domingo, 24 de fevereiro de 2019

Opinião: «Segue o Coração. Não olhes para trás»

domingo, fevereiro 24, 2019 1 Comments

«Londres, 1842. Bastará uma boa acção para levar Matilda Jennings das ruelas lamacentas de Londres rumo às cintilantes luzes da América...   Aquele podia ter sido um dia como tantos outros na vida de Matilda, uma pobre vendedora de flores. Mas aquele é o dia em que Matilda salva a vida de uma criança e recebe a mais preciosa das dádivas: a oportunidade de fugir da miséria e construir uma nova vida. Em breve trocará os bairros degradados de Londres pelos recantos misteriosos de Nova Iorque, as planícies do Oeste Selvagem e a febre do ouro em São Francisco. Munida apenas da sua coragem, beleza e inteligência, a jovem está apostada em ditar o seu destino, nem que para tal tenha de lutar contra tudo e todos. A sua rebeldia condena-a à solidão. Mas um dia também ela viverá as emoções de um verdadeiro amor. Um amor que terá de suportar a separação, a guerra e os tormentos do nascimento de uma nova nação. Será no Novo Mundo que Matilda vai aprender o que a sua infância não lhe ensinou: que todos nascem iguais, que a coragem e a generosidade são o que de mais nobre pulsa no coração humano, e que, por mais doloroso que seja, a vida tem de continuar e nunca se deve olhar para trás...»


Este foi o primeiro livro que li da Lesley Pearse. Há muito tempo que tinha curiosidade de a ler, mas nunca tinha sentido aquele "chamamento" de um dos seus livros. Aconteceu com este. O título agarrou-me completamente por transmitir uma mensagem que eu sigo sempre ao longo da minha vida: não olhes para trás. Normalmente, vejo nos livros uma fonte de magia, de sonho, de lição... Por isso, os livros que mais me apaixonam são aqueles que transmitem valores com os quais me identifico. E, nesse aspeto, este tem muito que se lhe diga. 
Em primeiro lugar, a curiosidade por ler Lesley Pearse surge quando a maioria das pessoas à minha volta me diz que ela tem uma escrita "mais pesada". Por ter uma veia sonhadora, são muitos os que pensam que só gosto do cor de rosa. Do "felizes para sempre". Mas não. Adoro, principalmente, os livros que abordam temáticas mais negras. E, nisso, a Lesley é fenomenal e deixou-me com vontade de devorar todas as suas histórias. Neste livro em particular - que é o que aqui nos interessa falar- ela transporta-nos para o passado. De regresso ao século XIX, Pearse fala-nos de miséria, de fome, de doenças que levam facilmente à morte, de prostituição e de muitas outras questões que, infelizmente, na época eram comuns e "o pão nosso de cada dia". Apesar deste livro ser um romance, não existe o "foram felizes para sempre", porque o amor romântico não é o principal foco desta história. Na minha opinião, o foco do livro é a mulher. E foi isso que me fez devorar aquelas 784 páginas tão rapidamente: a força que uma mulher assumiu e o quão ela foi importante num século onde o sexo feminino era submisso.  

Em todos os livros que li até hoje, acho que nunca me identifiquei tanto com uma personagem como com esta Matilda. Uma mulher apaixonante, independente, lutadora e que, numa época em que a mulher é vista como um ser inferior, vem provar exatamente o contrário. A Matilda é corajosa, sonhadora e guarda sempre o conselho que o pai lhe deu quando viu que ela poderia alcançar uma vida melhor que todas as mulheres do seu estatuto: nunca olhes para trás. E é essa frase que a move ao longo de toda a sua vida e que faz dela uma mulher forte e capaz de mudar vidas. Ao não olhar para trás, ela tem sempre a capacidade de mudar vidas mesmo depois de lidar com mortes que lhe dilaceram o coração, de ter de enfrentar vários fracassos e estar quase a voltar à vida de miséria que sempre teve. Mas nada disso a detém e Matilda acaba por criar o seu próprio império. Torna-se uma mulher poderosa o que, na época, é algo absolutamente incrível e inspirador. Ela tira crianças da rua e cuida delas como se fossem suas, salva mulheres da prostituição e dá-lhes a oportunidade de terem uma vida digna e melhor. Luta para que a sua "filha adotiva" consiga alcançar o sonho de ser médica mesmo sabendo que, na altura, o mundo não estava preparado para mulheres desempenharem esse tipo de profissões. Mas ela tem sede de mudar essas mentalidades. E não se limita a querer mudar. Ela age. Ela faz. Ela vai em frente sem nunca olhar para trás e deixa uma marca incrível naqueles que passam pela sua vida. É, sem dúvida, A personagem deste livro e o exemplo da força que existe dentro de uma mulher.




Claro que, apesar de ter adorado o livro, há sempre pontos menos positivos. O facto de ser um livro bastante longo não me incomoda. O que me incomodou em certas ocasiões foi o facto de haver tanta descrição. Já me tinham dito que a Lesley é uma autora muito descritiva e isso é algo a que já estou habituada tendo em conta que sou uma devoradora dos livros do Nicholas Sparks (que também aposta muito na descrição). No fundo, acho que a descrição é essencial para nos fazer entrar dentro de um livro. Quando as coisas nos são descritas, nós acreditamos mesmo que estamos dentro daquela casa branca a olhar para aquela cadeira azul fora do comum. No entanto, pelo menos neste livro, a Lesley não precisava de levar a descrição tão a fundo porque fez com que, muitas vezes, me perdesse um bocadinho da história por haver longas descrições entre uma ação e outra. A história podia ser ainda mais apelativa se não houvesse determinados cortes na ação. Em contrapartida, acho que as contextualizações históricas estão absolutamente bem feitas e chegamos mesmo a acreditar que estamos a viver dentro daquela época e a ver todas aquelas situações terríveis e débeis. Há, inclusive, uma parte do livro em que não consegui conter as lágrimas de tão imersa que estava naquela situação que estava a ser vivida. Quase como se estivesse mesmo lá com as personagens. E isso é a melhor coisa que nos pode acontecer quando estamos a ler um livro.



Para quem não se importa de ler livros assim mais longuinhos, recomendo vivamente esta história da Lesley Pearse. De facto, é preciso "ter estômago" mas a verdade é que é essencial para entendermos melhor a época anterior à nossa bem como as dificuldades que as pessoas tinham de enfrentar. No fundo, depois de lerem este livro vão ter a certeza que a vida que levamos hoje em dia é excelente e continuar a acreditar que somos capazes de mudar o mundo se tivermos coragem e, acima de tudo, se nunca olharmos para trás.


Já leram alguma coisa da Lesley Pearse? 
O que acham desta autora?


sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

O dia em que a amizade deixa de ser prioridade

sexta-feira, fevereiro 15, 2019 2 Comments


Já perdi a conta ao número de vezes que ouvi a frase “andas desaparecida”. Já todos a ouvimos. Já todos a dissemos também. E, com o tempo, foi-se tornando numa das frases que mais me custa ouvir.
Eu não ando desaparecida. Vivo no mesmo sítio há 5 anos, tenho o mesmo número de telemóvel desde os 12 anos, tenho redes sociais e vou a casa dos meus pais todos os fins de semana. Portanto, não é muito difícil encontrar-me. O que é difícil é ver na amizade uma prioridade. Para os outros, só “desaparecemos” porque deixamos de ser uma prioridade. Uma das coisas que os meus pais me diziam quando eu era pequena é que, com o passar do tempo, o meu número de amigos ia diminuir. E isso só tendia a piorar até ficarem só um ou dois. Conforme fui crescendo fui percebendo que eles tinham razão. A lista foi ficando mais curtinha, mas sempre melhor. Porque só fica quem tem de ficar. A forma como nos vamos afastando daqueles que, hoje, estão perto é sempre a mesma: a amizade está lá mas, lentamente, vamos ficando no final da lista. Há outras prioridades que vêm antes de nós. O emprego, o descanso, as relações,... E depois ouvimos a célebre frase “não tenho tempo para nada”. Mas há sempre tempo quando se quer ter tempo. Com o passar dos anos, deixei de procurar quem dizia “não ter tempo”. Meti na cabeça que essas pessoas sabiam onde me encontrar e que, “quando tivessem tempo”, o podiam fazer. Claro que não o fizeram. Porque o tempo é só uma desculpa. Uma desculpa para não estar. Na vida, sigo a máxima “fazer o longe ficar perto”. Isso exige tempo. Tempo para ligar. Tempo para perguntar “estás bem?”. Tempo para ouvir. Tempo para conversar. E esse tempo existe sempre. Porque um amigo é sempre uma prioridade. E nós temos sempre tempo para as nossas prioridades. 
Lembro-me que, quando era pequena e dizia à minha avó “tenho saudades desta pessoa”, ela respondia sempre “sabes onde ela mora, não sabes? Então não tens desculpa para teres saudades”. E é isso mesmo: não há desculpas. 

Publicado em Repórter Sombra

sábado, 9 de fevereiro de 2019

Estás feliz?

sábado, fevereiro 09, 2019 2 Comments




A vida obriga-nos a crescer. Passamos grande parte do tempo a correr, preocupados com o amanhã, sem pensar muito no hoje. Vamos na rua e encontramos aquela pessoa que já não vemos há imenso tempo. Pergunta-nos o que temos feito, como está a correr o trabalho, quando é que vamos casar e se pretendemos ter filhos em breve. Pergunta-nos tudo menos o mais importante: se estamos felizes.
A sociedade planeia tudo por nós. Como se tivessemos de viver por etapas. Estudas para conseguires um bom trabalho (sem que te perguntem se é o trabalho que te apaixona), depois, automaticamente, tens de formar uma família. Se fizeres isto tudo direitinho, as pessoas partem do princípio de que tens a vida perfeita. Aos olhos delas, és feliz. Mesmo que não o sejas. E, se mostrares que não o és, provavelmente vão chamar-te de mal agradecido e dizer que não sabes aproveitar aquilo que tens. No fundo, tudo é posto em primeiro lugar, menos a felicidade. Raramente paramos para pensar se é mesmo isto que queremos ou se o fazemos porque o que está à nossa volta assim o exige. Não nos perguntamos se somos felizes, o que é que nos faz falta ou o que é que queremos mudar. Talvez porque a mudança nos assusta, principalmente se isso significar quebrar o que “é suposto acontecer”.
Aquele conhecido segue o seu caminho. E tu também. Falaram sobre tudo o que envolve as vossas vidas, mas nem sequer te ocorre que nenhum perguntou ao outro se está feliz. Talvez porque nem tu colocas essa questão a ti mesmo. Por mera distração. Porque estás a pensar em mil e uma coisas ao mesmo tempo. E a maior parte delas nem sequer tem importância porque se baseiam nos teus planos de corresponder às expectativas que o mundo tem sobre ti. Mas a vida só funciona realmente se olharmos mais para dentro do que para fora. E se, neste preciso momento, estiveres a viver uma vida que não é a tua?


Publicado em: Repórter Sombra.




segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

Diogo Piçarra nos Coliseus

segunda-feira, janeiro 21, 2019 4 Comments
«As maiores conquistas só são reais quando partilhadas».

Olá, pessoal! Hoje venho falar-vos da revista Coliseus, do Diogo Piçarra. Já há algum tempo que a tenho, mas só agora consegui lê-la como deve ser.
Como sabem, acompanho o trabalho dele há muitos anos e, por isso, não podia deixar de vos dar a minha opinião quanto a esta nova conquista. É um orgulho enorme vê-lo crescer assim e, quando pegamos nesta revista, percebemos que é merecido. Para já, a primeira vista, está super bem construída. Como podem ver na fotografia acima, começa com um texto escrito pelo Diogo onde agradece tudo o que tem conseguido. 
No seu interior, podemos ver várias fotografias da sua atuação nos Coliseus. Imagens carregadas de história e, acima de tudo, de sentimento. Em cada uma das páginas existe o título da música a que aquela imagem corresponde e, em cima da fotografia, está a letra dessa mesma música.


Para mim, o mais curioso foi perceber que todas as letras estão escritas pela mão do Diogo. Isso só nos faz sentir mais perto dele e torna tudo muito mais real. Acho que é mesmo o pormenor mais interessante. E essa realidade é ainda mais explícita quando, ao longo de alguns dos textos, vemos que o Diogo riscou palavras. Ou seja, enganou-se a escrever, riscou e escreveu novamente à frente. Esse pormenor de ter deixado algumas palavras riscadas para mostrar que foram, de facto, escritas por ele é de génio. Não há melhor forma de nos fazer sentir dentro daquela revista do que esta. 



Para além disso, há várias fotos do backstage e outras mais familiares. A certa altura sentimo-nos quase como se lhe entrássemos pela vida dentro. Principalmente em imagens onde ele está com o Pablo ou com a Sia (os seus gatinhos de estimação). No fundo, sentimos que nos é dada a chance de entrar um bocadinho da intimidade dele. E o grafismo é simplesmente incrível.


A par da revista, veio também o DVD Coliseus para quem não esteve presente poder ver e para quem lá esteve poder recordar esse momento. E também o EP com as músicas "Abrigo", "Era uma vez" e "Paraíso" (quer o cd quer o dvd andam sempre comigo no carro, portanto, não os tenho aqui para vos mostrar).
Posto isto, para quem segue e gosta do trabalho do Diogo, eu acho muito importante adquirirem esta revista. Em primeiro lugar, porque quando gostamos dos artistas não devemos limitar-nos a "sacar" músicas da internet. Devemos contribuir para que este se destaque no mercado adquirindo os conteúdos que ele produz. E, depois, pela importância que estas páginas assumem na sua vida. Nesta revista está a concretização de um sonho. A primeira vez que o Diogo pisou estes palcos. E uma carga emocional enorme. Muito, muito merecido. Ele nunca se esquece de nós e nós não devemos nunca esquecer-nos dele.




Algum de vocês tem a revista? O que acharam? :)









domingo, 20 de janeiro de 2019

Livraria Lello

domingo, janeiro 20, 2019 5 Comments

«A Livraria Lello & Irmão constitui um ex-libris da cidade do Porto e um autêntico santuário das artes editoriais e livreiras, albergando no seu edifício monumental uma das mais antigas e prestigiadas editoras nacionais.»


Olá, pessoal! Uma das coisas que prometi fazer mais este ano é, sem dúvida, viajar e conhecer novos lugares. E, felizmente, já estou a levar esse desejo avante.
Como sabem (porque já o aqui disse diversas vezes), o Porto é a minha cidade favorita. No entanto, há lá tanta coisa por descobrir que acabei por me distrair e nunca me dediquei a conhecer esta cidade como deve ser. Portanto, decidi começar por lá. E, enquanto fazia a minha lista de sítios a visitar, lembrei-me que, quando era pequena, fui à Livraria Lello numa visita de estudo. Mas como era muito nova não tinha nenhuma memória visual. Então decidi começar por aí. Tirei uma tarde para lá ir e não me arrependi nada. 
A verdade é que, ao longo dos anos, a Livraria Lello tem sido um dos pontos turísticos mais visitados. Por isso, fui com tempo (e preparada para uma fila gigante para entrar). Quando lá cheguei, comprei o bilhete (custo de 5 euros por pessoa) e foi-me dado um mapa com várias informações. Basicamente, esse mapa contém o nome de vários escritores com a localização precisa de onde os podem encontrar para facilitar a vossa pesquisa.



Eu sou completamente apaixonada por livros, aliás, eu era capaz de viver numa biblioteca de tão feliz que fico ao estar rodeada por livros. Portanto, como devem imaginar, assim que entrei senti-me um peixinho dentro de água e não saí de lá tão cedo (literalmente, devo ter estado 3h lá metida e vi tudo umas 10 vezes). 
A Livraria Lello, como hoje a conhecemos, foi inaugurada no dia 13 de janeiro de 1906. Este acontecimento teve um impacto incrível na imprensa que esteve presente para registar este momento. O edifício foi construído pelo engenheiro Francisco Xavier Esteves e é hoje considerada a mais bonita livraria do mundo. E assim que a analisamos ao pormenor percebemos o porquê. A fachada é neogótica, com painéis simbolistas que representam as figuras da Arte e da Ciência e a escadaria é vermelha e em betão. Ao longo da sala também podemos encontrar vários bustos de alguns dos mais importantes escritores (como Eça de Queirós ou Camilo Castelo Branco). 






Eu analisei vários livros ao pormenor. Mas não contive a excitação quando encontrei estes dois meninos que vos mostro na foto em baixo. Como já devem saber, sou viciada em Game of Thrones e quando os vi tive de os fotografar para vos mostrar.



No final da vossa visita, é-vos dado um livro com a história e todas as informações da livraria que acabaram de visitar. Sempre é uma forma de a ficarem a conhecer por completo e, claro, de terem uma recordação daquele lugar encantador. Como eu fui lá com o meu irmão, acabei por trazer dois livrinhos para casa.



Espero que tenham gostado deste post e que tenham ficado curiosos para conhecer a Livraria Lello. Acreditem que vale muito a pena. Recomendo imenso. É dos sítios mais bonitos que já visitei e acho que é muito importante para nos fazer sentir o poder da leitura (que é mais que muito).  


Já conhecem este sítio? Gostaram?
Aceito sugestões de sítios a visitar em breve :p











Até logo, Diamond!

Obrigada pela visita!
Volta Sempre :)