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sexta-feira, 26 de agosto de 2016

O nudismo é uma arte

sexta-feira, agosto 26, 2016 1 Comments
Não sou tolerante quando se trata de preconceito. Não classifico este ou aquele preconceito como sendo mais ou menos grave que os restantes. Mas confesso que nos últimos dias me tenho sentido bastante irritada após ter visto alguns comentários a mulheres que usam o seu corpo para fazer aquilo que gostam.
Em primeiro lugar, não deveríamos manter-nos de boca fechada quando se trata de um corpo que não é o nosso? Porque é que nos julgamos no direito de criticar quem quer que seja pelo que faz com um corpo que é completamente seu? Nunca entendi esse vício terrível. Aliás, nunca entendi o porquê de o criticarmos ofendendo a pessoa em questão. Um claro exemplo disso foi o facto de, na noite passada, enquanto estava a consultar as minhas redes sociais, ter visto uma rapariga ser fortemente insultada por, no mundo da moda, fazer produções fotográficas completamente nua. A mesquinhice das mulheres levou-as a chamarem-na de “puta”, “porca” e a fazer comentários depreciativos. “Não tens vergonha das figuras que estás a fazer?”, “os teus pais não te deram educação?”, “isto é pornografia, devias ter vergonha!”. Mas calma, não falo do preconceito e dos comentários que vi apenas por parte das mulheres. Como é óbvio, os homens não podiam não mostrar o seu “à vontade” perante aquela fotografia, vulgarizando o corpo feminino de uma forma, no mínimo, nojenta. Tão nojenta que prefiro nem dar exemplos.
Pois, minhas senhoras e meus senhores, ao que vocês chamam de pornografia, eu chamo de arte. O nudismo é uma arte! Ser modelo nú não é nenhum crime e muito menos deve ser considerado pornografia. Pornografia seria se houvesse um conteúdo sexual por detrás daquela fotografia. Mas não há. É pura sensualidade. Deixemo-nos de ser machistas e afirmar que o corpo de uma mulher de respeito tem de andar tapado. Ter o corpo mais ou menos escondido não faz de uma mulher mais ou menos respeitável. Aliás, mostrar o corpo em nada influencia o caráter de uma mulher, ao contrário do que muita gente pensa. Uma mulher que faz uma produção fotográfica completamente nua não é uma “puta”, é uma mulher que tem amor próprio, que conhece bem o seu corpo e que tem orgulho na sensualidade que ele transmite. E não há nada melhor do que uma mulher sentir-se bem consigo mesma ao ponto de exibir toda a sua sensualidade sem qualquer pano a travá-la. O problema não está na mulher que está nua em frente a uma câmera para quem a quiser ver “naqueles preparos”, o problema está na mente pequenina das pessoas que critica uma mulher por se afirmar e por gostar de si. Não é uma má exposição, é a exposição mais bonita que pode haver. É a exposição mais realista de todas. Afinal, nós adoramos comprar aquela revista de moda onde os modelos aparecem em trajes menores porque “é bonito” e as “fotografias estão fantásticas”. E o que é que nos lá vemos? Um alguém que não é ele mesmo. Carregado de apetrechos que não o caraterizam, de maquilhagem que disfarça as marcas que a vida deixa na nossa pele e falsas curvas num corpo outrora liso. Na fotografia a nú, o corpo é exposto na sua totalidade. Sem pedaços de pele a tapar qualquer zona. Nós não nascemos por inteiro? Não nascemos despidos dos pés à cabeça? Então porque é que temos de ser tão púdicos em relação ao nosso corpo? Qual a diferença entre fotografar de lingerie ou sem nada? Ah, pois é, a lingerie tapa as “partes proibídas”. Mas porque é que têm de haver zonas proibídas no nosso corpo? O corpo humano é o corpo humano e todos os órgãos fazem parte dele. E não me venham com tretas de que “mostrar isto é mais pornográfico do que isto”. Não culpem uma modelo que se despe completamente porque o vosso marido ficou a babar para cima dela por estar completamente nua. Não tem nada a ver com o que ela está ou não a mostrar, afinal, há sorrisos muito mais sexy’s do que um peito grande e coxas bem mais interessantes do que um rabo empinado. Se o choque se instala quando uma mulher mostra a zona púbica ou o peito é porque a sociedade não está habituada a lidar com o corpo humano da forma que deveria estar.

Isto para vos dizer que é abominável existir quem critique a arte fotográfica só porque o ou a modelo se expõe a nú. Seria muito mais correto admirarmos quem o faz por mostrar o verdadeiro propósito do corpo humano: a sensualidade nua e crua. Porque quem o faz não se está a vender ou a praticar qualquer ato sexual em público e muito menos interfere com a liberdade dos restantes. Quem o faz exprime o verdadeiro propósito da arte. Tal como o músico, o ator ou o pintor. E se há coisa que merece mais valorização neste país é a arte. 

Texto publicado em Capazes.

quinta-feira, 7 de abril de 2016

Personalidade da Semana #17: João Lagarto

quinta-feira, abril 07, 2016 3 Comments


João Lagarto é um ator e encenador português.

Como sabem, na semana passada tive a oportunidade de assistir à peça de teatro "Arte", motivo pelo qual hoje vos venho falar de João Lagarto.
Quando soube que a peça ia passar por Coimbra não pensei duas vezes e fui assistir, não só pela curiosidade mas porque João Lagarto sempre foi um dos meus atores portugueses de eleição.
Percebam ou não, é muito importante para aqueles que um dia desejam fazer Teatro terem alguém que os inspire e que os faça sentir que, mesmo com mil e uma dificuldades, vale a pena lutar por isto. 


Não é fácil interpretares mil e uma personagens, não é fácil dares tudo de ti em cima de um palco e, apesar de termos imensos atores excelentes, o João Lagarto fá-lo como mais ninguém faz. De uma forma única e eficaz, mais ninguém vive de forma tão "realista" cada personagem, nenhum outro ator me consegue transmitir tanta coisa. Dizem que na vida estamos sempre a aprender e, sem dúvida, que com pessoas assim aprendemos muito mais, com aqueles a que chamamos "mestres" pois conseguem inspirar-nos e fazer com que um dia queiramos ser como eles. Aliás, se um dia eu conseguisse ser metade do que este grande ator é, seria uma pessoa completa. 






quarta-feira, 30 de março de 2016

ARTE no TAGV

quarta-feira, março 30, 2016 5 Comments
Ontem à noite, a minha querida afilhada fez-me um convite: irmos ver uma peça de teatro ao Teatro Académico Gil Vicente (TAGV).
Conhecendo ela tão bem os meus gostos e, sabendo eu que os protagonistas das peças seriam três dos meus atores portugueses favoritos, aceitei de imediato e posso garantir-vos que não me arrependi nem por um segundo. Arte é, provavelmente, das melhores peças que já vi!


Arte é uma peça escrita por Yasmina Reza que, 18 anos depois, regressa aos palcos. A tradução é de António Feio e a encenação de Adriano Luz e Carla Sá. No final dos anos 90, os papéis agora assumidos por João Lagarto, Adriano Luz e Vítor Norte, pertenceram a António Feio, José Pedro Gomes e Miguel Guilherme. 
Depois de ter estreado em Lisboa, são 15 as localidades que vão receber esta peça. Em Coimbra recebemo-la ontem à noite e não podia ter sido melhor. O texto de Yasmina Reza é, sem dúvida, muito atual. É incrível o que um simples quadro branco e três amigos podem dizer-nos em tão pouco tempo. Uma história sobre a amizade e os limites que não devemos ultrapassar se a queremos preservar.
Amante como sou de teatro, e sendo um dos meus sonhos fazer do teatro a minha vida, não consegui conter a emoção no final da peça. A lição que lhe está subjacente é mesmo muito forte e isso aliado ao toque emotivo e ao mesmo tempo de comédia é ainda mais interessante. 
Por outro lado, não posso deixar de expressar o enorme orgulho que senti ao ver aqueles três atores em cena. Se há dúvida de que em Portugal há bons atores, essa dúvida desaparece rapidamente quando ouvimos estes três nomes. Um desempenho incrível! Dos melhores atores que temos em Portugal, se não os melhores! Desde que me lembro, sou uma enorme fã do João Lagarto (motivo pelo qual quis ver a peça mal ouvi o seu nome) e fiquei extremamente feliz por poder partilhar uma hora e vinte de teatro com ele. Mesmo que com uma certa distância. Foi emocionante e uma experiência daquelas que não me importava de repetir dez ou trinta vezes.
Assim sendo, aconselho que todos vocês vejam esta peça porque não se vão mesmo arrepender. Melhor do que ficar em casa a olhar para uma televisão ou para um computador é enriquecermos mais um bocadinho a nossa cultura, rirmos à gargalhada e pensarmos sob outras perspetivas! Por isso, vão e divirtam-se! 

Até logo, Diamond!

Obrigada pela visita!
Volta Sempre :)