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quarta-feira, 29 de abril de 2020

Não nascemos para ser de todos. Nascemos para ser de alguns

quarta-feira, abril 29, 2020 4 Comments



Somos todos diferentes. Todos temos as nossas cores, tamanhos e feitios. Temos coisas que adoramos e outras que não suportamos. Todos somos únicos e é esse o encanto que cada um de nós tem dentro de si: não haver mais ninguém igual.

É quando nos apercebemos desta realidade que deixamos de nos importar com quem gosta ou não gosta de nós. Nós somos assim, ponto. E por todos sermos diferentes, vão sempre existir pessoas que não gostam de nós. Ou porque não usamos o estilo de roupa com que elas se identificam ou porque temos características na nossa personalidade que não vão ao encontro do que essas pessoas procuram. Faz parte. E ainda bem que assim é.

O que não faz sentido, - e grande parte das vezes fazemos -, é continuarmos a insistir em darmo-nos a pessoas que não gostamos. Pediram-me que refletisse sobre isso. Sobre o porquê de nos darmos com pessoas com as quais não nos identificamos. Depois de muito puxar pela minha cabecinha, cheguei à conclusão de que todos temos as nossas razões. Podemos não simpatizar com uma pessoa e darmo-nos com ela simplesmente porque ela é importante para alguém que amamos. 

Noutros casos, podemos apenas ter uma personalidade que não nos deixa soltar daqueles que não queremos ter perto.
No entanto, creio que há um denominador comum relativamente a este assunto: nós não encaramos como normal o facto de não gostarmos todos uns dos outros. Como se não gostar de alguém fosse uma coisa completamente horrível quando não é. Faz tão parte da vida como o céu ser azul e existirem estrelas.

No fundo, nós somos pequenas peças e toda a gente sabe que as peças não se encaixam em qualquer sítio. Cada peça tem um lugar que lhe pertence. Assim, quando perdemos tempo a querer pertencer a todo o lado, podemos perder a hipótese de estar junto daqueles onde, realmente, pertencemos. É uma questão de aceitação. Não nascemos para ser de todos. Nascemos para ser de alguns.

Publicado em: Repórter Sombra.

terça-feira, 28 de abril de 2020

Ter coragem

terça-feira, abril 28, 2020 3 Comments



Tem coragem. Ouve-lo a tua vida toda. “Tem coragem”, diz o teu pai. “Tem coragem”, diz a tua mãe. “Tem coragem”, diz a tua amiga. “Tem coragem”, diz o teu marido. E esta frase continua a repetir-se dia após dia, na tua cabeça, como se de um eco se tratasse.

Na nossa vida, cada momento exige coragem. Cada obstáculo, cada desafio, cada etapa nova,... Porém, ainda estou para descobrir, ao certo, o que é a coragem. É darmos o nosso melhor? É não termos medo de ir em frente? Ou, pelo contrário, é sabermos desistir e admitirmos que temos medo? Bom, talvez a coragem seja isso tudo e sejamos todos uns grandes corajosos.

Na fase que, atualmente, vivemos pede-se coragem. Como se pede em tudo. Coragem para sobreviver. Para seguir em frente. Para alcançar a vitória. No entanto, creio que os corajosos não apenas os que arriscam, os que acreditam ou os que enfrentam cada novidade que surge. Os corajosos são também os que dizem “não quero ir”, “desisto porque tenho medo” ou “não quero lutar mais por isto”. Afinal, o mais difícil será sempre admitir os nossos receios e, para isso, é precisa muita coragem.

Não é por acaso que, ao longo deste texto, a palavra “coragem” é mencionada tantas vezes. Temos de memorizá-la. Temos de a ter presente todos os dias. Cada um de nós, porque todos, sem exceção, temos este sentimento enraizado em cada escolha que fazemos na vida. Não existem pessoas mais ou menos corajosas. Todos o somos à nossa maneira, porque todos temos de tomar decisões e todos temos de viver realidades novas de vez em quando.

Se me perguntarem o que significa “ter coragem” dir-vos-ei que representa o mesmo que comer, beber ou caminhar. É algo que já nos é inato. Quando nascemos, esse sentimento nobre já vem dentro de nós, afinal, a coragem manifesta-se no simples ato de existirmos.


Publicado em Repórter Sombra.

quinta-feira, 23 de abril de 2020

O caminho que nos leva ao destino

quinta-feira, abril 23, 2020 1 Comments



Lutar. Desde cedo, somos ensinados a ter força. Ensinam-nos a levantar depois de darmos uma queda, a caminhar para alcançarmos o destino que pretendemos e a aprender para termos capacidades intelectuais para conhecermos e, acima de tudo, conhecermo-nos. No fundo, crescemos com a noção de que o futuro e o que ambicionamos depende apenas de nós e da nossa força interior.

O que, muitas vezes, não nos dizem é que nem sempre é fácil. Não é tão fácil como aprender a caminhar, a escrever, a ler ou a decorar a nossa morada completa. Lutar por aquilo que nos faz feliz é, provavelmente, das coisas mais difíceis da vida. É daquelas coisas que ninguém nos ensina. Aprendemos com as vivências, com os erros e, sobretudo, com o passado. E no meio deste “cai e levanta”, ficamos cansados. Mais cansados do que se tivessemos corrido uma maratona. Não se resume apenas a um cansaço físico. É uma exaustão mental que, automaticamente, nos leva a duvidar de nós mesmos. “Será que?”.

A dúvida é pior que o negativo. Martiriza. Corrói. Leva-nos, frequentemente, a desistir por não sabermos lidar com a incerteza. Este é um ciclo que nos persegue a vida toda. Quando começamos uma nova etapa, quando aprendemos coisas novas, quando descobrimos que queremos isto e não aquilo... É uma constante procura por algo que nunca chega e que aparenta nunca querer chegar. Até ao dia em que deixamos de nos importar. Desistimos porque desistir também é ter coragem. É ter a força de abandonar o que nos está a deixar para trás quando deveria fazermos caminhar em frente.

O que fica quando deixamos de nos preocupar com o que, anteriormente, costumava ser o nosso objetivo para acordarmos todas as manhãs? Há quem diga que ficam dúvidas, receios, frustrações... Eu acredito que ficam as certezas. As certezas de que quem não desiste algumas vezes, nunca vai encontrar o seu caminho. Alcançar o futuro que ambicionamos é como viajar numa estrada: temos de nos perder algumas vezes até que, finalmente, encontramos o melhor caminho para chegarmos ao nosso destino.

Publicado em Repórter Sombra.

quarta-feira, 15 de janeiro de 2020

A felicidade tem asas

quarta-feira, janeiro 15, 2020 4 Comments



Já todos quisemos voar. Abrir asas e ir além dos nossos limites. Conhecer novos lugares, contemplar a beleza dos oceanos e sentir o que é ser livre. Livre de ter os pés assentes na terra e de estar limitado ao que as nossas capacidades nos deixam fazer.

Também eu já quis voar. Sentir de perto o céu azul e tocar as nuvens. Na impossibilidade de o fazer, acredito que a felicidade é o que temos mais próximo dessa sensação de voo. A bem dizer, a felicidade é a única que nos levanta os pés do chão e nos faz flutuar. A única que nos faz viajar por lugares que nunca conhecemos e que nos permite ser o que quisermos, quando quisermos. A felicidade faz-nos sonhar e o bom dos sonhos é que não têm limites: podemos ser e fazer tudo o que ambicionamos.

Creio que é por isso que todos desejamos ser felizes: porque a felicidade nos deixa sonhar. E se “o sonho comanda a vida”, quando somos felizes somos mais capazes, mais lutadores, mais conscientes e, sobretudo, mais vividos. Felicidade puxa felicidade num ambiente cíclico que só para quando as nossas asas se despenharem do céu em que vivemos ou baterem contra uma nuvem que nos atire ao chão.

Muitas vezes, quando alguém refere que o que mais ambiciona na vida é ser feliz, isto é visto como um cliché. A questão é “porquê?”. Afinal, quando, todos os dias, acordamos ao som de um alarme que odiamos, não é isso que nos motiva a sair da cama e enfrentar chuvas, trovões e trânsitos infernais? A busca por uma vida feliz não é nada mais nada menos do que viver. Só quem é, realmente, feliz e/ou procura essa felicidade sabe o que é viver.
Sim. É possível voarmos sem ter asas. É possível olhar o mundo de cima e apreciar o que de mais belo ele tem. Basta estarmos cientes de que a felicidade tem asas e faz de nós aquilo que nós quisermos. É só acreditar. Tudo se resume a isso.

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sexta-feira, 22 de novembro de 2019

O eco do pensamento

sexta-feira, novembro 22, 2019 1 Comments



Viver em sociedade é, obviamente, partilhar a vida. Há uma série de características que todos temos em comum porque nos são inatas. O facto de pensarmos é uma delas. É inevitável pensar mesmo que, por vezes, não queiramos. O pensamento faz parte de nós como um braço ou um pé.
Descartes defende que o pensamento é sinónimo de existência. Se eu “penso, logo existo” é inegável que refletir é inato ao ser humano. Não há forma de impedir que isso aconteça no nosso cérebro... ou de bloquear pensamentos. E é uma tão grande verdade que já todos tivemos aquele momento em que gostávamos de carregar num botão e desligar o nosso cérebro para impedir que certos pensamentos nos invadissem; ou nos tirassem o sono; ou nos trouxessem para a realidade.

Há quem afirme que pensar faz mal. Mas quando? Quando os pensamentos ecoam na nossa mente nos limitam. Quando nos fazem sentir mal. Quando nos tentam dizer que não vale a pena ir em frente e nos travam. Quando, acima de tudo, nós deixamos que eles nos parem. Quando lhes damos ouvidos em circunstâncias em que eles não nos dizem nada de positivo. Quando decidimos ficar sozinhos com eles. Sem mais nada ou ninguém. É aí que pensar faz mal.

Se Descartes afirmava que para existir temos de pensar é incrível concluir que, por vezes, são os pensamentos que impedem a nossa existência. Há dias, meses e anos em que eles ecoam na nossa mente e não querem sair sussurrando palavras mórbidas que nos fazem acreditar que não somos suficientes, que o amanhã pode não ser o que queremos que seja e que a positividade não existe. É nestas alturas que o botão desligar seria a solução ideal. No entanto, na falta dele, basta contrariá-los. Como contrariamos o nosso pai ou a nossa mãe quando não queremos arrumar o quarto.

Afirmarmo-nos perante os nossos pensamentos é devolvermo-nos à nossa existência. Ter controlo sobre nós. Ouvir mil e uma vezes aquele eco e saber definir qual é o que nos vai ajudar e, pelo contrário, qual nos vai destruir. Quando conseguirmos lidar com os nossos pensamentos e aniquilar os que nos fazem mal, aí sim, existiremos. E, nessa altura, existir será o ponto de partida para tudo o resto.

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segunda-feira, 28 de outubro de 2019

Dar valor

segunda-feira, outubro 28, 2019 5 Comments


Dar valor. Na vida, tudo se resume a isto. Dar valor à família, a um amigo, ao amor que nos enche a alma ou, simplesmente, a momentos. Valorizar cada instante que temos nesta aventura que, um dia, terminará. E nenhum de nós quer partir com um sentimento de culpa por não ter estado quando devia estar ou não ter aproveitado quando a oportunidade surgiu.

Aos 24 anos, uma das frases que mais ouvi ao longo desta minha passagem pela vida foi “só damos valor quando perdemos”. Ouvi este quase provérbio na infância, na pré-adolescência, na dita adolescência e, agora, na fase adulta. Ouvi-a da boca de jovens, de adultos e de idosos. De pessoas com e sem instrução. De empregados e desempregados. No fundo, de toda a gente. Já toda a gente, em algum momento, disse ou ouviu esta tão conhecida frase.

Cresci habituada a refletir sobre o que me rodeia e, ao longo destes anos, tenho pensado sobre este “damos valor quando perdemos”. Quando criança, - como qualquer criança que diz tudo o que pensa -, afirmava “se as pessoas sabem que só dão valor quando perdem, porque se deixam perder para dar valor?”. E aquela frase que, dita por uma menina, parecia confusa, hoje, aos 24 anos, parece-me fazer todo o sentido. Porque é que todos proferimos esta frase mas raramente fazemos alguma coisa para a mudar?

Certo é que o primeiro passo para alterarmos alguma coisa está em identificarmos a origem do problema. Ora, a origem do problema aqui já está identificada. É dedicarmos pouco tempo ao outro. Acreditarmos que cada um de nós tem a sua vida. Quando, na verdade, dependemos todos uns dos outros. Dependemos de abraços, de sorrisos, de noites passadas à lareira a contar histórias e de palavras que nos caem no ouvido e nos emocionam quando ditas pelos que amamos. Mas pouco fazemos para saborear cada um destes momentos.

Percebemos que esta é a origem do problema quando, ao questionarem-nos sobre “e se hoje fosse o teu último dia de vida?”, respondemos sempre da mesma forma: diria que amo a quem amo, abraçaria quem sempre quis abraçar, pediria desculpas aos que magoei. O que não nos passa pela cabeça é que, no segundo a seguir a respondermos a esta pergunta, podemos realmente partir para outro sítio. Um sítio que não sabemos se existe. E não fazemos nada do que gostaríamos de fazer “se este fosse o nosso último dia de vida”.

Sabendo de tudo isto porque é que, durante 24 anos, ouvi sempre a mesma história? Porque é que continuamos a precisar de perder para valorizar o que quer que seja? Provavelmente porque somos todos egoístas. Porque sabemos como isto pode terminar mas preferimos acreditar que não. Porque teimamos em enganar-nos a nós próprios acreditando que há sempre tempo. Que podemos abraçar amanhã, encontrar aquele sorriso um dia destes, contar histórias à lareira no inverno seguinte e ouvir o que os que nos amam têm para nos dizer quando tivermos um minuto livre na nossa agenda preenchida por tudo e por nada ao mesmo tempo.

Mas a novidade que não é novidade alguma é: não há tempo. Enquanto escrevo este texto, há filhos a perder os pais. Pais a perder os filhos. Avós a partirem sem verem os netos há meses ou até anos. Mas a culpa é de tudo menos do tempo. O tempo corre sem que se possa controlar. Todavia, nós decidimos o que fazemos com ele. Talvez a nossa falta de tempo está em insistirmos que temos tempo a mais para pensar, dizer e mostrar. Até ao dia em que, na verdade, o tempo acaba. A vida ensina e talvez o maior ensinamento que ela nos dá seja aquele a que, curiosamente, damos menos valor: valorizar antes de perder.


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quarta-feira, 10 de abril de 2019

Inteligência emocional: aprender com o outro

quarta-feira, abril 10, 2019 4 Comments



A inteligência emocional caracteriza-se pela capacidade de reconhecermos e avaliarmos os nossos sentimentos e os dos outros e, posteriormente, lidar com eles. Assim, há quem tenha uma inteligência emocional alta e, em contrapartida, há quem não a consiga desenvolver completamente.

Para Goleman, este conceito é o maior responsável pelo sucesso ou insucesso do ser humano. Isto porque, por exemplo, em situações profissionais o relacionamento entre as pessoas é crucial e uma pessoa com uma maior inteligência emocional tem mais chances de ser bem sucedida. No entanto, no mesmo local de trabalho podemos encontrar indivíduos com níveis de inteligência emocional diferentes e, nesse caso, a comunicação é essencial para encontrar um ponto de equilíbrio. Mas para que essa comunicação seja eficaz é necessário percebermos quando é que alguém tem uma inteligência emocional baixa para sabermos como lidar com isso.

Normalmente, as pessoas com uma inteligência emocional baixa têm dificuldade em relacionar-se com o outro. Não entendem como é que ele se sente; consideram-no muito sensível e/ou não sabem lidar com emoções fortes. Assim, parte do trabalho parte do outro: do que sabe relacionar-se com os demais, do que compreende, do que tem a sensibilidade. Porque a verdade é que, se o outro tem uma inteligência emocional apurada vai conseguir colocar-se no lugar do que não a tem e ajudá-lo a desenvolvê-la da melhor forma possível. Deste modo, trabalhar com alguém com uma baixa inteligência emocional pode tornar-se mais fácil se aprendermos a não discutir um problema por muito tempo, a criticar em privado e, acima de tudo, a tentar compreender a história de vida do nosso colega. As vivências e o passado são, sem dúvida, as coisas que mais influenciam o nosso modo de agir e de ver o que nos rodeia.

Concluindo, o bom funcionamento de um local de trabalho depende da relação entre as pessoas que lá trabalham. Portanto, é crucial colocarmo-nos no lugar do outro, tentar perceber as suas frustrações, medos ou inseguranças e, acima de tudo, mostrarmos interesse em conhecer a sua história. Todos precisamos de sentir que somos precisos no lugar onde estamos.

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sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

O dia em que a amizade deixa de ser prioridade

sexta-feira, fevereiro 15, 2019 2 Comments


Já perdi a conta ao número de vezes que ouvi a frase “andas desaparecida”. Já todos a ouvimos. Já todos a dissemos também. E, com o tempo, foi-se tornando numa das frases que mais me custa ouvir.
Eu não ando desaparecida. Vivo no mesmo sítio há 5 anos, tenho o mesmo número de telemóvel desde os 12 anos, tenho redes sociais e vou a casa dos meus pais todos os fins de semana. Portanto, não é muito difícil encontrar-me. O que é difícil é ver na amizade uma prioridade. Para os outros, só “desaparecemos” porque deixamos de ser uma prioridade. Uma das coisas que os meus pais me diziam quando eu era pequena é que, com o passar do tempo, o meu número de amigos ia diminuir. E isso só tendia a piorar até ficarem só um ou dois. Conforme fui crescendo fui percebendo que eles tinham razão. A lista foi ficando mais curtinha, mas sempre melhor. Porque só fica quem tem de ficar. A forma como nos vamos afastando daqueles que, hoje, estão perto é sempre a mesma: a amizade está lá mas, lentamente, vamos ficando no final da lista. Há outras prioridades que vêm antes de nós. O emprego, o descanso, as relações,... E depois ouvimos a célebre frase “não tenho tempo para nada”. Mas há sempre tempo quando se quer ter tempo. Com o passar dos anos, deixei de procurar quem dizia “não ter tempo”. Meti na cabeça que essas pessoas sabiam onde me encontrar e que, “quando tivessem tempo”, o podiam fazer. Claro que não o fizeram. Porque o tempo é só uma desculpa. Uma desculpa para não estar. Na vida, sigo a máxima “fazer o longe ficar perto”. Isso exige tempo. Tempo para ligar. Tempo para perguntar “estás bem?”. Tempo para ouvir. Tempo para conversar. E esse tempo existe sempre. Porque um amigo é sempre uma prioridade. E nós temos sempre tempo para as nossas prioridades. 
Lembro-me que, quando era pequena e dizia à minha avó “tenho saudades desta pessoa”, ela respondia sempre “sabes onde ela mora, não sabes? Então não tens desculpa para teres saudades”. E é isso mesmo: não há desculpas. 

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sábado, 9 de fevereiro de 2019

Estás feliz?

sábado, fevereiro 09, 2019 2 Comments




A vida obriga-nos a crescer. Passamos grande parte do tempo a correr, preocupados com o amanhã, sem pensar muito no hoje. Vamos na rua e encontramos aquela pessoa que já não vemos há imenso tempo. Pergunta-nos o que temos feito, como está a correr o trabalho, quando é que vamos casar e se pretendemos ter filhos em breve. Pergunta-nos tudo menos o mais importante: se estamos felizes.
A sociedade planeia tudo por nós. Como se tivessemos de viver por etapas. Estudas para conseguires um bom trabalho (sem que te perguntem se é o trabalho que te apaixona), depois, automaticamente, tens de formar uma família. Se fizeres isto tudo direitinho, as pessoas partem do princípio de que tens a vida perfeita. Aos olhos delas, és feliz. Mesmo que não o sejas. E, se mostrares que não o és, provavelmente vão chamar-te de mal agradecido e dizer que não sabes aproveitar aquilo que tens. No fundo, tudo é posto em primeiro lugar, menos a felicidade. Raramente paramos para pensar se é mesmo isto que queremos ou se o fazemos porque o que está à nossa volta assim o exige. Não nos perguntamos se somos felizes, o que é que nos faz falta ou o que é que queremos mudar. Talvez porque a mudança nos assusta, principalmente se isso significar quebrar o que “é suposto acontecer”.
Aquele conhecido segue o seu caminho. E tu também. Falaram sobre tudo o que envolve as vossas vidas, mas nem sequer te ocorre que nenhum perguntou ao outro se está feliz. Talvez porque nem tu colocas essa questão a ti mesmo. Por mera distração. Porque estás a pensar em mil e uma coisas ao mesmo tempo. E a maior parte delas nem sequer tem importância porque se baseiam nos teus planos de corresponder às expectativas que o mundo tem sobre ti. Mas a vida só funciona realmente se olharmos mais para dentro do que para fora. E se, neste preciso momento, estiveres a viver uma vida que não é a tua?


Publicado em: Repórter Sombra.




sábado, 19 de janeiro de 2019

Não há melhor terapia do que um amigo

sábado, janeiro 19, 2019 2 Comments
D.R.

Nunca fiz distinção entre amizade e amor. Não existem um sem o outro. E se é verdade que o amor é a cura para qualquer mal, um amigo pode, de facto, amenizar qualquer situação.
Há quem diga que o dia-a-dia nos tira tempo para estar, sentir ou desfrutar de pequenas coisas. Eu não acredito nisso. Acho que só depende de nós. Passamos grande parte do nosso tempo a tentar encontrar um equilíbrio e, no meio dessa procura, acabamos por perder mais tempo do que aquele que ganhamos. Não percebemos que o equilíbrio nos é dado pelos sentimentos. Que nada é mais terapêutico que ouvir aquela voz que nos faz sempre sentir em casa. Que não há melhor calmante do que um abraço daquele amigo que sabe sempre fazer com que nos encontremos no meio do caos. E isso, por si só, já é amor. O mais sincero de todos que não exige mais nada em troca a não ser estar. Estar de corpo e alma como se nada mais existisse para além de sentimentos. Porque a verdade é que, quando nascemos, a única coisa que trazemos conosco é isso. Não existem palavras, cargos ou bens materiais. Só sentimentos. Nascemos a chorar, porque sentimos.
Se sentir é a primeira coisa que existe quando somos “atirados” para o mundo, não há melhor terapia do que estar perto de alguém que nos faz sentir. Que nos devolve essa sensação de nascimento. E, por esse motivo, sempre associei um simples café ao amor. É incrível como transportamos para uma bebida o desejo de estar perto de alguém. “Vamos tomar café e conversar um bocadinho?”. É quase sempre este mote para a nossa procura daquele alguém que nos vai tirar da barafunda do dia-a-dia. Que nos vai fazer esquecer dos problemas do trabalho e nos vai relembrar que há coisas mais importantes que a correria e a pressa. Afinal, todos temos pressa para alguma coisa e raramente paramos para ver em vez de olhar.
No final de contas, tudo se resume a estar com o outro. A aprender a estar sem pensar no resto. Sem culpas do que ficou por fazer ou receio do que vai ser o amanhã. Nada é mais terapêutico do que um amigo. Nada é mais importante do que o amor.

Publicado em Repórter Sombra.




sábado, 8 de setembro de 2018

O que fica quando cai a máscara?

sábado, setembro 08, 2018 7 Comments
D.R.


Todos somos uma representação. Mostramos aos outros aquilo que queremos e quando queremos. Agimos consoante as situações ou circunstâncias. Mas e quando a máscara cai? O que é que fica?
Cada indivíduo tem características diferentes. Características que se vão revelando ao longo do tempo. No fundo, o que todos fazemos é mostrar aos outros um conjunto de características pelos quais somos reconhecidos. No entanto, elas não nos definem por completo fazendo com que usemos uma espécie de máscara. Nessa máscara escondemos aquilo que não queremos que os que nos rodeiam vejam. Mas a máscara cai. Num momento de fraqueza, acaba por cair. E depois disso.... O que fica?
O que ocultamos não tem de ser necessariamente mau. Por vezes, ocultamos apenas as nossas fragilidades utilizando uma máscara que transmite força. Nem sempre somos nós próprios. Por vezes, fingimos um sorriso ou um abraço. Controlamos impulsos, fazemos sacrifícios e optamos por mostrar que está tudo bem mesmo quando não está. Esta realidade mostra que todos, sem excepção, usamos máscaras. Porque todos ocultamos alguma coisa uns aos outros. Seja um erro do passado ou simplesmente uma característica da nossa personalidade.
Há quem associe o cair da máscara a algo mau. Mas nem sempre é assim. Por vezes, o cair da máscara revela alguém ainda melhor do que pensávamos. Porque as máscaras não são apenas usadas para tapar o que de menos bom temos dentro de nós. Alguns usam-nas para esconder coisas boas, para que essas coisas não lhes sejam retiradas. Quando mostramos tudo de nós é mais fácil sermos atingidos pela maldade humana. E quebramos. E a máscara serve exatamente para isso: protegermo-nos.
A metáfora da máscara sempre foi muito usada. No entanto, uma grande percentagem da população diria que, quando esta cai, ficam as coisas más. Discordo. Há momentos em que o cair da máscara revela o que está por detrás de um coração de gelo ou de uma mente perversa. Mas até isso acontecer, quem a usa carrega um fardo. Mostrar aos outros aquilo que queremos que vejam de nós é cansativo.
Talvez o segredo não seja a pessoa deixar a máscara cair. Talvez seja nossa obrigação ver o que está por trás da máscara.

Publicado em: Repórter Sombra.

quinta-feira, 30 de agosto de 2018

Desde que me amo, o meu corpo está mais bonito

quinta-feira, agosto 30, 2018 4 Comments
D.R.


“Mente sã, corpo são”. Há quem, como eu, acredite nesta máxima. A ideia de que a mente comanda o nosso corpo e influencia o seu desempenho. Viver bem com o corpo que temos nem sempre é fácil. E isso acontece porque a nossa mente está sempre numa busca desesperada pela perfeição, sem que se aperceba que ela não existe.
“Estou tão gorda” ou “ sou tão magra, quem me dera ter curvas”, são duas das frases que mais dizemos quando nos olhamos ao espelho. A imagem que passamos para o exterior é importante, mas mais importante que tudo é a imagem que temos de nós próprios. Aquela que vemos ao espelho quando estamos completamente nus e que é refletida pelo estado da nossa mente. Às vezes, aquela gordurinha não existe. A celulite não é assim tanta e as borbulhas mal se notam. Mas basta o nosso cérebro dizer-nos o contrário que nós acreditamos. No fundo, está tudo na nossa cabeça. Se conseguirmos aprender a olhar para nós com uma mente limpa de preconceitos, mais facilmente aceitamos o corpo que nos foi dado.
Ao longo da vida, vamos percebendo que a sociedade está formatada. Um polícia ou um advogado não pode ter tatuagens visíveis. Quantos mais piercings tens mais provável é seres chamado de “rebelde” na rua. É como se tudo o que faças seja avaliado pelo que és por fora. E isso consome-te. Na maior parte das vezes, não te importas se tens uns quilinhos a mais porque sabes que estás linda/o na mesma. Mas a tua mente diz-te que os outros vão olhar-te de lado. Vão chamar-te gorda/o, rir-se e olhar para ti enquanto optas pelas batatas fritas ao invés da salada como se estivesses a cometer um pecado. Mas cabe a ti mudar isso. E, sim, falo diretamente para um “tu” porque sei que tu, que estás a ler isto, já sentiste alguma insegurança com o teu corpo. Já quiseste mudar e já sentiste vergonha de o exibir na praia. Mas, bom, não precisas. O primeiro e único passo para esse sufoco ter um fim é aceitares-te. A partir do momento em que gostares de ti como tu és, a opinião dos outros não vai importar.
Não é um cliché quando dizemos que “se eu não gostar de mim, ninguém gostará”. É a maior verdade existente no planeta. Porque, na verdade, o outro vai sempre encontrar algum defeito em ti. Ou estás gorda ou estás magra de mais. Ou tens celulite ou andas a tomar coisas ilegais para estares com o corpo em forma. Nunca nada serve ao outro. E porquê? Porque é a mente que comanda. E a mente do outro vai sempre procurar algo paa te rebaixar. Porque esse outro também tem inseguranças e, por vezes, rebaixar-te fá-lo sentir-se um bocadinho melhor. A não ser que não deixes. Ama-te e ensina o outro a amar-se. A gordurinha a mais, o peso a menos, a borbulha, a celulite,... Tudo isso faz parte da vida. Com o teu nascimento, isso vem tudo atrás e, um dia, hão-de vir as rugas e os cabelos brancos e vão ficar bem em ti. Porque significam história. A tua história.
Não há um segredo para teres o corpo que vês naquela capa de revista. Mas há um segredo para gostares do corpo que vês ao espelho: amares-te. Amares cada pequenino detalhe. Cada marca, cada cicatriz,... Se perceberes que és única/o e ninguém é igual a ti vais, certamente, amar o teu corpo. E vais desistir de o querer mudar. Porque não tens de mudar. O que é teu é teu e não podia ser mais bonito.

Publicado em Repórter Sombra

sexta-feira, 10 de agosto de 2018

Regras: objetivo ou castigo?

sexta-feira, agosto 10, 2018 3 Comments

Dizem que as regras são para cumprir. E têm razão. Se não existissem regras e todos fizessemos o que nos viesse à cabeça, a sociedade seria uma verdadeira barafunda. Mas também há quem defenda que as regras existem para ser quebradas. De vez em quando, também é preciso. E é esta contradição entre cumprir e não cumprir que faz a sociedade avançar.
As regras foram criadas para manter a ordem numa sociedade. Quando criamos regras, o objetivo é cuidar/proteger alguma coisa e educar quem as segue. Há quem as respeite, há quem prefira quebrá-las. Mas, no fundo, há momentos em que quebrá-las é legítimo. Há momentos das nossas vidas em que sentimos que as regras criadas não foram as mais adequadas a determinadas situações. E, por esse motivo, é legítimo que manifestemos a nossa opinião e lutemos pela mudança, mesmo que isso implique quebrar uma ou outra regra. Mas não só. Quando se trata da vida humana e daqueles que amamos, esquecemos as regras. Quebramos tudo o que houver para quebrar porque, no fim, o amor é a coisa mais sem regra que existe. E é esse mesmo amor o maior motivo para infringirmos qualquer imposição.
Por outro lado, as regras são muitas vezes entendidas como uma arma para a educação. A prova disso são os pais. Um pai ou uma mãe tem sempre de colocar regras aos seus filhos. “Não chegues depois desta hora” ou “não deixes os brinquedos por arrumar” e se, eventualmente, a criança não cumpre a regra que lhe é dada, então sofrerá as consequências (castigos). A isto chama-se preparação para o futuro. Uma geração ensina à outra a importância de seguir regras por saber que aquela criança que nasce vai conviver com elas para o resto da sua vida. E, se não as souber seguir, será punida por isso. No fundo, são estas imposições que nos são ensinadas desde que nascemos, que comandam a vida e permitem que ela seja minimamente organizada. Porque sem regras, nada faria sentido. Afinal, se assim somos individualistas, o que seríamos se elas não existissem?
Grande parte da população, cumpre as regras por recear o castigo. Tal como a criança que faz os trabalhos de casa por saber que, se não os fizer, não vai brincar a seguir. Desta forma, nem sempre respeitamos os limites da velocidade por zelarmos pelo nosso bem ou pelo do veículo ao lado. Às vezes, só o fazemos por temermos a consequência que surgirá se não o fizermos. A questão que fica no ar é “se as regras foram inventadas para proteger a sociedade, porque é que não as encaramos como um objetivo ao invés de um caminho para a punição?”


Publicado em: Repórter Sombra.

quarta-feira, 30 de maio de 2018

Desculpa, não te quis magoar

quarta-feira, maio 30, 2018 2 Comments


Nem sempre magoamos com intenção. Às vezes, magoar alguém é só uma forma de cuidarmos de nós. É um alerta. Uma forma de nos resolvermos. Por vezes, magoar o outro é a única forma de solucionar um problema que insiste em não desaparecer.
Todos já passámos por uma situação em que sabíamos que, se disséssemos ou fizéssemos determinada coisa, íamos magoar outra pessoa. Mas também sabíamos que essa era a única forma de resolvermos os nossos problemas. A verdade é que todos temos personalidades diferentes e, por isso, às vezes entramos em conflito. Para não magoarmos o outro guardamos o que sentimos e vivemos esse problema até à exaustão. Protegemos tanto o outro que nos esquecemos da pessoa que mais precisa da nossa proteção: nós mesmos. Tudo tem limites e chega o dia em que não aguentamos mais. Assim, decidimos pôr a razão à frente do coração e tomamos a decisão que nos parece mais lógica: resolver os problemas que nos sufocam.
Desta forna, às vezes temos de magoar para sairmos de determinados problemas porque, na verdade, em determinadas situações, o outro só percebe que vivemos assombrados por um problema quando o magoamos. Às vezes, magoar alguém é a melhor forma de a proteger. Porque cresce. Porque reflete e, mais tarde, entende. Só assim se resolve o problema. E, no fim, a sinceridade é o caminho.
A frase “Desculpa, não te quis magoar” pode, realmente, ser o caminho. Porque, de facto, na maior parte das vezes em que magoamos alguém, não queremos magoar. Acontece porque todos temos sentimentos e nem sempre sabemos geri-los. A solução é a comunicação. Dizer ajuda sempre. E, no fim, tudo fica melhor.

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segunda-feira, 16 de abril de 2018

Oiçam o outro como ouvem a música: com o coração

segunda-feira, abril 16, 2018 3 Comments


Há dias em que recuo uns anos na vida e volto ao tempo em que era apenas uma criança. Nessa época, acreditava que, todos juntos, podíamos mudar o mundo. Depois cresci e perdi um pouco da ligação com ele.
Quando nascemos, ninguém nos diz o que vamos enfrentar até ao fim da nossa vida. E se a partir do momento que nascemos estamos a caminhar para a morte, fazemos de tudo para que o tempo que aqui estamos valha a pena. No entanto, são muitos os obstáculos que se colocam no nosso caminho. Desilusões, mágoas, tristezas, dificuldades, doenças,... São muitas as situações que mexem com o nosso íntimo e, consequentemente, com a nossa personalidade. Posteriormente, e como forma de encontrar o trajeto que nos leve à felicidade que tanto desejamos alcançar, tentamos resolver-nos. Procuramos encontrar-nos na enorme imensidão do nosso ser e, por vezes, ao tentar encontrar-nos, perdemo-nos. Perdemo-nos do mundo, do outro, da sociedade... E perdemo-nos de tal forma que mergulhamos no egoísmo daquilo que queremos ser. Esquecemo-nos dos que são conosco. Daqueles que partilham a nossa casa: o planeta.
Hoje, vivemos num mundo muito centrado em nós mesmos. Eu sou um desses casos. A luta incessante pelo que vamos ser amanhã, pelos sonhos que queremos realizar e pelos problemas que temos de superar faz com que nos esqueçamos dos que nos rodeiam. “Cada um tem os seus problemas”, a frase que ouvimos tantas vezes e que é a prova concreta do nosso egoísmo. Todos temos a nossa individualidade, é um facto. Mas não será muito mais fácil partilhá-la com os restantes? Afinal, a casa em que vivemos é uma pequena parcela da enorme casa em que, realmente, habitamos. E essa casa não só é partilhada com a nossa família, como com o restantes habitantes. Essa casa é o planeta que habitamos. E se todos dividimos esse pequeno grande espaço não deveríamos unir-nos num espírito de entreajuda e busca da individualidade e coletividade de cada um?
A empatia é algo que se conquista. E é isso que nos falta. Recuperar a empatia com o outro que há muito perdemos. E, para isso, basta-nos acreditar. Acreditar que não somos ninguém se estivermos sozinhos. E essa solidão pode facilmente esvair-se se largarmos o egoísmo e abraçarmos a união. “Juntos somos mais fortes”, diziam os Amor Electro. É esse o poder da música: dizer-nos a verdade da forma que mais facilmente chega ao nosso coração. E é essa a solução para qualquer conflito: ouvir. Oiçam o outro como ouvem a música: com o coração.

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sexta-feira, 6 de abril de 2018

A bondade tem limites?

sexta-feira, abril 06, 2018 3 Comments

A bondade define-se pela inclinação que cada um de nós tem para praticar o bem. É certo que nem sempre conseguimos distinguir o bem do mal, mas mesmo quando erramos a tentar fazer bem, a intenção está lá. E, às vezes, basta existir a intenção para haver bondade.
Todos queremos – ou, pelo menos, deveríamos querer- ser bons cidadãos e bons seres humanos. A bondade ajuda a melhorar o mundo e, se não resolver todos os problemas, ajuda a resolver alguns. Um coração bom é capaz de coisas incríveis e o melhor de tudo é que pode mudar vidas. No entanto, a bondade em demasia também pode trazer desvantagens. A verdade é que tudo tem limites… até as coisas boas. Assim, a questão que se coloca é: qual o limite da bondade?
A resposta parece fácil mas não é. Muitos dirão que o limite é a falta de retribuição, isto porque muitas vezes somos bons e recebemos exatamente o oposto em troca. Outros responderão que o limite é a sinceridade dos nossos atos. Seremos sempre genuinamente bons? Ou, algumas vezes, somos bons porque isso nos vai fazer sentir melhor com nós mesmos? Qualquer uma destas respostas é aceitável. Assim como muitas outras.
No entanto, penso que nunca atingimos realmente o limite da bondade porque quando se é genuinamente bom, não dá para deixar de o ser. Por mais que essa bondade não seja reconhecida, valorizada ou aceitada, quando o somos porque está na nossa natureza não há limites. Podem partir-nos o coração, podem dizer-nos que somos bons demais para um mundo tão cruel, podem fazer-nos sentir que não vale a pena e nós podemos mesmo acreditar que “já chega”. Mas nunca chega. Porque está na nossa constituição e o que nasce connosco dificilmente se altera.
A bondade não tem limites. Há quem ache o mesmo da maldade e com razão. Mas por culpa do mau, acreditamos poucas vezes que o bom também é imparável. Mas é. E ainda bem. Que nunca deixemos de acreditar que o bem pode vencer o mal. Porque pode. Só depende de nós próprios e da genuinidade dos nossos sentimentos.

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sábado, 23 de dezembro de 2017

A curiosidade matou o gato… ou não!

sábado, dezembro 23, 2017 2 Comments

Já todos ouvimos o famoso ditado “a curiosidade matou o gato”. Este serve para nos alertar para o facto de a curiosidade nem sempre ser uma coisa positiva. Mas esse “nem sempre” pressupõe que há alturas em que a curiosidade é, de facto, uma coisa boa.
Uma delas está relacionada com os negócios. Ser curioso é, sem dúvida, uma característica que pode contribuir para uma carreira de sucesso. Isto porque os curiosos investigam, procuram as respostas para todas as suas questões e vão para além daquilo que é o conhecimento comum. E isso pode ser uma vantagem, uma vez que qualquer empregador procura a novidade. Alguém capaz de superar as expectativas e, acima de tudo, de se superar a si mesmo. E a curiosidade é um excelente ponto de partida para essa superação.
Se pesquisarmos a palavra “curiosidade” vamos, rapidamente, perceber que grande parte desses sinónimos são palavras negativas. “Intromissão”, “bisbilhotice” e “inconveniência” são algumas das palavras que se destacam nesta definição. No entanto, se olharmos bem, vamos reparar que também existe o oposto. “Raridade”, “preciosidade”, “singularidade” e “originalidade” são, também, sinónimos associados à curiosidade. E, no fundo, são estas as características que vamos tentando conquistar ao longo da nossa vida. E se procuramos ser singulares, originais e raros é porque temos consciência de que isso nos trará sucesso e, consequentemente, felicidade. Então porque é que não nos apercebemos que a curiosidade pode ser um ponto de partida para esse sucesso? Porque, grande parte das vezes, a associamos apenas ao seu lado negativo e nos esquecemos do positivo. No entanto, é extremamente importante entender as vantagens de se ser curioso.
Ser curioso é ter um olhar atento sobre o mundo. É aprofundar o que para os outros é superficial. É fazer a diferença. É questionar. Ser curioso é sinónimo de uma carreira de sucesso. Afinal, não será merecedor de uma excelente carreira aquele que questiona quando o resto do mundo exclama?


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sexta-feira, 17 de março de 2017

RTP aposta em séries portuguesas

sexta-feira, março 17, 2017 2 Comments


Recentemente, a RTP encontrou uma nova forma de dar outra voz à produção cultural portuguesa: através de séries.
Muitas das séries apresentadas pela RTP ao público vieram substituir as novelas, criando uma certa diversidade cultural. Os géneros distintos têm o intuito de diversificar a oferta apresentada pela televisão portuguesa, de forma a captar mais eficazmente a atenção do espetador. A prova disso é que tanto podemos encontrar séries mais dramáticas, como séries mais cómicas. Ou séries mais voltadas para o lado político e outras para o nosso lado mais psicológico.
Na minha opinião, o facto de a RTP ter inserido este tipo de conteúdos na sua programação é bastante positivo, na medida em que promove de forma mais ampla a cultura portuguesa. Já há algum tempo que vemos séries na televisão portuguesa mas, por norma, as séries estrangeiras aparecem em maior número. E, dessa forma, o facto de um canal ter optado por produzir séries portuguesas, com atores portugueses e de renome, dá outro encanto à nossa cultura. A verdade é que a televisão tem um grande impacto na vida das pessoas, daí os conteúdos que ela transmite serem bastante importantes. E se há conteúdos que cada vez são mais procurados quer pelo público mais jovem quer pelo público mais adulto, são as séries. Nesse sentido, penso que a RTP apostou bastante bem na medida em que é benéfico para ambas as partes: o público e a própria estação. Já para não falar que tem um relevo importantíssimo para a cultura do país já que aposta naquilo que é nacional.
Assim sendo, a “ficção para todos os gostos” que nos é apresentada pela RTP pode e deve ser encarada como uma forma de promover a cultura portuguesa e de a expandir ao máximo, mostrando que Portugal não produz apenas boas novelas, também domina outros campos.

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sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Perdoar é ser livre

sexta-feira, janeiro 27, 2017 8 Comments
Sempre me perguntei o que era o perdão. As respostas que todos me davam rondavam sempre o “perdoar não é esquecer”. Ok, se perdoar não é esquecer, o que é o perdão?
Para mim, perdoar é um ato de amor. Só quem ama é capaz de perdoar, afinal, não é fácil perdoarmos alguém que quebra promessas, nos trai e nos faz mal. A verdade é que poucas coisas na vida são fáceis. O dia a dia é uma luta constante e são maiores os fracassos do que os sucessos. Mas tudo fica melhor quando temos alguém a nosso lado que nos ajuda a suportar o peso do mundo e que demonstra querer a nossa felicidade acima de tudo o resto. E quando há uma ruptura fruto de uma traição por parte de outrem não há forma de esquecer a dor que essa traição nos causou. O nosso último ato de amor só pode ser o perdão. Um perdão que não significa esquecimento e que, muitas vezes, nos ajuda a seguir em frente sem qualquer mágoa ou rancor.
Perdoar não é nada mais nada menos do que um ato de coragem. Só os corajosos conseguem pôr a mágoa de lado e perdoar aqueles que rasgaram um bocadinho de si ao meio. Só os corajosos conseguem entender que dar o nosso perdão é a resposta mais adulta que podemos dar a alguém. E o melhor de tudo é que perdoar não implica ficar. Por vezes o melhor é deixarmos os ressentimentos de lado mas optarmos por ir embora para que não seja necessário usar o perdão mais uma vez. E mais uma. E outra. Infelizmente, existem sempre milhares de pessoas que abusam dos mais corajosos. Sim, aqueles que têm uma capacidade gigante de conseguir perdoar. Mas se perdoar não é esquecer, também não é continuar. Continuar a lidar com decepções, traições e faltas de respeito. Perdoar é exatamente o oposto. É limparmos o nosso coração da raiva que sentimos e seguirmos em frente sem qualquer sentimento mau dentro de nós, mesmo que isso implique deixarmos alguém para trás.

É. Não há um significado específico que possa descrever o ato de perdoar. Talvez porque seja um ato tão corajoso que não existam palavras para o descrever. Porque as coisas para as quais não existe uma definição concreta implicam sentimentos. E o perdão exige um misto de sentimentos. Perdoar é ser livre. É ser livre de voar para longe na certeza de que quando voltarmos há mais uma desilusão à espera. Afinal, a vida é feita delas.



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quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

O que significa mudar?

quinta-feira, dezembro 08, 2016 4 Comments
O que é mudar? Não sei. Talvez não exista uma definição exata para o que é, realmente, mudar. Mas um dos maiores factos da vida é que, por vezes, a mudança é necessária e uma constante.
A verdade é que a vida é uma mudança constante. E eu acredito cegamente que mudar é preciso, afinal, não se vive para sempre. E se não mudarmos não estaremos a ser apenas cómodos? Se não optamos pela mudança em determinadas alturas da nossa vida é porque algo está mal. Assim como o café esfria, o tempo se altera e as temperaturas oscilam, também a vida muda. É uma caraterística quase inata. Mudança e vida andariam de mãos dadas se fossem duas pessoas. Isto porque, a meu ver, não vivem uma sem a outra. Daí, na maior parte das vezes, sermos obrigados a mudar. Nem sempre por vontade própria, mas porque a vida não nos dá outra opção. Talvez porque ela se encarregue de nos dar os maiores ensinamentos, sendo que o maior deles todos é sairmos da nossa área de conforto. O comodismo mata-nos. Acomodamo-nos tanto a algo ou alguém que ficamos com medo de mudar e preferimos deixar tudo como está, mesmo que tudo esteja errado. E é aí que entra a vida. Ela força-nos a abandonar o correto, o fácil e o cómodo. Ela coloca-nos entraves e situações que nos obrigam a mudar.
Umas boas e outras más, as mudanças fazem parte de nós e ajudam-nos a ser o que somos. Se me perguntassem “porque mudamos?” creio que a minha resposta seria sempre a mesma “porque a vida nos obriga a isso”. Não no verdadeiro sentido da palavra, mas no sentido em que se quisermos ser realmente felizes vamos ter de nos forçar a mudar muitas vezes. A mudar de país para alcançar aquele sonho que aqui não se realiza. A mudar de cidade para viver com aquela pessoa que tanto amamos. A mudar hábitos em função das contrariedades que diferentes situações nos impõem. Mudar. Mudar. E mudar. Não é à toa que mudamos constantemente de roupa, de sapatos ou de objetos. Nós mudamos o vestuário porque não gostamos de estar sempre vestidos da mesma forma. Não será que isso acontece porque a mesma coisa repetidamente começa a cansar? Isso ocorre em todas as situações da vida. O monótono cansa. O repetido enjoa e a novidade traz um brilho diferente. E a novidade está na mudança. Daí a mudança ser tão importante nas nossas vidas.

Posto isto, não posso negar que a mudança é algo positivo mesmo que às vezes seja algo difícil de encarar. É tão mais fácil mantermo-nos cómodos, continuar na monotonia da vida e na nossa zona de conforto. É ótimo porque não dá trabalho nenhum, afinal, é aquilo a que estamos habituados. Mas, se pensarmos bem, percebemos que a monotonia estraga a nossa felicidade. Felicidade essa que só a novidade pode trazer de volta. O que é novo dá-nos novas experiências. E com as novas experiências vêm sorrisos novos e, consequentemente, novos motivos para viver a cada dia que passa.



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