segunda-feira, 22 de julho de 2019

Sérgio Godinho: «Para que este fevereiro dure para sempre, basta que os leitores não o esqueçam»

segunda-feira, julho 22, 2019 6 Comments

Sérgio Godinho é um apaixonado pela literatura. Nascido em Figueiró dos Vinhos, foi esta a localidade que despertou o seu interesse pelas palavras e que, em 2010, lhe deu o primeiro lugar no concurso de escrita “A minha melhor história em inglês”.
Ao 19 anos, iniciou o curso de psicologia, na Universidade do Minho (UM), em Braga. Curso que serviu de inspiração à criação do novo livro Vita Apparatus –um romance sobre a luta da mente humana, que conta a história de um personagem que decide ativar um clone seu, anteriormente adormecido na máquina da vida.
“O romance sobre fevereiro que durará para sempre” é da autoria de Sérgio Godinho que, gentilmente, contou tudo ao Repórter Sombra sobre o nascimento deste livro. 


Sérgio, o que pode fazer este fevereiro durar para sempre?
Uma estória passa a pertencer ao público assim que é editada. Por isso, para que este fevereiro dure para sempre, basta que os leitores não o esqueçam. Que espalhem a palavra.

Em que é que se baseia esta máquina da vida de que fala no seu livro?
Se o que estás a escrever não tem a mínima hipótese de se tornar o melhor que já escreveste, recomeça. Creio que é esse o meu lema. Quando comecei Vita Apparatus queria criar a melhor obra que já tinha escrito até então. Não sei se o atingi. Eu penso que sim, caso contrário nunca o teria editado. A Máquina da Vida foi o ponto de partida. A vida a nascer por vontade do Homem. De súbito, uma figura divina entre mortais. Pareceu-me um bom ponto de partida.

O Sérgio tem 26 anos. Se pensamos que ainda é jovem, ficamos ainda mais surpresos quando percebemos que, aos 17 anos, venceu um concurso de escrita. Quando e como surgiu este gosto por transpor histórias para o papel?
A arte não deve ser uma competição. Livros não devem ser escritos para ganhar prémios. Estórias que nascem para satisfazer júris não têm outro propósito.
Comecei a escrever estórias quando tinha 15 anos. Fi-lo de uma forma descomprometida. Era apenas um jovem a fazer algo que gostava. Nunca pensei em editar. Alguns jovens formam bandas. Outros gostam de experiências científicas. Eu gostava de escrever estórias.

Há muitos escritores que dizem que escrevem mais por necessidade do que por vontade. É o seu caso?
A minha vida é simples: se não estou a escrever, estou a pensar em escrever.
Penso que um escritor deve ser como um maestro. Tudo o que é escrito deve estar preparado para causar uma reação no público. Fazer parte de um todo. É isso que me fascina na escrita: o poder das letras. Se consigo imaginar uma vida sem escrita? Consigo. Também consigo imaginar um mar sem qualquer peixe. Ambos os cenários são igualmente terríveis.

E prefere escrever mais sobre si ou sobre aquilo que o rodeia?
Gosto de escrever sobre o que ainda ninguém viu. “Ficção especulativa” é como Margaret Atwood lhe chama. Creio não existir nome melhor. Sou um eterno fascinado pelo “e se…”.


Apesar deste gosto pela escrita, estudou psicologia, o que é curioso tendo em conta que este seu livro explora a mente humana. A psicologia foi uma ajuda para o escrever?
A psicologia foi a origem. Sem a minha formação académica, este livro nunca existiria. Conhecer um pouco melhor os caminhos da mente humana é uma ajuda para a escrita. Sempre que falo da minha formação académica com amigos, faço questão de referir que psicologia é o curso perfeito para quem quer escrever. Todas as estórias têm algo vital em comum: pessoas.

Acredita que o sítio onde crescemos influencia o nosso modo de ver a vida?
O local onde crescemos e as experiências que vivemos moldam a nossa forma de ver o mundo. Não é uma opinião. É um facto. Tento ter isso em conta quando construo personagens. Se uma personagem tem alguma opinião forte sobre algo, essa conceção deverá ter raízes fortes. Ou seja, para construir personagens multidimensionais, temos que construir um passado forte. Sem isso, não há presente que lhe valha.

É difícil ser-se um autor independente em Portugal? Porquê?
Ser um autor independente em Portugal é uma loucura. Não tem outro nome. Não dá dinheiro. Não dá reconhecimento. Poucas pessoas compram livros. Menos ainda são os que os lêem. Alguns dizem que leram, mas não o fizeram. Grande parte dos leitores critica o nome do personagem, a casa onde vivem e até as flores que metemos no quintal. E, enquanto isso acontece, os escritores independentes preferem acotovelar-se uns aos outros, na tentativa de chegar a um cume literário imaginário, ignorando que somos a salvação uns dos outros. Em Portugal, pelo menos, somos todos loucos. Queremos viver das letras num país que não gosta do seu sabor.

O que o levou a optar por esse caminho?
A receita para criar um escritor independente em Portugal é fácil de decorar. Basta pegar num sonhador, tirar-lhe o bom senso e colocar-lhe um computador à frente.

Se pudesse ativar um clone seu para lidar com uma parte da sua vida, para onde o encaminharia?
Eu nunca o ativaria.


Publicado em Repórter Sombra

quinta-feira, 18 de julho de 2019

ADN: «O teatro é dar e receber. É um jogo como um passar da bola entre nós no palco e o público na plateia»

quinta-feira, julho 18, 2019 4 Comments

A Companhia de Teatro ADN dedica-se à criação. Com sede em Coimbra, os ADN criaram uma proposta com o objetivo não de levar as pessoas ao teatro, mas de levar o teatro às pessoas. Deste modo, todos os espetáculos são preparados de forma a poderem ser levados a diferentes espaços físicos, promovendo uma maior aproximação com o público.
Escolas, salas de espetáculo, bibliotecas, lares, instituições e festas temáticas são alguns dos locais onde é possível encontrar esta companhia de teatro.
A companhia ADN caracteriza-se como “um composto orgânico cujas moléculas contêm as instruções genéticas do talento”. Em entrevista ao Repórter Sombra, Filipe Lima (ator, diretor artístico, encenador e produtor da ADN), falou sobre este projeto.


“O teatro não se repete. Em cada representação, nasce uma nova personagem”. É isto que se passa quando a vossa companhia entra em palco? 
Surgem sempre aquelas "borboletas na barriga" quando entramos em palco, seja ele qual for ou onde for. Por muitos espetáculos que façamos, o público e o espetáculo em si serão sempre diferentes, nós mesmos enquanto atores e/ou personagens, seremos sempre diferentes. Nenhum espetáculo é comparável, nenhum espetáculo é igual. O espetáculo e os atores mantêm-se sempre numa constante procura de algo mais, em fazer melhor a cada atuação, em procurar mais do seu "eu" pessoal e do seu "eu" enquanto personagem. O público alimenta-nos enquanto personagens e nós alimentamos dessa mesma matéria, enquanto atores, as personagens. O teatro é dar e receber. É um jogo, como um passar da bola entre nós no palco e o público na plateia. Das reações que essa "bola" traz nós retornamos com uma nova reação. Nunca se sabe qual será essa mesma reação. Estamos sempre de ouvidos e olhos bem abertos. Antes de entrar em cena dizemos “Ação-reação! Com energia!" e é essa energia que se torna o “alimento” neste contacto entre ator/personagem e o público.

A ADN de Palco foi fundada em Dezembro de 2017. É ainda recente. Como é que tem sido a aceitação por parte do público?
A ADN de Palco é um projeto recente mas que se tem tornado muito intenso. Sentimos que temos crescido e evoluído muito enquanto empreendedores, profissionais na área e claro, como jovens e seres humanos. Sabíamos, por tanto que se planeou e projetou, que não poderíamos esperar menos, mas a verdade é que a reação da aceitação do público tem-nos surpreendido imenso. Tem sido deveras um feedback positivo, seja da parte das crianças como dos adultos, da parte de quem nos acolhe, professores, investidores, produtores, contratadores, entre outros.
Ainda estamos a crescer, é um facto. Mas o público que se tem mantido estável e presente, assistindo muitas vezes mais do que uma vez aos espetáculos, tem dado um feedback positivo e de encorajamento. O que nos faz acreditar cada vez mais neste projeto. Tudo isto nos deixa gratos e satisfeitos com este projeto que não é só nosso, mas de todos. Pois o teatro faz-se do coletivo sendo ele atores, equipa e público. Isto é tudo graças ao nosso público, a pensar neles, com o objetivo de tornar a nossa sociedade uma sociedade melhor, mais culta, mais humana e com mais adesão a estes projetos sejam eles recentes ou não.
Somos uma companhia recente, mas que pensa e projeta um grande futuro. E sem o público lá, nada faz sentido, eles fazem-nos acreditar e sonhar . Fazendo com que no final de cada espetáculo, nos deitemos nas nossas camas com o pensamento de missão cumprida e de coração cheio.

Numa fase em que se fala tanto na falta de apoio à cultura é preciso ser-se corajoso para fundar uma companhia de teatro?
Não importa ser corajoso, importa sonhar e ser ambicioso. Sabíamos, desde o início quais eram os prós e os contras com este projeto. Sabíamos minimamente quais as dificuldades que iriamos ter de ultrapassar. O sonho e a vontade eram maiores, e como ambos (Eu e a Teresa Roxo) não estávamos a ter sucesso na procura de trabalho profissional na área, devido à lastimável condição das companhias de teatro atualmente, decidimos arriscar neste projeto e ir em busca das nossas próprias oportunidades lutando, assim, contra toda essa inquietação para ultrapassar esta "crise" que se encontra o teatro em Portugal. Até à data, a ADN de Palco não conta com quaisquer tipo de apoios e/ou patrocínios, somos uma companhia ainda autossustentável onde nós somos os investidores de cada projeto. Juntou-se à direção, o Diogo Carvalho, também encenador e diretor de outros projetos da ADN e este também acredita que podemos crescer muito como companhia profissional e que temos muito ainda para alcançar. Contamos, futuramente, em solicitar apoios e patrocínios, mas está sempre presente na nossa cabeça que o "não" será sempre garantido, e temos as nossas estratégias para contornar a situação, como fizemos até hoje.

E quando se arrisca a trazer algo novo ao público, o que é que se tem em mente?
Em mente temos esse mesmo elemento "O público". O nosso lema é "fazer espetáculos para crianças a pensar nos adultos". Primeiramente, queremos que o espetáculo seja sempre facilmente adaptável e acessível a todas as pessoas e idades, que mantenha a sua itinerância, que seja diferente do que já foi feito, que surpreenda o público e que o mesmo sinta a nossa "evolução" e a nossa "revolução". Evolução pois mantemo-nos sempre à procura de algo novo, melhor, irreverente, diferente, surpreendente, com novos materiais, novas técnicas, mais investimento, entre outros de maneira a que se torne notável uma evolução no nosso trabalho. Revolução acontece pois quem faz do teatro uma revolução são as pessoas, o público. A nossa intenção enquanto atores e seres-humanos, é que a cada novo projeto seja revolucionário teatralmente e emocionalmente. Portanto ficamos imensamente gratos por podermos ter a oportunidade de mudar para melhor a vida de alguém, isso para nós é uma revolução! São esses os dois lemas que temos em mente a cada novo desafio e prometemos continuar a evoluir e a revolucionar a cada novo projeto.  


Vocês costumam deslocar-se a qualquer local para poderem dar o vosso espetáculo. O teatro é vivido de outra forma quando é ele a ir ao encontro do público e não o contrário?
Como foi referido anteriormente por vós “O teatro não se repete. Em cada representação, nasce uma nova personagem”. Com isto, nasce, também uma nova representação, um novo espetáculo seja nesse encontro com o público ou quando este vem ao nosso encontro. O que importa para nós, realmente, é que nos encontremos. É nesse encontro que acontece a magia do teatro. Quando vamos a uma escola, é natural que se percam alguns elementos dos nossos espetáculos, como as luzes, o panejamento, entre outros elementos que existem num auditório normal. Mas acreditamos que o público nem pensa na falta desses elementos. A cada novo projeto da ADN, tentamos sempre melhorar a sua itinerância de maneira a que consigamos levar sempre o "grande" espetáculo a todos os sítios e que nada falte ou falhe. O público merece essa atenção. Mas concluímos que nesta arte, o que importa é que realmente se "viva" o teatro, de todas as formas possíveis e imaginárias. Que surja esse "encontro" e que as pessoas saiam a pensar, a sonhar e a questionar-se daquilo que acabaram de assistir.

E qual é o melhor público?
Todos os públicos são um bom público. Basta a sua presença para nos deixarem já de coração cheio. Um público infantil é sempre algo mais desafiante pois nunca sabemos quais serão as suas reações e muitas vezes as crianças tiram-nos o "tapete". As crianças são espontâneas e a sua reação é sempre verdadeira e conseguimos ter mais retorno em feedback sobre o nosso trabalho. Um público misto, familiar, é para nós muito importante. É essencial os pais acompanharem os filhos ao teatro e viveram essa experiencia em família. O nosso slogan é "Espetáculos feitos para crianças a pensar nos adultos", e se ambos estiveram lá, melhor ainda. Conseguimos ter imensas reações, imensas mensagens que se passam e que retornam para nós que estamos no palco. Acreditamos que um público misto seja mais mágico e que torna o nosso projeto mais completo.

Vocês têm uma programação especialmente dedicada às crianças e, recentemente, estiveram em cena com a peça “Menina do Mar – O Musical”. Que feedback têm recebido por parte das crianças e das escolas?
Este projeto, surge como comemoração do centenário do nascimento de Sophia de Mello Breyner Andresen. A obra foi adaptada ao teatro musical numa versão didática e mágica dedicada à infância que nos leva até ao misterioso universo do Mar no imaginário de Sophia de Mello Breyner Andresen. É um espetáculo que faz reflexões sobre temas importantes: a saudade, a amizade, o sonho, o medo, a alegria, o imaginário, a Terra, o Mar, as estações do ano, a poluição, a reciclagem, entre outros e sentimos que as crianças e os adultos conseguem entender cada mensagem e a importância de cada um desses temas devido às suas reações no decorrer do espetáculo e no seu a pós. Temos sido parabenizados pela atenção que temos em cada projeto com as crianças e de para além do fator "entretenimento" tentarmos sempre passar algo educativo e emotivo às crianças (e aos adultos!). As críticas têm sido muito positivas e há pessoas que já assistiram mais do que uma vez ao espetáculo. Recebemos muitas vezes mensagens a dizer que os filhos sonharam com algumas personagens da história, o que nos deixa sensibilizados e de sorriso no rosto. O público intitula que é "O melhor espetáculo da ADN de Palco" e que o projeto é um espetáculo divertido e sensível, adoram as divertidas personagens e os seus figurinos coloridos, assim como o "fator surpresa" do cenário. Dizem, também, que saem do auditório "mais sábios, mais humanos". A nosso ver, é um espetáculo que ficará para sempre na memória de crianças e adultos!

“Um composto orgânico cujas moléculas contêm as instruções genéticas do talento”. É assim que vocês se definem. Como surgiu a oportunidade deste composto orgânico se juntar?
Em Dezembro de 2017, eu tive a ideia de fazer o Principezinho- O Musical- devido à experiência vivida na companhia profissional de teatro infantil TEATROESFERA. Não conhecia pessoalmente a Teresa Roxo, mas era fã do seu trabalho em palco. Então, entrei em contacto com a mesma para a desafiar com este projeto. Esta aceitou, produzimos todo o espetáculo, selecionando por casting os atores que cumpriam o requisito desse mesmo "composto orgânico" para, assim, estrear em Março. Todo o processo foi feito de maneira mais profissional possível, mesmo sem saber que se tornaria mais tarde uma companhia profissional. Depois de estrear, o feedback foi mais que positivo e imensas pessoas acreditavam que o projeto teria futuro. Como ambos não estavam a ter sucesso na procura de trabalho profissional na área decidimos investir e acreditar neste projeto como um futuro estável na nossa carreira. Posto isto, decidimos tornar o projeto oficialmente profissional, arriscar em novas produções, contratar novos elementos profissionalizados na área e temo-nos mantido sempre à procura de novos compostos orgânicos que complementam este "ADN de Palco" que temos presente.

Sentem que têm deixado, de facto, o vosso ADN em todos os palcos por onde têm passado?
Em respostas anteriores, meio que já conseguimos responder a esta pergunta. Comecemos pela escolha do nome "ADN de Palco"- ADN é uma parte de nós e PALCO é onde se baseia a nossa vida. Posto isto, acreditamos que a resposta seja um "sim", avaliando todo o feedback das pessoas que viram e de todos os palcos que pisámos. Felizmente, temos conseguido manter um público estável, que nos acompanha sempre a cada nova produção, e estreia após estreia temos tido presente sempre uma lotação maior e melhor. Os espetáculos têm esgotado quase sempre. As entidades contratadoras, querem contratar os nossos serviços novamente e novas entidades entram em contacto connosco. As pessoas falam connosco, acompanham-nos, abraçam-nos e agradecem-nos. Este projeto só é possível graças a tudo isso, e é por isso que continuamos nesta luta, a querer fazer mais, melhor e diferente. Queremos continuar a desafiar-nos, a nós e ao público, a encantar e encher de magia cada palco e/ou escola que passamos partilhando sempre este ADN que acreditamos que é "sentido" por cada espectador em cada espaço que vamos. 

 Entrevista publicada em Repórter Sombra.



terça-feira, 11 de junho de 2019

Vamos fazer o que nos faz feliz

terça-feira, junho 11, 2019 4 Comments
D.R.

Sempre que aprendemos a fazer algo novo, nasce um sentimento diferente dentro de nós. Quando o fazemos bem, não conseguimos conter uma imensa felicidade que invade o nosso corpo em forma de adrenalina. E ainda bem, porque não devemos nunca deixar de fazer o que nos faz feliz.

Viver em sociedade é viver num círculo onde todos dependemos uns dos outros, por isso, é fundamental sabermos aprender uns com os outros, de modo a evoluirmos enquanto seres humanos. Assim, sempre que aprendemos algo novo é inevitável que haja um crescimento tanto a nível pessoal como profissional. O que é difícil de explicar é o sentimento que nos invade quando isso acontece. Quando fazemos bem algo que fazemos pela primeira vez é como se renascessemos um bocadinho. Cresce em nós um sentimento que nos aumenta a auto-estima. É nessa altura que percebemos que estamos felizes.

A felicidade é o que nos move. Vivemos uma vida inteira em experimentações na esperança de chegar a uma conclusão: como posso ser feliz? Há quem encontre respostas mais cedo. Há quem as descubra mais tarde. Mas o objetivo é comum: viver para solucionar este mistério que é a felicidade.
Nunca duvidei que a felicidade é o centro de tudo. Pessoas felizes são capazes de mudar o mundo. Pessoas infelizes tornam o mundo mais amargo. Por isso, essa busca pelo que nos faz feliz não pode nunca parar. Porque quando perdemos a felicidade, perdemos um bocadinho de nós. Perdemos, acima de tudo, a capacidade de contribuir para um futuro risonho.

É por estes motivos que acredito que quando aprendemos a fazer algo novo e percebemos que somos bons a fazê-lo, a felicidade nos invade. Porque sentirmo-nos úteis e realizados é, provavelmente, o que nos faz mais feliz. Sentir que somos importantes; que estamos aqui para fazer a diferença; que nenhuma outra pessoa faria tão bem aquilo que estamos a fazer; que somos extremamente necessários... No fundo, sentir que somos únicos é o que nos faz mais feliz. Porque nos leva a acreditar que não estamos a viver uma vida por acaso ou só por viver.

Há quem leve uma vida inteira a cumprir “obrigações”. A tentar descobrir a felicidade porque esta nunca lhes bateu à porta. Por vezes, o segredo é simplesmente largar tudo para fazer o que nos faz feliz. Lutar por aquilo em que acreditamos e em que somos realmente bons. Ao fazermos o que nos realiza vamos, automaticamente, fazê-lo bem e seremos, certamente, muito mais felizes. Vamos fazer o que nos faz feliz.

Publicado em Repórter Sombra.

quarta-feira, 10 de abril de 2019

Inteligência emocional: aprender com o outro

quarta-feira, abril 10, 2019 5 Comments



A inteligência emocional caracteriza-se pela capacidade de reconhecermos e avaliarmos os nossos sentimentos e os dos outros e, posteriormente, lidar com eles. Assim, há quem tenha uma inteligência emocional alta e, em contrapartida, há quem não a consiga desenvolver completamente.

Para Goleman, este conceito é o maior responsável pelo sucesso ou insucesso do ser humano. Isto porque, por exemplo, em situações profissionais o relacionamento entre as pessoas é crucial e uma pessoa com uma maior inteligência emocional tem mais chances de ser bem sucedida. No entanto, no mesmo local de trabalho podemos encontrar indivíduos com níveis de inteligência emocional diferentes e, nesse caso, a comunicação é essencial para encontrar um ponto de equilíbrio. Mas para que essa comunicação seja eficaz é necessário percebermos quando é que alguém tem uma inteligência emocional baixa para sabermos como lidar com isso.

Normalmente, as pessoas com uma inteligência emocional baixa têm dificuldade em relacionar-se com o outro. Não entendem como é que ele se sente; consideram-no muito sensível e/ou não sabem lidar com emoções fortes. Assim, parte do trabalho parte do outro: do que sabe relacionar-se com os demais, do que compreende, do que tem a sensibilidade. Porque a verdade é que, se o outro tem uma inteligência emocional apurada vai conseguir colocar-se no lugar do que não a tem e ajudá-lo a desenvolvê-la da melhor forma possível. Deste modo, trabalhar com alguém com uma baixa inteligência emocional pode tornar-se mais fácil se aprendermos a não discutir um problema por muito tempo, a criticar em privado e, acima de tudo, a tentar compreender a história de vida do nosso colega. As vivências e o passado são, sem dúvida, as coisas que mais influenciam o nosso modo de agir e de ver o que nos rodeia.

Concluindo, o bom funcionamento de um local de trabalho depende da relação entre as pessoas que lá trabalham. Portanto, é crucial colocarmo-nos no lugar do outro, tentar perceber as suas frustrações, medos ou inseguranças e, acima de tudo, mostrarmos interesse em conhecer a sua história. Todos precisamos de sentir que somos precisos no lugar onde estamos.

Publicado em Repórter Sombra.



terça-feira, 26 de março de 2019

Urban Tales renascem em novo álbum

terça-feira, março 26, 2019 3 Comments

Depois de 7 anos sem produzir álbuns, os Urban Tales estão de volta com Reborn- um disco composto por 16 faixas que explora vários estilos musicais desde o rock ao acústico e do metal ao pop.
Reborn é um álbum cantado em português e inglês e conta com a participação de vários convidados, entre eles, Loren Dayle, Vítor Espadinha, Sofia Pires e Mariana Azevedo.



Vocês surgem enquanto banda em 2005. No entanto, nos últimos 7 anos não produziram nenhum álbum. Porquê esta espera?

Nos últimos anos, estive mais envolvido em trabalhar com outras bandas através da minha empresa de produção de áudio (MR Diffusion) e também porque, depois do segundo álbum (“Loneline still is the friend”), quis mudar de som e, nessa pesquisa, levei algum tempo a saber por que caminho ia.

7 anos depois surge, então, o “Reborn”. Tendo em conta que, neste período de tempo, a própria música em Portugal sofreu algumas alterações, que preocupações tiveram na elaboração deste álbum que não teriam há 7 anos atrás?
Nenhumas, no sentido em que não me segui pelo que se ouvia ou o que se fazia naquele momento. Tentei fazer o que sentia e o som que mais gosto/oiço. A minha preocupação foi fazer algo verdadeiro e como um álbum conceptual (história do início ao fim), que houvesse um fio condutor durante todo o álbum.

Qual é o vosso objetivo ao apostarem, agora, em estilos diferentes?
Que as próprias músicas tivessem uma dinâmica diferente entre elas e, claro, pelo gosto pessoal, visto que todos eles são músicos que gosto e sigo.

Este álbum é cantado em inglês e português. Porquê esta aposta?
Desde o segundo álbum que já tinha essa intenção. Gosto e oiço todo o tipo de música, seja em português ou inglês. Era algo natural de acontecer...

Para além da variedade de línguas, também surgem diversos convidados. Hoje em dia é importante essa colaboração com outros músicos para alcançar novos públicos?
Se for importante para a própria música, então acho que vale a pena. Eu escolhi os músicos do álbum, porque gosto genuinamente do trabalho deles. Então é um grande orgulho tê-los tido neste álbum. Não escolhi ninguém pelo motivo de chamar desta forma mais atenção ao próprio álbum.

Reborn” foi lançado digitalmente em Outubro. Como tem sido o feedback desde então?
Bastante bom. Desde os singles lançados que alcançaram o top iTunes em Portugal e Espanha ao facto de termos ido a várias televisões apresentar as mesmas e de termos tido uma forte aceitação das rádios às novas músicas. Os próprios ouvintes aceitaram o novo trabalho melhor do que esperava.

E como é que estão em termos de concertos?
Estamos abertos a convites. Se forem interessantes, os Urban Tales poderão voltar aos palcos.

Sentem que, de facto, a vossa música renasceu com este álbum?
Sem dúvida, basta ouvir em termos sonoros e talvez ainda vá mudar mais num futuro próximo...A ver...


Publicado em: Repórter Sombra.

domingo, 24 de março de 2019

Portugal dos Pequenitos (Coimbra)

domingo, março 24, 2019 2 Comments


Estou desde o final do ano passado para partilhar convosco a minha aventura pelo Portugal dos Pequenitos, em Coimbra. É um dos sítios que mais gosto e, talvez por isso, tenha demorado um bocadinho mais a fazer este post porque não queria "fazer a despachar". É importante para mim mostrar-vos a importância deste lugar e, acima de tudo, o quão bonito é.
Desde que comecei a estudar em Coimbra, visitar o Portugal dos Pequenitos sempre foi um dos meus objetivos. Já lá tinha ido quando era pequena mas, como é óbvio, não guardo qualquer memória desse momento e sempre tive curiosidade de ver como era aquele mundo. Passei várias vezes lá à porta, mas nunca entrei por falta de tempo ou de outra coisa qualquer. Mas dava sempre uma espreitadela lá para dentro e o pouco que via aguçava ainda mais a minha curiosidade. 
No final do ano passado, finalmente, consegui concretizar este meu objetivo. Eu e uma amiga ficámos lá dentro durante horas a fio para aproveitar ao máximo esta experiência e não nos arrependemos nada!



Como devem calcular, fotografei tudo e mais alguma coisa (não vou colocar aqui as fotografias todas caso contrário não saímos daqui :p) e ainda hoje tenho a tentação de ir ao álbum de fotos ver tudo porque sinto saudades. Dizem que é aos lugares que nos deixam saudades que devemos voltar e este é, certamente, um deles. Um dia, quando for mãe, vou querer muito lá regressar. 



Claro que, neste post, não posso deixar de vos contar um bocadinho da história deste lugar incrível. 
O Portugal dos Pequenitos foi inaugurado a 8 de junho de 1940 e é um parque lúdico-pedagógico direcionado, principalmente, às crianças. Desde 1959, é património da Fundação Bissaya Barreto e, até aos dias de hoje, é um dos lugares mais referenciados por todas as gerações. 
No Portugal dos Pequenitos, cruzam-se diversas culturas e diferentes povos. E, na minha opinião, esse é o seu maior encanto. Saímos de Portugal nunca saindo dele e isso é extraordinário. Conhecemos a história de outros países, as suas conquistas e o seu modo de viver. E, no final, percebemos que somos todos diferentes e todos iguais. 
Para perceberem melhor o encanto deste sítio, vou deixar aqui em baixo várias fotografias que fui tirando ao longo da visita. 



















Para quem ficou interessado em fazer uma visita ao Portugal dos Pequenitos e quer saber mais informações sobre o local só tem de clicar aqui. Serão redirecionados para o site onde estão reunidas todas as informações sobre os horários da visita, os preços e a própria história do local para irem o mais preparados possível. Espero que tenham gostado desta nova viagem e que fiquem a aguardar pelas que se seguem! :)


Gostaram desta sugestão de visita?
Já lá foram? Que outros locais recomendariam em Coimbra?





terça-feira, 5 de março de 2019

Como aprender inglês rápido

terça-feira, março 05, 2019 5 Comments

D.R.

Aprender inglês nunca foi tão importante, disso não há dúvidas. Seja no trabalho ou na nossa vida pessoal, saber falar bem inglês pode salvar-nos em imensas situações. Mas para quem não prestou muita atenção às aulas de inglês no secundário (ou não tem jeito para línguas), navegar neste mundo cheio de mensagens em “estrangeiro” não é assim tão simples. Então, como é que podemos finalmente aprender inglês rápido?
A Cristina Ferreira lançou um livro intitulado Falar “(Inglês) é Fácil” que se vê em todas as livrarias e até nas estações dos correios. A apresentadora disse que este é “o” manual para aprender inglês sem receios e começar a falar rápido. Mas na verdade o segredo da Cristina é ter trabalhado com um professor privado durante vários meses antes de escrever o livro.
Essa, acho eu, é a chave para aprender qualquer língua: praticar, praticar, praticar. Não conheço ninguém que tenha ido viver para fora e não tenha voltado a falar línguas muito melhor do que quando foi. E porquê? Por causa do treino diário, de se obrigarem a falar noutras línguas porque ninguém entende Português.
Falar sem vergonha é a peça-chave. Mas não chega, é preciso alguém que nos possa corrigir para não perpetuar os erros - e é aí que entra o professor/ tutor. Felizmente, é cada vez mais fácil encontrar professores de línguas disponíveis para dar explicações particulares em casa. Além das aulas online, que são sempre uma opção, podem procurar explicadores de Inglês em Lisboa e explicadores de Inglês no Porto aqui.
Depois, não se esqueçam é de usar a língua mesmo fora das aulas! Vejam filmes e séries com legendas em inglês (mais fácil, enquanto não se habituam a ouvir) e, se conseguirem, mesmo sem legendas! Tentem ler artigos em inglês na net, ouvir música, treinar com turistas… A partir do momento em que o inglês fizer parte do vosso dia a dia, a batalha está ganha! 




domingo, 3 de março de 2019

Opinião «Passengers»

domingo, março 03, 2019 3 Comments


Vi este filme em 2016, assim que saiu. No entanto, decidi revê-lo e dar-vos o meu feedback. 
Confesso que só há pouco tempo comecei a gostar de filmes de ficção científica. Sempre fui mais dada a romances, comédias ou dramas. No entanto, de há uns anos para cá tenho um vício enorme por ficção científica. Daí ter visto e revisto este filme: porque fiquei adepta da história.
Para começar, adoro a Jennifer Lawrence e o Chris Patt. E, sendo completamente sincera, quando vejo que atores que eu gosto bastante fazem parte de um filme, faço questão de o ver mesmo sem saber se a história me poderá ou não interessar. Neste caso, não me desiludi. 
O filme foi lançado no final de 2016 e eu corri logo para vê-lo porque estava super curiosa depois de ver o trailer. Resumindo e sem dar grandes spoilers: A história passa-se na nave Avalon. Esta nave transporta 5.000 passageiros com destino ao planeta Homestead II. Esta viagem tem como duração 120 anos, sendo que os passageiros estão adormecidos em cápsulas preparadas para os acordar apenas no final desses 120 anos, o que significa que todos eles acordarão num novo século. No entanto, uma avaria no sistema de uma das cápsulas de hibernação faz com que Jim (um dos passageiros) acorde quando ainda faltam 90 anos para a nave chegar ao destino. Isto significa que Jim passará o resto da sua vida fechado na nave sem nunca chegar ao destino visto que, nessa altura, jé terá morrido. Cansado de estar sozinho, Jim toma a difícil decisão de abrir uma das cápsulas para ter companhia nos anos que lhe restam ali. Quando olha para a cápsula onde está Aurora Lane fica encantado por ela. Tenta contrariar a vontade de a acordar e, consequentemente, condená-la a viver também o resto da sua vida presa na nave. Mas acaba por fazê-lo. Inicialmente, Aurora pensa que também houve uma avaria na sua cápsula. A revolta invade-a quando percebe que nunca chegará ao seu destino e que está condenada a uma vida monótona fechada dentro daquele objeto. No entanto, ela e Jim acabam por se apaixonar e vivem um romance que a faz encarar essa prisão de outra forma. Até que, um dia, descobre que foi Jim quem a acordou e tudo muda.
Como é óbvio, não vos vou dizer o que se passa no filme daqui para a frente porque estragaria todo o encanto. Mas posso dizer-vos que gostei bastante do resultado final, embora fizesse uma ligeira alteração ao final do filme. Para além disso, acho que o filme tem um design incrível! Eu sou uma apaixonada pelo universo. Aliás, um dos meus sonhos era conhecer o espaço e entrar em todos os planetas. Como isso não é possível, gosto de filmes que me fazem sentir que estou a conhecer o universo como se estivesse dentro de uma nave espacial. E este é um dos exemplos disso. Várias vezes ao logo do filme me vi a levitar no espaço, pertinho das estrelas... E acho que isso, por si só, já é um sinal de que o filme está bem concretizado. 
Por fim, adorei o desempenho dos atores. Pessoalmente, acho que Passengers tinha tudo para ser um filme muito parado. Pela história. Pelo facto de a ação se passar num único lugar e pelo número bastante reduzido de atores. No entanto, isso não aconteceu exatamente pela forma como tudo foi produzido. Vocês vão perceber isso assim que o virem.


Já viram o filme? O que acharam?
Que filmes andam a ver ultimamente?

domingo, 24 de fevereiro de 2019

Opinião: «Segue o Coração. Não olhes para trás»

domingo, fevereiro 24, 2019 1 Comments

«Londres, 1842. Bastará uma boa acção para levar Matilda Jennings das ruelas lamacentas de Londres rumo às cintilantes luzes da América...   Aquele podia ter sido um dia como tantos outros na vida de Matilda, uma pobre vendedora de flores. Mas aquele é o dia em que Matilda salva a vida de uma criança e recebe a mais preciosa das dádivas: a oportunidade de fugir da miséria e construir uma nova vida. Em breve trocará os bairros degradados de Londres pelos recantos misteriosos de Nova Iorque, as planícies do Oeste Selvagem e a febre do ouro em São Francisco. Munida apenas da sua coragem, beleza e inteligência, a jovem está apostada em ditar o seu destino, nem que para tal tenha de lutar contra tudo e todos. A sua rebeldia condena-a à solidão. Mas um dia também ela viverá as emoções de um verdadeiro amor. Um amor que terá de suportar a separação, a guerra e os tormentos do nascimento de uma nova nação. Será no Novo Mundo que Matilda vai aprender o que a sua infância não lhe ensinou: que todos nascem iguais, que a coragem e a generosidade são o que de mais nobre pulsa no coração humano, e que, por mais doloroso que seja, a vida tem de continuar e nunca se deve olhar para trás...»


Este foi o primeiro livro que li da Lesley Pearse. Há muito tempo que tinha curiosidade de a ler, mas nunca tinha sentido aquele "chamamento" de um dos seus livros. Aconteceu com este. O título agarrou-me completamente por transmitir uma mensagem que eu sigo sempre ao longo da minha vida: não olhes para trás. Normalmente, vejo nos livros uma fonte de magia, de sonho, de lição... Por isso, os livros que mais me apaixonam são aqueles que transmitem valores com os quais me identifico. E, nesse aspeto, este tem muito que se lhe diga. 
Em primeiro lugar, a curiosidade por ler Lesley Pearse surge quando a maioria das pessoas à minha volta me diz que ela tem uma escrita "mais pesada". Por ter uma veia sonhadora, são muitos os que pensam que só gosto do cor de rosa. Do "felizes para sempre". Mas não. Adoro, principalmente, os livros que abordam temáticas mais negras. E, nisso, a Lesley é fenomenal e deixou-me com vontade de devorar todas as suas histórias. Neste livro em particular - que é o que aqui nos interessa falar- ela transporta-nos para o passado. De regresso ao século XIX, Pearse fala-nos de miséria, de fome, de doenças que levam facilmente à morte, de prostituição e de muitas outras questões que, infelizmente, na época eram comuns e "o pão nosso de cada dia". Apesar deste livro ser um romance, não existe o "foram felizes para sempre", porque o amor romântico não é o principal foco desta história. Na minha opinião, o foco do livro é a mulher. E foi isso que me fez devorar aquelas 784 páginas tão rapidamente: a força que uma mulher assumiu e o quão ela foi importante num século onde o sexo feminino era submisso.  

Em todos os livros que li até hoje, acho que nunca me identifiquei tanto com uma personagem como com esta Matilda. Uma mulher apaixonante, independente, lutadora e que, numa época em que a mulher é vista como um ser inferior, vem provar exatamente o contrário. A Matilda é corajosa, sonhadora e guarda sempre o conselho que o pai lhe deu quando viu que ela poderia alcançar uma vida melhor que todas as mulheres do seu estatuto: nunca olhes para trás. E é essa frase que a move ao longo de toda a sua vida e que faz dela uma mulher forte e capaz de mudar vidas. Ao não olhar para trás, ela tem sempre a capacidade de mudar vidas mesmo depois de lidar com mortes que lhe dilaceram o coração, de ter de enfrentar vários fracassos e estar quase a voltar à vida de miséria que sempre teve. Mas nada disso a detém e Matilda acaba por criar o seu próprio império. Torna-se uma mulher poderosa o que, na época, é algo absolutamente incrível e inspirador. Ela tira crianças da rua e cuida delas como se fossem suas, salva mulheres da prostituição e dá-lhes a oportunidade de terem uma vida digna e melhor. Luta para que a sua "filha adotiva" consiga alcançar o sonho de ser médica mesmo sabendo que, na altura, o mundo não estava preparado para mulheres desempenharem esse tipo de profissões. Mas ela tem sede de mudar essas mentalidades. E não se limita a querer mudar. Ela age. Ela faz. Ela vai em frente sem nunca olhar para trás e deixa uma marca incrível naqueles que passam pela sua vida. É, sem dúvida, A personagem deste livro e o exemplo da força que existe dentro de uma mulher.




Claro que, apesar de ter adorado o livro, há sempre pontos menos positivos. O facto de ser um livro bastante longo não me incomoda. O que me incomodou em certas ocasiões foi o facto de haver tanta descrição. Já me tinham dito que a Lesley é uma autora muito descritiva e isso é algo a que já estou habituada tendo em conta que sou uma devoradora dos livros do Nicholas Sparks (que também aposta muito na descrição). No fundo, acho que a descrição é essencial para nos fazer entrar dentro de um livro. Quando as coisas nos são descritas, nós acreditamos mesmo que estamos dentro daquela casa branca a olhar para aquela cadeira azul fora do comum. No entanto, pelo menos neste livro, a Lesley não precisava de levar a descrição tão a fundo porque fez com que, muitas vezes, me perdesse um bocadinho da história por haver longas descrições entre uma ação e outra. A história podia ser ainda mais apelativa se não houvesse determinados cortes na ação. Em contrapartida, acho que as contextualizações históricas estão absolutamente bem feitas e chegamos mesmo a acreditar que estamos a viver dentro daquela época e a ver todas aquelas situações terríveis e débeis. Há, inclusive, uma parte do livro em que não consegui conter as lágrimas de tão imersa que estava naquela situação que estava a ser vivida. Quase como se estivesse mesmo lá com as personagens. E isso é a melhor coisa que nos pode acontecer quando estamos a ler um livro.



Para quem não se importa de ler livros assim mais longuinhos, recomendo vivamente esta história da Lesley Pearse. De facto, é preciso "ter estômago" mas a verdade é que é essencial para entendermos melhor a época anterior à nossa bem como as dificuldades que as pessoas tinham de enfrentar. No fundo, depois de lerem este livro vão ter a certeza que a vida que levamos hoje em dia é excelente e continuar a acreditar que somos capazes de mudar o mundo se tivermos coragem e, acima de tudo, se nunca olharmos para trás.


Já leram alguma coisa da Lesley Pearse? 
O que acham desta autora?


sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

O dia em que a amizade deixa de ser prioridade

sexta-feira, fevereiro 15, 2019 2 Comments


Já perdi a conta ao número de vezes que ouvi a frase “andas desaparecida”. Já todos a ouvimos. Já todos a dissemos também. E, com o tempo, foi-se tornando numa das frases que mais me custa ouvir.
Eu não ando desaparecida. Vivo no mesmo sítio há 5 anos, tenho o mesmo número de telemóvel desde os 12 anos, tenho redes sociais e vou a casa dos meus pais todos os fins de semana. Portanto, não é muito difícil encontrar-me. O que é difícil é ver na amizade uma prioridade. Para os outros, só “desaparecemos” porque deixamos de ser uma prioridade. Uma das coisas que os meus pais me diziam quando eu era pequena é que, com o passar do tempo, o meu número de amigos ia diminuir. E isso só tendia a piorar até ficarem só um ou dois. Conforme fui crescendo fui percebendo que eles tinham razão. A lista foi ficando mais curtinha, mas sempre melhor. Porque só fica quem tem de ficar. A forma como nos vamos afastando daqueles que, hoje, estão perto é sempre a mesma: a amizade está lá mas, lentamente, vamos ficando no final da lista. Há outras prioridades que vêm antes de nós. O emprego, o descanso, as relações,... E depois ouvimos a célebre frase “não tenho tempo para nada”. Mas há sempre tempo quando se quer ter tempo. Com o passar dos anos, deixei de procurar quem dizia “não ter tempo”. Meti na cabeça que essas pessoas sabiam onde me encontrar e que, “quando tivessem tempo”, o podiam fazer. Claro que não o fizeram. Porque o tempo é só uma desculpa. Uma desculpa para não estar. Na vida, sigo a máxima “fazer o longe ficar perto”. Isso exige tempo. Tempo para ligar. Tempo para perguntar “estás bem?”. Tempo para ouvir. Tempo para conversar. E esse tempo existe sempre. Porque um amigo é sempre uma prioridade. E nós temos sempre tempo para as nossas prioridades. 
Lembro-me que, quando era pequena e dizia à minha avó “tenho saudades desta pessoa”, ela respondia sempre “sabes onde ela mora, não sabes? Então não tens desculpa para teres saudades”. E é isso mesmo: não há desculpas. 

Publicado em Repórter Sombra

sábado, 9 de fevereiro de 2019

Estás feliz?

sábado, fevereiro 09, 2019 3 Comments




A vida obriga-nos a crescer. Passamos grande parte do tempo a correr, preocupados com o amanhã, sem pensar muito no hoje. Vamos na rua e encontramos aquela pessoa que já não vemos há imenso tempo. Pergunta-nos o que temos feito, como está a correr o trabalho, quando é que vamos casar e se pretendemos ter filhos em breve. Pergunta-nos tudo menos o mais importante: se estamos felizes.
A sociedade planeia tudo por nós. Como se tivessemos de viver por etapas. Estudas para conseguires um bom trabalho (sem que te perguntem se é o trabalho que te apaixona), depois, automaticamente, tens de formar uma família. Se fizeres isto tudo direitinho, as pessoas partem do princípio de que tens a vida perfeita. Aos olhos delas, és feliz. Mesmo que não o sejas. E, se mostrares que não o és, provavelmente vão chamar-te de mal agradecido e dizer que não sabes aproveitar aquilo que tens. No fundo, tudo é posto em primeiro lugar, menos a felicidade. Raramente paramos para pensar se é mesmo isto que queremos ou se o fazemos porque o que está à nossa volta assim o exige. Não nos perguntamos se somos felizes, o que é que nos faz falta ou o que é que queremos mudar. Talvez porque a mudança nos assusta, principalmente se isso significar quebrar o que “é suposto acontecer”.
Aquele conhecido segue o seu caminho. E tu também. Falaram sobre tudo o que envolve as vossas vidas, mas nem sequer te ocorre que nenhum perguntou ao outro se está feliz. Talvez porque nem tu colocas essa questão a ti mesmo. Por mera distração. Porque estás a pensar em mil e uma coisas ao mesmo tempo. E a maior parte delas nem sequer tem importância porque se baseiam nos teus planos de corresponder às expectativas que o mundo tem sobre ti. Mas a vida só funciona realmente se olharmos mais para dentro do que para fora. E se, neste preciso momento, estiveres a viver uma vida que não é a tua?


Publicado em: Repórter Sombra.




Até logo, Diamond!

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