estás bem?" à pessoa que está conosco todos os dias do que àquele amigo que não vemos há semanas e que pode, de facto, estar sozinho no outro lado do mundo. Só nos preocupamos com o que está mesmo à nossa frente e esquecemo-nos que há mais para além disso. 
Na falta de um abraço ou de uma palavra de conforto, eu escrevia. Escrevia sobre o que sentia, sobre o que queria que mudasse no mundo, sobre o que via, sobre tudo... Anos depois, o microfone de plástico ganhou vida e transformou-se em metal. Escolhi uma profissão que me permitisse ajudar o outro com palavras e com a minha voz. As duas coisas que estiveram comigo nos anos mais duros e que nunca me abandonaram. Aprendi a aperfeiçoar a escrita e a voz para me poder ajudar a mim e aos outros. Não trouxe a minha profissão até mim por ser a mais digna ou a mais incrível. Trouxe-a porque ela sou eu. E eu quero ser eu até ao final da minha vida. Quero observar, ouvir e transmitir histórias. 
Desde que o fiz, a minha vida mudou. Às vezes, as pessoas perguntam-me como é que eu consigo perceber o que vai dentro dos outros sem sequer lhes perguntar. Acham-me louca quando digo que analiso todos os comportamentos de toda a gente que se cruza comigo. Parece psicopata para quem não está habituado a olhar pelo outro. Mas, para mim, é a coisa mais importante do mundo. 
Durante os últimos anos, conquistei muita coisa. E cada conquista deu-me uma sensação incrível. Mas nenhuma me soube tão bem como ler uma mensagem onde uma menina me dizia que "se todos temos um anjo da guarda, então o meu és tu". Uma menina que não me conhece minimamente bem. Uma menina que me faz voltar atrás no tempo. Porque eu já fui essa menina. Já me senti sozinha no mundo e encontrei o meu anjo da guarda. Há sempre alguém no fundo do túnel que aparece e te puxa a corda.
Prometi que, um dia, ia ser o anjo da guarda de alguém e ia puxar a corda que, um dia, quis que puxassem por mim. Hoje foi o dia. E esta sensação vale mais do que qualquer outra que já senti no mundo. E não precisei da minha profissão para mudar a vida de alguém. Precisei apenas de observar os sinais e dizer "relaxa, não estás sozinha, eu estou aqui".


A vida muda num simples sopro. E sempre para melhor. Basta praticarmos o bem.

quarta-feira, 27 de junho de 2018

TOC

quarta-feira, junho 27, 2018 2 Comments
Parte do motivo pelo qual criei este blog foi a minha vontade enorme de contar histórias. Infelizmente, em algum momento da nossa vida, todos nos sentimos sozinhos. No entanto, há milhares de pessoas a sentir o mesmo que nós e nem sempre nos lembramos disso. O meu blog serve para dar voz a pessoas que queiram partilhar as suas histórias e chegar ao coração dos outros. É o caso do Leandro, que decidiu escolher este cantinho para partilhar algo que todos devíamos ler.

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D.R.

O texto seguinte é da autoria do Leandro, de 17 anos.

"Tudo começou quando era apenas uma criança. Eu era normal. Tinha medo do escuro, medo de ser abandonado,... Como todas as outras crianças, eu dependia dos meus pais, na verdade, sempre fui uma criança nervosa desde muito novo, mas o pior aconteceu por volta dos sete aos oito anos quando eu comecei a desenvolver um severo Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC).
Eu não pensei naquilo como uma coisa anormal porque as crianças tentam perceber o mundo com o que lhes é dado, e em tão pouco tempo, estas obsessões e compulsividades tornaram-se na minha realidade. Ainda hoje me lembro da minha primeira obsessão. Durou semanas. Eu vou focar-me apenas nas circunstâncias mais importantes, porque senão eu ficaria aqui por horas e horas e continuaria sem dizer tudo que quero. Voltando à minha primeira obsessão, eu estava a viver na casa do meu irmão temporariamente e eu lembro-me dos vizinhos da frente terem duas estátuas que sempre me assustaram. Neste momento, devem estar a pensar que é completamente normal crianças terem medo de certas coisas e, sim, é verdade, mas o que não é normal é a maneira como o meu cérebro interpretou a realidade à minha volta. Eu lembro-me que se eu fizesse contacto visual com as ditas estátuas, eu acreditava que elas iriam roubar a minha alma e, então, eu fugia o mais rápido possível para a porta de casa do meu irmão e pedia ao adulto que estivesse comigo para abrir a porta o mais rapidamente possível, porque elas viriam atrás de mim. Até agora, isto pode ser visto como um medo muito drástico de alguma coisa, o que também continua a ser, realmente, normal até um certo ponto. Mas o que acontece depois é o que me viria a afetar mesmo oito anos depois (o momento em que estou a escrever isto). A maneira como a minha doença lidou com as coisas prendia-se com eu ter de fazer os malditos rituais quase todas as noites. Ou seja, eu acordava, levantava-me e era obrigado a andar em volta do corredor durante minutos/horas e espreitar o relógio de minuto a minuto. As primeiras partes da noite tornaram-se os meus dias. Eu sofria de ansiedade extrema e não entendia o porquê de este medo que existia na minha cabeça controlar a minha vida. Só sei que não pode ser explicado como “pensamentos”, porque não é isso que eles são. São muito mais que isso. São obsessões no teu cérebro a gritar por ti até não aguentares mais. Teres de te levantar da cama sete vezes, tocares nos joelhos e voltar a deitares-te ou até, neste exato momento em que escrevo isto, eu ter de ter os meus dedos dos pés numa certa posição porque a minha cabeça está a dizer-me que eu vou voltar para o mesmo sítio que acabei de descrever na minha infância só por estar a pensar em tal evento que aconteceu há anos atrás.
Este não foi o único caso. Eu sempre sofri e vou sofrer com estas obsessões todos os dias. Certos dias é mais fácil controlar e ignorar, apesar de conseguir sentir tais obsessões a gritar ao meu ouvido. Mas, noutros dias, durante a minha infância e ainda hoje, elas tornam-se mais fortes que eu. Voltando à minha infância, eu lembro-me de que ir sair com a minha mãe causava-me ansiedade, mesmo pelas coisas mais insignificantes na opinião de pessoas que não sofrem do mesmo problema. Havia dias em que eu simplesmente acompanhava a minha mãe na ida às compras e, por norma, eu passava por postes e, como o passeio era estreito demais, a minha mãe escolhia passar por um lado ou por o outro, enquanto eu era obrigado a passar por um certo lugar ou eu achava que ia ficar preso num mundo diferente. Eu dizia à minha mãe para seguir o mesmo caminho porque, se ela não seguisse esse caminho, coisas muito más iriam acontecer e a culpa seria toda minha. Num dia em que este tipo de obsessão aconteceu, eu chorei por quatro dias porque pensava que a minha mãe era outra pessoa simplesmente vestida na pele da minha mãe. E eu sei que não faz sentido e destrói qualquer tipo de lógica, mas eu devia ter uns nove ou dez anos e pensava que, se a minha cabeça me estava a dizer estas coisas, é porque era verdade. Eu não entendia que o meu cérebro era capaz de mentir a mim próprio, por isso, por mais estúpido que pareça, eu não tinha outra opção a não ser acreditar no que estava na minha cabeça.
Por volta dos onze ou doze anos, eu tentava ir na rua com a minha mãe e, em vez de seguir o caminho mais rápido, as minhas obsessões aterrorizavam a minha mente. Eu achava que. se eu não fosse dar a volta ao parque três vezes antes de seguir aquele caminho, coisas muito más iriam acontecer. 
Aos treze anos de idade, eu mudei-me para a Inglaterra e, dois anos depois, fui diagnosticado com TOC, quando este se tornou tão severo que eu acabei num hospital por não conseguir viver uma vida normal. Depois de estar internado um mês, eu saí e tive direito a terapia, a qual ainda estou a fazer para continuar a lidar com esta doença que me atormenta todos os dias. Foi-me receitada medicação que também me ajuda a controlar o stress das obsessões, mas como anteriormente disse, isto é uma doença séria e eu ainda continuo a sofrer por causa dela. Há quatro semanas atrás, eu melhorei depois de chorar sufocadamente dia sim, dia não, durante seis semanas por causa de uma obsessão muito poderosa. 
Outra coisa que gostaria de dizer antes de acabar este texto é que as obsessões que eu tenho agora são muito mais credíveis e realistas do que anteriormente. Não sou eu a má pessoa, mas sim a minha doença, por isso, se alguma vez alguém se abrir e confiar em ti com este tipo de problemas (o que é preciso muita coragem), por favor, tenta entender e perguntar de que forma podes ajudar. 
Obrigado por lerem a minha história. Eu sei que foi um pouco apressada e que escrevi isto tudo só de uma vez, mas isto são coisas que me dão muita ansiedade, porque a falar nelas faz com que tenham mais poder sobre mim."


Ajudem. Oiçam. Observem. Estejam lá. O significado de viver em sociedade é esse mesmo: estarmos lá uns para os outros.

domingo, 24 de junho de 2018

sexta-feira, 22 de junho de 2018

Serra das Meadas (Lamego)

sexta-feira, junho 22, 2018 2 Comments
Alô, internautas! Agora que (finalmente) estou de volta a este cantinho, não posso deixar de partilhar convosco as aventuras que tenho vivido. Uma das coisas que me apercebi que mudou desde que entrei na faculdade foi o tempo que tenho para mim. Deixei de ter tempo para me divertir, viajar e sempre me foquei demasiado no trabalho e nas obrigações.
No entanto, este ano decidi mudar isso. Talvez tenha sido esse o motivo para ter deixado este cantinho em stand-by. Aproveitei mais o tempo para viver novas experiências e descobrir novas coisas. Descansei. Relaxei. Li. Vi séries novas e filmes novos. Vivi experiências únicas e iniciei novos projetos. Claro que, tendo o dia apenas 24h, tive de me desleixar noutras coisas. Deixei o blog parar e deixei de produzir para o youtube. No entanto, agora que encerrei a etapa que me estava a dar mais trabalho (o ano letivo na faculdade), decidi voltar em força e para ficar, pelo menos até iniciar novamente o próximo ano letivo. 
Assim, e como sei que vocês gostam particularmente de posts sobre viagens, é esse o conteúdo que vos trago hoje.




Se vocês acompanham o meu percurso, sabem certamente que adoro viajar. No entanto, quando matava saudades deste cantinho, reparei que não publico muito acerca disso. Se não me engano, a minha única publicação foi acerca de uma visita ao Castelo de Santa Maria da Feira. Pois é, meus caros, isso vai mudar. Quero muito usar este espaço para vos mostrar por onde ando e o que ando a fazer. E, claro, mostrar-vos sítios novos que vocês podem (e devem!) conhecer.




Quando fiquei oficialmente de férias da faculdade, uma das coisas que prometi fazer mais durante este verão foi, sem dúvida, viajar. Ao estar na rádio e no jornal, acabo por ter sempre muito trabalho durante esta época do ano, principalmente porque cubro sempre alguns festivais e eventos e, portanto, o tempo que tenho para viajar ou ler é escasso. Assim, fiz uma promessa a mim mesma: aprender a descansar mais e gerir melhor o meu tempo. Principalmente porque quando trabalho demais durante esta época, começo sempre o ano letivo seguinte demasiado cansada, como se não tivesse tido férias. Assim, comprometi-me a viajar mais e a conhecer novos lugares como forma de "me obrigar" a parar por uns instantes.
Nos primeiros dias de férias quis logo ir passear para libertar o stress que tinha acumulado desde setembro quando, felizmente, iniciei o meu mestrado. Enquanto pensava no lugar que queria visitar, apercebi-me de que queremos sempre visitar sítios que estão mais longe de nós do que perto. "Há tanta coisa ali ao lado que não conhecemos", pensei eu. E é bem verdade. Se for preciso, conheço mais outras zonas do país do que aquela onde cresci. Decidi mudar isso e começar por conhecer o que me rodeia. E isso traduziu-se num outro desejo: primeiro, conhecer Portugal. Depois, o resto.
Assim, esta primeira paragem que vos trago deste verão é a Serra das Meadas, em Lamego.





Quando era pequena, acreditava que podia tocar nas nuvens. Esse era o meu maior desejo para quando crescesse: tocar nas nuvens e alcançar o céu. Assim, quanto mais próxima eu estiver do céu, mais feliz me sinto. E este local é ideal para isso. A uma altitude de 1122m, quase podemos sentir que tocamos as nuvens de tão próximas que as vemos. E o céu... Ah, o céu. Estava um azul tão bonito como eu nunca vi. É nestas alturas e perante esta beleza que percebo o quão perdemos tempo ao não aproveitar o que a natureza nos dá.







Para quem, tal como eu, ama a natureza, este espaço é fantástico. Penso que uma das suas maiores qualidades é a sua flora. Há imensas plantações e vegetações. O verde predomina, mas também é possível ver uns amarelos e alaranjados ao longo de toda a serra.






Para aqueles que, como eu, são curiosos quanto à famosas "ventoinhas" que podemos ver no cimo da serra, a Serra das Meadas mostra-vos o Parque Eólico que vos aconselho a visitar. É incrível (e, para mim assustador pelo tamanho das ventoinhas ahah).






Para além disso, é obrigatório verem o Miradouro da Serra das Meadas. Tem uma vista absolutamente fabulosa e arrebatadora.




Por visitar (e por falta de tempo), ficou o Parque Biológico, onde se encontram diversas espécies animais e vegetais autóctones da região. Como o parque é bastante grande e o tempo era escasso, ficou reservado para uma próxima visita. Desta forma, fiquem atentos porque, em breve, conto-vos tudo sobre ele.









quinta-feira, 21 de junho de 2018

Palcos terapêuticos

quinta-feira, junho 21, 2018 1 Comments
Alô, internautas! É verdade que tenho estado ausente deste cantinho e perdoo-vos se já se tiverem esquecido de mim (ai de vocês!). No entanto, o motivo da minha ausência ao longo deste último meio ano é um excelente motivo.
Como sabem -por já o ter partilhado aqui no blog-, entrei no mestrado em Jornalismo e Comunicação, na FLUC e quis dedicar-me a 100% a ele. O blog acabou por ficar um bocadinho para trás por ter de me dedicar ao mestrado e por fazer parte da rádio e de um jornal online. Portanto, foi um ano de loucos, é verdade. Mas compensou imenso. E, apesar de ter sentido saudades deste cantinho, tomar a decisão de me afastar por uns tempos foi fulcral para o meu bom aproveitamento nas outras áreas. E a prova disso foram os resultados e as aventuras que fui vivendo. Conheci novas realidades e vivi experiências que me marcarão para sempre. Algumas delas até fui partilhando aqui conforme fui conseguindo.
O post que vos trago hoje não só marca o meu regresso como tem o objetivo de vos mostrar um dos resultados da minha ausência ao longo dos últimos meses. Há umas semanas (se não me falha a memória), partilhei convosco a minha curta-metragem. A primeira que realizei. Foi um desafio que consegui superar com sucesso e orgulho. Agora, partilho convosco o trabalho que fiz com a maior paixão do mundo. Como sabem, a rádio é a minha vida. Aquilo que me inspira a ser melhor todos os dias. E, dentro da rádio, fazer reportagens é das coisas que mais me dá prazer. Quando surgiu a oportunidade de fazer uma Grande Reportagem para uma cadeira da faculdade, não desisti até me dizerem que a podia fazer em formato radiofónico. E depois? A escolha do tema foi fácil. Quis juntar duas áreas que amo num trabalho só: a rádio e o teatro. Por isso, lancei mãos à obra e fiz a reportagem sobre a forma como o teatro pode ser visto enquanto uma terapia. Investiguei, ouvi diversos "não" e chorei bastante porque via tudo a conspirar contra mim. A parte mais difícil do trabalho jornalístico é que, por vezes, as pessoas não colaboram e tu tens de dar a volta e não deixar o trabalho desaparecer. Finalmente (e depois de muito procurar e batalhar) consegui recolher testemunhos de pessoas ligadas ao psicodrama (terapia que usa técnicas teatrais) e da APPACDM (onde pude falar com utentes com diversas deficiências mentais que me disseram que o palco as libertava e lhes dava autonomia).
Este foi, sem dúvida, um trabalho que me levou às lágrimas pelas realidades que conheci, pelas experiências que vivi e pelo resultado final que, no fundo, superou as minhas expectativas. Quanto ao processo, não sei do que gostei mais. Se escrever o texto, gravar as entrevistas ou editar tudo. É este o poder que a rádio tem em mim. Não consigo decidir o que mais gosto de fazer dentro deste mundo, porque tudo é mágico. Tudo me faz sentir livre. Tudo me encanta. E sou tão feliz a fazer isto que tudo o que mais quero é fazê-lo para sempre.
O que aqui em baixo vos mostro é o resultado deste trabalho que fiz com todo o amor do mundo. Oiçam-no e percebam o encanto da rádio. O encanto do teatro e valorizem estes dois mundos. É isso que eu mais quero: que as pessoas valorizem mais estas que são as minhas duas maiores paixões. 

Grande Reportagem disponível aqui.

sexta-feira, 1 de junho de 2018

Daniel Guedes: «Há reações sempre muito boas e expansivas que torna tudo muito motivante.»

sexta-feira, junho 01, 2018 1 Comments

Tudo começou aos oito anos de idade, quando recebeu a sua primeira caixa de magia. Naquele momento, soube que queria ser mágico.
Hoje, vinte e cinco anos depois, Daniel Guedes é um dos mais reconhecidos ilusionistas portugueses. Na sua carreira, o mágico de Matosinhos conta com diversos prémios e inúmeras participações televisivas sendo, atualmente, mágico residente no programa “À Conversa com Ricardo Couto”, no Porto Canal, e mágico oficial da UEFA.
Por gostar de desafios e de se pôr à prova, Daniel decidiu participar na edição deste ano do programa “Got Talent Portugal”, na RTP. E, mais recentemente, presenteou-nos com o espetáculo “52”. A Casa em Movimento (Matosinhos), idealizada pelo arquiteto Manuel Vieira Lopes, foi o local escolhido para Daniel fazer magia non stop durante 52 horas. Assim, das 10h do dia 25 de maio às 14h do dia 27 de maio, Daniel Guedes adotou a Casa em Movimento como sua casa e realizou diversos espetáculos de magia para quem quisesse assistir. Tudo o que o público tinha de fazer era tocar à campainha e, independentemente da hora que fosse, o mágico abria as portas da sua casa e, imediatamente, realizava um truque de magia.
Dois dias depois desta aventura, o Jornal Mira Online encontrou-se com o Daniel que, ainda visivelmente cansado, nos contou como viveu esta experiência.

Fotografia gentilmente cedida por Daniel Guedes

Daniel, já conseguiste recuperar as horas de sono? (risos)

Ainda não totalmente (risos). Mas hoje já estou bastante melhor. Já passaram três dias. Portanto, isto foi no domingo… Hoje é quarta, certo? (risos)

Ainda estás meio perdido nos dias (risos)
Ainda estou meio baralhado. Mas já estou muito melhor. Segunda-feira foi o dia mais complicado, naturalmente. Agora já estou mais recuperado.

Tinhas algum plano já preparado para conseguir estar 52 horas fechado no mesmo sítio?
Descansei o máximo possível nos dias anteriores e também reservei os dias seguintes para poder estar mais descansado. Acima de tudo, nem é dormir muito nos dias seguintes, é mesmo não ter coisas com que me preocupar.

E mesmo lá dentro, podias sempre tirar uns minutos para descansar…
Sim e tive que o fazer senão não me aguentava (risos).

Tens noção de quantas vezes ouviste a campainha tocar?
Não, foram muitas. E bater à porta. Inclusivamente, houve duas ou três vezes que eu já estava a dormir e tocaram à porta. Eu acordei, fui abrir e fiz magia. Assim, meio ensonado, de pijama… (risos).

E os truques surgiam-te na hora? Tu acordavas e sabias logo o que ias fazer?
Sim. Claro que eu levei um reportório grande para o evento, portanto, levei uma lista de várias dezenas de números para apresentar. Mas no momento é que decidia o que me apetecia fazer, também em função do público.

Conta-nos um bocadinho de como foram esses três dias.
Foi uma experiência muito gira. Recebi a visita de vários amigos. E, basicamente, eu estive disponível durante 52 horas consecutivas para fazer magia. Nos momentos em que não havia público, era quando eu aproveitava para tentar descansar. As manhãs eram um pouco mais calmas, mas as tardes e a noite era sempre a andar (risos). Às vezes tive dificuldades em arranjar tempo para conseguir comer. Mas a experiência excedeu todas as expectativas e estou a ponderar repetir.

Este tipo de iniciativas é sempre interessante porque tu nunca sabes muito bem o que esperar. Houve algum acontecimento que te tivesse marcado particularmente durante essas 52 horas?
Várias coisas. Acima de tudo, deu para rever imensos amigos que já não via há imenso tempo. Por outro lado, as reações do público são sempre o melhor de tudo. Se calhar até mais das crianças. Há reações sempre muito boas e expansivas que torna tudo muito motivante.

2018 é também o ano que marca a participação de Daniel num concurso televiso. O mágico marcou presença no programa “Got Talent Portugal”, na RTP , onde chegou às semi-finais.

Há pouco tempo concorreste ao Got Talent Portugal. O que é que te levou a participar num programa televisivo?
Em primeiro lugar, o desafio. Gosto do espírito da competição e de me pôr à prova. E, portanto, entrei com o objetivo de ganhar e de ser o primeiro mágico a vencer este tipo de programas em Portugal. Em segundo, naturalmente o objetivo de me divulgar e tornar o meu trabalho mais conhecido e esse objetivo foi completamente conseguido.

Como referiste, nunca nenhum mágico ganhou um concurso de talentos. Achas que as pessoas ainda não estão preparadas para dar a vitória a um mágico?
Acho que sim. Isso viu-se nas atuações que chegaram à final. Essencialmente eram, ou da área de música, ou de dança, e isso é o que se verifica ano após ano nestes programas. E acho que, fora dessas áreas, haviam atuações incríveis. Por exemplo, o Bruno Rosa, o NTS,… Se calhar o público, por algum motivo, não se sente atraído para este tipo de talentos e vai sempre parar novamente à dança ou aos cantores que, obviamente, não têm culpa nenhuma disso porque também são muito bons!

É diferente fazer magia na rua e na televisão?
Sim, claro. Quando estamos a fazer magia em televisão, o público são as câmeras. Se é em direto ou se é gravado também é diferente. Às vezes pode ser mais difícil conseguir passar a mensagem. Mas acho que o essencial é o mesmo: surpreender e fazer as pessoas sonhar.

Tu dás muita importância à proximidade com o público e isso viu-se no programa…
Sim, aliás, na primeira vez, envolvi a plateia toda. Distribuí 52 baralhos de cartas. E, na atuação seguinte, também envolvi a plateia toda com uma bola gigante que andou a passear pelo meio do público para fazer a escolha aleatória dos espetadores que eu precisava.

A magia torna-se mais real quando a pões nas mãos das pessoas?
Eu acho que sim. O melhor número não é, necessariamente, aquele número grande em que se faz desaparecer um avião ou uma estátua. Eu acho que o melhor número pode ser aquele que acontece na mão do espetador, porque a pessoa diz “estava na minha mão e desapareceu”. Eu acho que isso tem um potencial e um impacto junto do espetador muito maior.

E o espetador ainda percebe menos de que forma aquilo aconteceu… (risos)
Sim, naturalmente que sim. Mas eu costumo dizer que o espetador também tem de ter o compromisso de se deixar enganar. Tem de se deixar levar. É um acordo. Eu estou aqui para iludir, mas as pessoas também têm de se deixar ser iludidas e não estarem do início ao fim a tentar perceber como é que foi feita a ilusão. Acho que é difícil, mas é melhor para o espetador abstrair-se de como foi feita a ilusão e, por momentos, acreditar que não há mesmo impossíveis e que a magia existe.

Saber como se faz nunca te desiludiu?
O que me motivou no início foi, ao assistir um espetáculo de magia, vivi a magia de tal forma que pensei “mais do que querer saber como é que isto se faz, eu quero provocar aos outros isto que estou a sentir”. Foi isso que me motivou a ser mágico.

Saberes como se faz não tirou a magia à magia…
Não. O segredo não é o principal. Obviamente, sendo mágico, sei como são feitas praticamente todas as ilusões de todos os mágicos do mundo e continuo a gostar de ver um bom espetáculo de magia. Consigo apreciar a parte mais técnica e ver a capacidade de comunicação do artista. No fundo, é como na música: qualquer um de nós conhece a escala de notas. A escala é como se fosse o segredo da música. Mas a sequência com que essas notas são colocadas numa melodia faz com que nós gostemos do que estamos a ouvir. Acho que a magia é a mesma coisa. Conseguimos disfrutar mesmo sabendo o segredo.

E achas que a magia deve ser reinventada? Ou seja, tornar um truque que já foi visto imensas vezes em algo diferente…
Eu tenho essa preocupação. Eu gosto muito de pegar nos clássicos da magia e tentar dar-lhes um toque pessoal e apresentar as coisas à minha maneira.

É essa originalidade que consegue levar um mágico a viver só da magia em Portugal? Porque não é fácil viver apenas da magia no nosso país…
Em Portugal é um bocadinho difícil viver do que quer que seja (risos).  Acho que sim. Acho que o sucesso de um artista passa pela originalidade. No caso da magia, acho que passa muito pelo que eu chamo as “artes anexas” à magia. É muito importante a originalidade, a comunicação, a apresentação, a forma como se trata e se fala com o público… A verdade é que eu reparo que as pessoas que veem hoje o meu espetáculo amanhã lembram-se de um ou dois números, no máximo. Mas ficam com a sensação de que foi divertido. É isso que fica na memória das pessoas, não é o truque propriamente dito. Portanto, tudo isto que está à volta da parte mais técnica é tão ou mais importante do que a execução.

Um talento exige sempre muito trabalho. Em média, quanto tempo praticas?
Depende das fases em que estou do espetáculo. Se for num espetáculo que está em fase de criação e de estreia, requer mais trabalho e mais prática. Se for em espetáculos que já estão mais construídos e preparados, é preciso ir fazendo uma revisão da matéria antes de apresentar no espetáculo.

Relativamente a próximos espetáculos, por onde vais estar e o que vais estar a fazer?
Eu vou andar em tour depois do verão, a partir de outubro. Vai chamar-se “52”. Esta coisa das 52 horas (risos). Tem a ver com o número de cartas de um baralho. Vem da minha influência por parte da matemática. Eu gosto muito de números e da simbologia que lhes está associada. Este espetáculo vai ser, sobretudo, sobre magia com cartas. Mas não só. E este evento de 52 horas de magia non stop foi a primeira ação promocional que, como correu mesmo muito bem, estou a pensar repetir. Portanto, andar um pouco pelo país a fazer mais sessões de 52 horas de magia. Esta sexta-feira, dia 1 de junho, vou estar na Casa da Música. Na celebração do Dia Mundial da Criança, vai haver um espetáculo de acesso livre, no exterior da Casa da Música. Eu vou estar a fazer magia, mas vai haver também um espetáculo de marionetas e um malabarista e equilibrista (André Borges). Vai ser um espetáculo desde as 10h até às 16h.

Fotografia gentilmente cedida por Daniel Guedes


Entrevista publicada em Jornal Mira Online.


quarta-feira, 30 de maio de 2018

Desculpa, não te quis magoar

quarta-feira, maio 30, 2018 2 Comments


Nem sempre magoamos com intenção. Às vezes, magoar alguém é só uma forma de cuidarmos de nós. É um alerta. Uma forma de nos resolvermos. Por vezes, magoar o outro é a única forma de solucionar um problema que insiste em não desaparecer.
Todos já passámos por uma situação em que sabíamos que, se disséssemos ou fizéssemos determinada coisa, íamos magoar outra pessoa. Mas também sabíamos que essa era a única forma de resolvermos os nossos problemas. A verdade é que todos temos personalidades diferentes e, por isso, às vezes entramos em conflito. Para não magoarmos o outro guardamos o que sentimos e vivemos esse problema até à exaustão. Protegemos tanto o outro que nos esquecemos da pessoa que mais precisa da nossa proteção: nós mesmos. Tudo tem limites e chega o dia em que não aguentamos mais. Assim, decidimos pôr a razão à frente do coração e tomamos a decisão que nos parece mais lógica: resolver os problemas que nos sufocam.
Desta forna, às vezes temos de magoar para sairmos de determinados problemas porque, na verdade, em determinadas situações, o outro só percebe que vivemos assombrados por um problema quando o magoamos. Às vezes, magoar alguém é a melhor forma de a proteger. Porque cresce. Porque reflete e, mais tarde, entende. Só assim se resolve o problema. E, no fim, a sinceridade é o caminho.
A frase “Desculpa, não te quis magoar” pode, realmente, ser o caminho. Porque, de facto, na maior parte das vezes em que magoamos alguém, não queremos magoar. Acontece porque todos temos sentimentos e nem sempre sabemos geri-los. A solução é a comunicação. Dizer ajuda sempre. E, no fim, tudo fica melhor.

Publicado em Repórter Sombra

sábado, 19 de maio de 2018

Viver com ansiedade

sábado, maio 19, 2018 2 Comments



A única certeza que tinha era a de que queria retratar algo que fosse meu. O curioso de fazer um trabalho sobre a ansiedade é que ele foi o motivo da minha ansiedade ao longo dos últimos meses ter disparado para um nível nunca antes visto. Chorei quase todas as noites e, quando finalmente conseguia adormecer, era invadida por pesadelos que não me davam descanso. Pensei desistir uma data de vezes porque achava que nunca ia conseguir retratar aquilo que vivo todos os dias, a toda a hora.

Detetei este transtorno pouco antes de entrar na faculdade, mas os sinais começaram muitos anos antes. O problema é que eu própria pensava como grande parte das pessoas. "É tudo normal, faz parte do stress". O nervosismo era normal, o tremer fazia parte e a falta de ar também. Até ao dia em que tive um ataque que me tirou as forças ao ponto de pensar que ia morrer. Nunca me vou esquecer do olhar do meu irmão quando me viu deitada no chão sem conseguir respirar e a soluçar enquanto arranhava todas as coisas à minha volta. Foi aí que tudo se tornou evidente. Para mim, porque para as outras pessoas, muitas vezes, continua a ser tudo normal. É difícil ter de explicar trinta vezes por dia que as minhas mãos tremem mesmo que eu esteja 100% calma. É difícil explicar porque é que já acordo cansada. É difícil fazer as pessoas entender que há momentos em que tudo me irrita, em que preciso de estar sozinha porque o simples respirar da pessoa ao lado me faz ficar ansiosa. No geral, é difícil fazê-las entender. Principalmente quando ouvimos coisas como "todos somos ansiosos de vez em quando". Bem, ser ansioso e ter ansiedade são coisas completamente distintas. 
Pensei em desistir e voltar para casa. Descansar até achar que estava pronta para voltar. Os prazos, ai os prazos... São horríveis para todos, mas para uma pessoa ansiosa são a tortura total. Mudei o rumo deste trabalho umas quantas vezes porque achava que nunca ia ter tempo para nada e nunca nada estava bem. Cansei-me, chorei, parti umas quantas coisas e voltei a tentar. Isto todos os dias. A Sofia expôs-se. A Liliana tirou tempo e mais tempo para estar ali, a dar tudo de si. Foram as minhas duas âncoras. 
Quando, em frente ao professor, tive de explicar cada uma das minhas ideias, não hesitei em dizer: "quero mostrar que a ansiedade não é uma coisa pontual. Nós não somos ansiosos só quando temos um ataque. Somos ansiosos todos os dias, a toda a hora e temos de aprender a viver com isso". Por isso, não me interessa mostrar o que vai na nossa cabeça no dia a dia. É comovente, mas ninguém ia compreender de qualquer forma. Só nós sentimos e cada um sente à sua maneira. Mas quis, com toda a certeza, mostrar os pequenos sinais. Às vezes eles são tão explícitos e ninguém percebe por ser "normal". Nem sempre é. "Afinal, numa sociedade precisamos todos uns dos outros e, por vezes, os olhares que parecem não transparecer nada estão, na verdade, carregados de sofrimento. Um simples olhar ou um conjunto de rabiscos num caderno podem, na verdade, ser pedidos de ajuda camuflados."

terça-feira, 8 de maio de 2018

Viver com ansiedade

terça-feira, maio 08, 2018 3 Comments

Pensei que ia enlouquecer. O coração começou a saltar de uma forma alucinante. Deixei de ter controle na minha respiração e o meu corpo começou a ficar fraco. Viver com ansiedade é isto.
Um dia perguntaram-me se eu já me tinha sentido discriminada por sofrer de ansiedade. Sem querer, um “sim” saiu-me da boca. Engraçado, nunca tinha pensado nisso mas a resposta tinha saído de forma completamente natural. Acho que o meu interior já a sabia há muito tempo. A verdade é que não é fácil seres compreendido numa situação destas. És o mimado, o fraco, a vítima... Acho que só quem passa, sabe. E muitas vezes nem esses. Porque todos somos diferentes e se vives bem com o facto de seres ansioso, vais sempre ver de forma diferente aquele que tem dificuldades em enfrentar o mesmo problema que tu, ao teu ritmo, enfrentaste.
Não é só “ansiedade”. Muitos generalizam como se fosse uma coisa natural. É estares sentada a ouvir uma aula e do nada o teu corpo começar todo a tremer e tu ficares completamente em pânico porque não queres que ninguém repare. Porque sabes que vão olhar para ti com aquela cara de “está a tremer, porque é fraca e está nervosa”. É estares 100% segura de que aquele exame vai correr bem, mas a tua mente insitir em dizer-te “não sejas assim, é óbvio que vai correr mal”. É quereres viver um dia de cada vez mas ouvires o teu cérebro dizer-te “qual futuro? vais ser tão infeliz. Não vais ser nada daquilo que queres”. Mas tu és uma pessoa positiva. E as pessoas sabem disso e, por isso, não querem saber dos dias em que estás mais negativa. “Oh dizes isso mas...”, “oh, amanhã já estás toda animada outra vez”. E isso só mexe mais com os teus nervos. O sangue começa a ferver, o coração a acelerar, as mãos a tremer, ouves as vozes lá no fundo, parece que vais desmaiar. Arranhaste umas quantas vezes porque precisas de libertar energia. Partes umas quantas coisas. Choras, gritas “mas eu sou fraca às vezes, também preciso”. Tiras um tempo para ti. Mandam-te mensagens, chamadas,... “Está estudar”, pensam eles. Abres a porta, sais do quarto, bebes um copo de água, tomas mais um daqueles medicamentos que estás farto de tomar mas que sabes que são essenciais para aguentares mais uma semana de tormento e depois voltas a sorrir. Passado umas horas, está tudo bem. Já acreditas na vida outra vez. O sorriso torna-se verdadeiro. Mas choras porque naquela hora e meia no teu quarto eras só tu. Só tu e a tua ansiedade. E sabes que vai ser sempre assim porque, por mais que as pessoas digam que entendem, nunca entendem. Afinal, somos todos diferentes. E ninguém tem culpa de não entender, exatamente por esse motivo.
Durante estes 3 anos de Licenciatura percebi que a ansiedade não é a pior coisa do mundo. E não é por ser “normal”, como muita gente acha. Mas porque durante estes 3 anos foi a minha companhia diária. Eu aprendi a lidar com ela e ela aprendeu a lidar comigo. Ela ensinou-me a ser mais egoísta e a preocupar-me, em primeiro lugar, comigo. E eu aprendi com ela que mais importante que a nossa saúde física é a nossa saúde mental. Agora, não tenho vergonha de dizer “sou uma pessoa ansiosa” por medo do revirar de olhos do outro lado. A ansiedade ensinou-me que as outras pessoas são apenas isso: as outras pessoas.


Nunca fez tanto sentido.

domingo, 22 de abril de 2018

Paulo Azevedo: «Se falharem, voltem atrás e façam outra vez»

domingo, abril 22, 2018 3 Comments

É orador motivacional, escritor, atleta paralímpico, treinador, apresentador de televisão e ator. Para Paulo Azevedo, não há limite para os sonhos.
Mostrar ao mundo que “ser diferente não é sinónimo de ser inferior” é um dos objetivos que Paulo tenta transmitir desde o dia em que nasceu, em 1981. Estudou Jornalismo, na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (FLUC) e, posteriormente, Representação e Cinema, na Universidade Lusíada de Lisboa (ULL). Representou Portugal como atleta paralímpico de natação e, em 2016, conquistou o 2º lugar na maratona de Nova York, na sua categoria. E, no Teatro –outra das suas grandes paixões-, integra a Companhia Locumotiva.
Paulo Azevedo também ficou conhecido no universo televisivo ao dar vida a personagens nas novelas Os Nossos Dias (RTP), Rosa Fogo (SIC) e Sol de Inverno (SIC) e por vencer o programa Splash (SIC). Atualmente, na televisão, Paulo é apresentador do programa Consigo, na RTP2.



Fotografia cedida por Paulo Azevedo


O Paulo acredita que “ser diferente não é sinónimo de ser inferior”. Alguma vez se sentiu ou o fizeram sentir-se inferior?
Não, nunca me senti inferior apesar de as pessoas, quando eu era pequenino, me verem ao colo da minha mãe e me chamarem “coitadinho” e dizerem que mais valia não ter nascido. Mas eu não me sentia inferior porque a minha família, desde muito cedo, ensinou-me a aceitar-me como sou e a gostar de mim. Eu recarregava-me na frase “mais valia não ter nascido”, por isso, nunca me senti inferior.

Hoje em dia, é orador motivacional, escritor, atleta, treinador, apresentador de televisão e ator. Na vida há sempre espaço para sonhar. Onde é que devemos ir buscar força para continuar a lutar pelos nossos sonhos?
É uma questão um pouco subjetiva, porque cada um tem o seu método e vais buscar forças onde se sente melhor. Eu, por exemplo, vou buscá-las às coisas mais simples da vida: ao amor da minha família, dos meus filhos, do meu avô, da minha mãe... Recarrego-me muito nos falhanços. Acho que, para vencer, temos de falhar. Todos os dias. E não me vou abaixo com os “não’s” porque acho que, no meio de tantos “não’s”, vais ter um “sim” e esse “sim” é muito mais saboreado e muito mais forte. Então eu recarrego-me um bocadinho naquilo que me rodeia. Nas coisas simples: no abraço da minha avó, no beijo da minha mãe,...

Dia 17 de abril vai marcar presença num dos maiores eventos motivacionais já realizados em Portugal. Qual a importância que isto tem para si? Porque, muitas vezes, quando ouvimos falar de oradores motivacionais pensamos apenas no bem que eles podem levar aos que os ouvem...
Eu acho que estes eventos são muito importantes. São dos poucos eventos gratuitos para estudantes a partir dos dezasseis anos. Acho que deveriam ser todos gratuitos, porque a mensagem que é passada, apesar de serem três histórias diferentes, é a mesma: a superação. Eu acho que vai ser um momento único.

Nós temos que ser pessoas positivas para transmitir positividade aos outros?
Claro. As más energias sentem-se e as boas também. E se fores uma pessoa pessimista e negativa vais passar essa mensagem às outras pessoas, mesmo que não o estejas a dizer. Isso sente-se.

Tem consciência de quantas vidas já mudou por partilhar a sua história?
Assusta-me um bocado. Às vezes as pessoas perguntam-me se eu me considero um exemplo. Não, não considero. Porque eu apenas conto a minha história e a minha história não era nada se não fosse a minha família e os meus amigos a formarem-me. Sozinho não conseguia nada, por isso acho que são eles mais exemplos do que eu. Eu apenas me limitei a usar as ferramentas que eles me puseram e acho que o nosso pior inimigo somos nós próprios. És tu que defines as tuas barreiras e és tu que decides se é impossível ou não.

Ou seja, as limitações que nós temos acabam por resultar de um processo mais psicológico do que físico...
Sim, claro. Tu é que decides. “Ai, eu não sou capaz”, só essa simples frase faz voltar atrás. O único conselho que eu dou às pessoas nas minhas palestras é que não vivam no “e se”. “E se eu fosse...”, “e se eu tivesse feito...”. Não! Façam! Vão! Se falharem, voltem atrás e façam outra vez. Nunca podemos viver na incógnita. Nunca. Não podemos viver no “e se”, senão nunca somos felizes.

É mais difícil lidar com estas questões quando somos crianças e as crianças à nossa volta não compreendem ou quando somos adultos e convivemos com adultos que, muitas vezes, são mais egoístas?
(Risos) É mais na base dos adultos. O meu filho, por exemplo, não vê diferenças. Para o meu filho, eu sou normal porque o amor vence todas as barreiras. Não é cliché, vence mesmo. Para a minha mãe, sempre fui normal, e as crianças por vezes são inocentes. A diferença é que não veem com maldade e, por vezes, os adultos veem. Os adultos veem a diferença ainda como inferioridade. As crianças não.

Como acabou de referir, o Paulo é pai. Tem alguma preocupação especial na educação que transmite ao seu filho?
Nenhuma. Aliás, tenho! Valores! A encarar a diferença como um pormenor, só... E a não julgar, a dar oportunidades primeiro. E se ele algum dia me fizer perguntas, eu vou explicar. Mas não faz... Ele nunca me tentou calçar, nem nada dessas coisas... Porque sabe que eu não tenho. E sabe que eu sou apenas diferente. E, para ele, a diferença é uma normalidade.

O que é que, de verdade, importa na vida do Paulo?
Não desistir nunca.


“O que de verdade importa”  é o nome de um dos maiores eventos motivacionais realizados em Portugal. Paulo Azevedo vai marcar presença numa noite que promete transmitir boas energias a milhares de pessoas, no Campo Pequeno, em Lisboa, a 17 de abril.

Com o objetivo de “promover o desenvolvimento e a difusão dos valores humanos, éticos e morais universais para o público em geral principalmente por meio do desenvolvimento de atividades culturais”, o programa da fundação tem início às 9h30m e conta com Joe Santos, Paulo Azevedo e Pedro García Aguado como oradores.



Publicado em Jornal MiraOnline


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