terça-feira, 6 de setembro de 2016

Opinião: «Dirty Grandpa»

terça-feira, setembro 06, 2016 5 Comments
Cartaz do Filme

Dirty Grandpa é uma comédia de 2016 que conta com Julianne Hough, Robert de Niro e Zac Efron no elenco principal.
O filme conta-nos a história de Jason (Zac Efron) que, a poucos dias de se casar com Meredith, é incumbido de levar o avô a uma cidade costeira da Florida. A sua avó tinha falecido recentemente e esta pareceu-lhe a melhor atitude a tomar visto que o seu avô ainda estaria a sofrer com a morte. Mas o inesperado acontece. Dick (Robert de Niro) está empenhado em encontrar a felicidade após a morte da sua mulher e aproveitar tudo o que a vida ainda tem para lhe oferecer. Desta forma, leva o seu neto para uma onda de divertimento que o próprio abomina no início mas à qual não consegue resistir. Esta aventura faz com que Jason encontre uma ex colega de escola e se apaixone verdadeiramente por ela, o que o deixa numa situação complicada já que o seu casamento está prestes a acontecer e ele não pode deixar um futuro promissor em prol de um futuro que não será garantido.
A minha opinião sobre este filme é um pouco "mista", digamos assim. Em primeiro lugar, não acho que este seja o tipo de papel indicado para um ator como o Robert de Niro. O filme em si é bom mas torna-se fraco quando vemos que não está ao nível do ator. A verdade é que o Robert de Niro nos habituou a filmes de alto nível. É um ator fenomenal e este papel é muito diferente daquilo a que estamos habituados e, sinceramente, não correspondeu às minhas expectativas nesse aspeto.
Por outro lado, e apesar de preferir ver o Zac Efron em filmes mais "lamechas" do que propriamente em comédias, este foi o que mais me prendeu ao filme. Porque o Zac tem a capacidade de conseguir fazer com que pessoas que não gostam de determinado filme passem a gostar só pelas suas personagens. E ao contrário do que aconteceu com a personagem do Robert de Niro, a personagem do Zac Efron estava super bem idealizada e transmitia uma história no meio de um filme que inicialmente não parecia transmitir história alguma. Ou seja, nesta história, o avô é a espécie de personagem usada para nos "empurrar" para a personagem principal. E é nesse sentido que acho que houve uma falha relativamente ao trabalho do Robert. Estou habituada a ver o Robert lá no topo e neste filme senti os meus olhos mais em cima do trabalho do Zac do que dele. E isto não se deve ao ator mas à personagem interpretada pelo Robert que apesar de fazer um certo sentido na história, na minha opinião, estava um pouco exagerada demais. 
Posto isto, não posso dizer que não gostei do filme. Muito pelo contrário. Achei-o bastante interessante no sentido de nos alertar para algumas realidades que, infelizmente, ainda existem. Acho que serve para nos fazer refletir relativamente a alguns padrões da sociedade e à nossa própria liberdade. Afinal, Jason nunca foi realmente livre até o avô lhe mostrar o que é a liberdade de escolha. Podermos escolher quem queremos para o nosso futuro e o que queremos fazer com a nossa vida. Ainda há muitos jovens que não seguem os seus sonhos para seguir os sonhos dos seus pais, avós, etc etc... E, nesse sentido, o filme está fantástico e passa bem a mensagem. 

Já viram o filme?
O que acharam?

domingo, 4 de setembro de 2016

sábado, 3 de setembro de 2016

Filipe Pinto: «O apoio dos portugueses é crucial para a minha continuidade neste meio.»

sábado, setembro 03, 2016 4 Comments
Filipe Pinto é um jovem apaixonado pelo mundo da música.
Natural do Porto, Filipe sempre desenvolveu uma procura do espírito livre em ambientes musicais, sendo que a guitarra acústica sempre lhe despertou uma grande curiosidade. Desta forma, em 2009, o jovem participa no programa Ídolos, na SIC, onde se consagrou vencedor. Inicia então os estudos na London Music School, onde teve a oportunidade de melhorar a sua veia musical. Em 2012, Filipe lança o seu primeiro álbum de originais –CERNE. E, mais tarde, o disco E Tudo Gira.

Nesta entrevista, Filipe Pinto fala-nos um pouco acerca do seu percurso musical e do seu segundo disco.


Como surgiu o teu gosto pelo mundo da música?
A música surgiu desde infância, num tempo em que em todos os momentos em família existia uma vontade natural de cantar. Mais tarde veio o gosto e a admiração pela guitarra.

De que forma o movimento Grunge contribuiu para essa tua paixão?
A rebeldia da adolescência e a idade em que as perguntas começam a existir com mais frequência levaram-me para esse registo musical. Mas, como digo, foram apenas influências que fizeram parte de um caminho que tanto eu como muitos outros jovens descobriram. Hoje em dia já escuto outras sonoridades.

E a guitarra acústica? A verdade é que ela tem sido a tua companheira ao longo de todo este percurso...
A guitarra é um instrumento onde comecei a dar os primeiros acordes. É, hoje em dia, o meu instrumento de trabalho em paralelo com o piano e não abdico de utilizá-la. Mas confesso que ainda ando à procura da guitarra ideal para o meu som!

Como surgiu a oportunidade de participares no Ídolos?
Duas amigas inscreveram-me. Se não fossem elas não estaria a falar certamente do meu percurso musical convosco agora.

De que forma o programa te incentivou a continuares neste mundo?
O programa permitiu-me descobrir que o meio artístico, neste caso a música, era realmente a minha paixão. O apoio dos portugueses é crucial para a minha continuidade neste meio.



Esperavas ser o vencedor? O que mudou desde aí?
Mudou tudo na minha vida. O modo como encaro as pessoas, a vontade de tocar ao vivo e de colocar desafios a mim mesmo, como foi o projeto infantil O Planeta Limpo do Filipe Pinto, a experiência de fazer uma digressão pelo país, os trabalhos que surgiram desde esse momento e mudou  a minha percepção sobre a música que me motiva a continuar.

Como descreverias a London Music School?
Uma escola onde comecei a conhecer fundamentos e linguagem musical e uma escola recheada de alunos de todo o mundo que permitiu uma amplitude da realidade que eu conhecia antes e que me fez perceber que temos muito para descobrir.

Fala-nos um pouco sobre o teu segundo disco.
E tudo Gira traz uma sonoridade acústica e canções em diferentes registos rítmicos e de sonoridade que transmitem a ideia de desafiarmos a nós mesmos no acreditar e na superação de obstáculos, sendo o sorriso o denominador comum. É um disco editado pela Sony Music e conta com a participação de mais de 16 músicos. Estou na fase de promoção do mesmo para dar a conhecer os temas. A novela “Rainha das Flores” passa o tema Infortúnios e a “Massa Fresca” o tema E Tudo Gira!

“Não fico à espera do que o tempo me dá”. O que o tempo te tem dado tem sido suficiente?
A ideia da frase é exatamente o contrário. Não podemos ficar à espera do tempo para fazermos as coisas da nossa vida. Não podemos ficar à espera sentados resignados ao declínio da nossa insegurança e incerteza. É preciso avançar em frente.

Para terminar, o que podemos esperar de ti no futuro?
Mais canções, mais desafios que sejam interessantes para mim e que me obriguem a sair da minha zona de conforto. Parcerias com outros músicos e/ou bandas e mais projetos educativos sempre relacionados com o ambiente, uma área que me interessa debater.



Terminada a entrevista resta-me agradecer ao Filipe pela sua disponibilidade e, acima de tudo, por ter aceite responder às minhas questões.



sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Gosto de ti, e depois?

sexta-feira, setembro 02, 2016 6 Comments
Não percebo o amor. Não percebo porque é que escolhemos sempre amar quem não nos ama de volta enquanto desprezamos aqueles que nos amam incondicionalmente.
Não percebo porque é que amamos tanto alguém que ao invés de nos fazer sorrir só nos traz lágrimas. Não percebo porque é que o amor nos faz tão estúpidos e confusos. Ele transforma-nos. E se antes nós nos conhecíamos, quando estamos apaixonados é como se não soubessemos mais nada sobre nós. Temos atitudes que nunca pensámos ter, fazemos aquilo que jurámos nunca fazer e, mesmo sabendo que isso só nos magoa, continuamos a amar. E amamos incondicionalmente. Sabemos o quanto um amor não correspondido dói e continuamos a ferir aqueles que nos amam em prol daqueles que não nos querem. Acho que isto significa que o amor é um ciclo, certo? Ele magoa-te e tu choras enquanto, ao mesmo tempo, tu magoas alguém que chora por ti. E assim se vai vivendo a vida, todos desencontrados e todos a sofrer por quem não nos quer. Mas eu sei que um dia tudo muda. Acredito que um dia todos encontramos a nossa sintonia. É como se vivêssemos uma vida inteira à procura do significado da palavra “amor” e todos os dicionários estivessem errados até encontrarmos um com a definição certa.
Acabei de encontrar-te. Não sei se és o significado certo ou se és só mais um que veio para me fazer chorar. Mas a verdade é que, agora, és tudo o que eu quero. A definição de amor que veio acarretada a ti mostra-me felicidade, vontade de te ter o tempo inteiro e de te prender no meu peito para sempre. Não sei se é certo ou não, não sei se sentes o mesmo ou se estás a pensar no mesmo que eu neste momento. Mas o que é que isso interessa? Por mais que queira não te amar não vou conseguir, não é? Não é sempre assim? Toda a gente diz que o amor é uma “merda”. Bem, eu não penso dessa forma. O amor dói, é verdade. O amor dilacera e torna-nos fracos. Mas também é a melhor coisa do mundo. É a melhor coisa do mundo porque traz-nos alguém que nos marca para a vida. Alguém que nos mostra que os dias maus melhoram com um simples sorriso e que a chuva não importa se estivermos em casa a ver um filme enroscados num cobertor. O amor faz-nos amar o que sempre odiámos. Se eu detestar lasanha eu vou passar a amá-la por ser o teu prato favorito. Se eu não gostar de azul, vou começar a habituar-me a ele porque é a cor que mais gostas. Se eu não me interessar por política, vou preocupar-me em perceber para poder partilhar das tuas conversas. Tudo por ti. Por ti e por mim. Porque um amor se vive a dois.
É tão difícil dizer “gosto de ti. É tão difícil mostrar que se ama. Não penses que é pelo amor não ser suficiente, porque não é. É simplesmente por medo. Medo de voltar a chorar, de voltar a sofrer e não me conseguir levantar mais. Desculpa. Desculpa se às vezes não tenho coragem de lutar o suficiente. Desculpa se te deixo confuso por não saberes se te quero ou não. Mas acredita que é exatamente por te querer demais que fujo. Se não me quero magoar, muito menos te quero magoar a ti. Porque o amor é isso: é pôrmos as necessidades do outro acima das nossas. E eu gosto de ti. E digo-o a plenos pulmões. E sinto-o com todo o coração. E vivo-o com toda a intensidade.

Publicado em Sabes Muito.


quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Querida Sofia

quinta-feira, setembro 01, 2016 3 Comments


Olá Sofia. Eu sou a Cátia. Não, não me conheces. Sou mais uma das tantas anónimas a admirar-te. Nem sei bem porque te escrevo isto mas senti-me na obrigação de o fazer, talvez porque acho que mereças ler cada palavra aqui escrita.
Sou mulher (com muito orgulho!) e não consigo sequer imaginar aquilo por que passaste. Como mulher, não me consigo imaginar sem o meu peito, sem o meu cabelo ou com a pele completamente pálida. Como mulher, também tenho medo de passar pelo que tu passaste. E como ser humano, também tenho medo de ficar doente, como todos os seres humanos têm. A verdade é que sempre tive medo e talvez por isso te admire tanto. Há uns anos, apareceu um pequeno “nódulo” no meu peito direito e, como ouvia tantas notícias sobre essa doença terrível, fiquei assustada. Corri para o hospital e, felizmente, estava tudo bem. “Faz parte da idade”, disseram-me. Mas a partir daí, temi sempre. Todos os dias fazia a apalpação com medo que estivesse tudo mal. Todos os dias pensava “e daqui a uns anos? Será que vou ter de enfrentar uma dura batalha?”. Pensamentos que não deviam estar na cabeça de uma miúda prestes a entrar na universidade e que deveria parar de pensar no futuro dessa forma. Afinal, ninguém está livre de uma coisas destas e ninguém pode adivinhar o que vai acontecer amanhã, certo? Tentei mentalizar-me que não podia fazer mais nada a não ser cuidar da minha saúde psicológica e mental e que não devia temer o futuro porque este “só a Deus pertence”, como se costuma dizer. Mas os medos apareciam de novo sempre que lia mais uma notícia de uma mulher com cancro da mama. Sim, porque de todos os tipos de cancro, este foi o que sempre me assustou mais.
Depois? Depois apareceste tu. “Como é possível a Sofia ter cancro?”, pensava eu. Depois entendi que o cancro não escolhe as suas vítimas. Ataca e pronto. Não importa se és saudável ou se tens uma vida de riscos. Ele invade, sejas tu quem fores e tenhas tu o que tiveres. E tu, querida Sofia, não foste exceção. Sei que foram meses de lágrimas e dores constantes mas também sei que vais conseguir retirar um lado positivo disto tudo e é por isso que digo que mudaste a minha forma de ver as coisas. Se antes eu temia por tudo e tinha medo do que o futuro me poderia reservar, agora estou em paz. Não temo o que possa vir daqui a dez ou vinte anos. Apenas vivo um dia de cada vez. E se algo menos bom acontecer “faço como a Sofia, sorrio para os problemas”, digo a mim mesma. E é isto que penso sempre que algo me magoa ou me dilacera. Penso em ti, querida Sofia. Penso na tua força e coragem e sorrio. E sorrio com vontade. Afinal, se tu foste capaz de enfrentar uma batalha tão difícil de uma forma tão positiva porque raio hei-de perder tempo a chorar pelos cantos? É com um sorriso, com pensamento positivo e energia que os problemas se curam. E isto aprendi contigo. E agradeço-te por mo teres ensinado.
Sei que a tua batalha chegou ao fim. Sei que as lágrimas que te escorrem pelo rosto, desta vez são de felicidade. E que bom é ver que conseguiste! Mas sabes o que é ainda melhor? Olhar para ti e nem sequer me lembrar que tiveste a doença, porque parece que não aconteceu. Talvez porque nunca deixaste que se apoderasse de ti. És um dos casos raros em que a doença não liderou. Tu mandaste nela! Não a venceste porque, na verdade, ela nunca chegou a entrar dentro de ti. Afetou-te fisicamente? Sim. Mas o mais importante não conseguiu atingir: a tua alma. Essa permaneceu sempre intacta, pura e pronta a lutar. E se hoje muitos te consideram uma guerreira, eu sou uma entre milhares de pessoas que te consideram uma inspiração. Porque mulheres com a tua força há poucas. E se hoje te dedico este texto na plataforma Capazes é porque tu mereces. Porque tu és uma Capaz, uma Capaz que representa tantas outras que, como tu, enfrentaram o mais temível dos medos. Porque todas somos Capazes, basta querermos.
Publicado em Capazes.

Até logo, Diamond!

Obrigada pela visita!
Volta Sempre :)