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quarta-feira, 4 de julho de 2018

Perda ou afirmação da identidade?

quarta-feira, julho 04, 2018 4 Comments
D.R.

A internet veio mudar por completo o paradigma da comunicação. Há quem diga que mudou para melhor e há quem acredite que mudou para pior. Vantagens e desvantagens há em tudo. No entanto, é verdade que as proporções que a internet atingiu ao longo dos anos afetaram a nossa identidade e a forma como nos comunicamos aos outros.

A realidade é que, quando navegamos, podemos assumir qualquer identidade. O facto de nos comunicarmos com qualquer pessoa, de qualquer canto do mundo, faz com que, muitas vezes, não nos mostremos como realmente somos. Perdemos a nossa verdadeira identidade e, por vezes, sentimo-nos num vazio. Em casos extremos, acreditamos que somos mesmo aquela identidade que assumimos e esquecemo-nos do que somos realmente.
A noção de identidade na era digital veio fazer-nos acreditar que podemos ser tudo o que quisermos. Trouxe a possibilidade de manipularmos o outros mas, sobretudo, a nós próprios. Na internet podemos assumir uma vida que não temos. Podemos comunicar o que não somos, mas gostaríamos de ser. E esse poder é tão forte que chegamos a acreditar que temos uma identidade que, na realidade, não temos. E isso leva-nos a cometer erros. Devaneios. Injustiças.
No fundo, todos sabemos que isto é como um jogo. Todos somos aquilo que não somos. Todos temos a vida perfeita e fazemos as escolhas certas. Mas, no nosso íntimo, todos sabemos que não passa de uma falsa identidade. Porque, fora da internet, todos temos problemas. Os sorrisos dissolvem-se e dão lugar às lágrimas. Não nos conhecemos e, muito menos, conhecemos o outro. Temos inseguranças e uma identidade própria que, muitas vezes, não queremos aceitar por acreditarmos nas identidades que nos são exibidas através de um perfil do facebook ou de outra página qualquer. Mas, no fundo, sabemos que essas identidades são tão falsas quanto a nossa. Afinal, nós só mostramos o que queremos mostrar. E, na maior parte das vezes, mostramos apenas o melhor escondendo o lado mais obscuro e sombrio.
A internet é um poço de possibilidades, sim. Permite-nos uma liberdade de circulação incrível e, acima de tudo, rapidez. Permite-nos contactar com quem está longe de nós e nós sentimos saudade. Essa é uma das vantagens. Mas a forma como altera a nossa identidade pode ser uma das maiores desvantagens. Nem sempre somos nós. Nem sempre somos fiéis a nós próprios. Nem sempre nos protegemos como deveríamos. Na grande maioria do tempo, usamos a internet para afirmar a nossa identidade, mas acabamos por perdê-la ainda mais rapidamente.

Publicado em: Repórter Sombra.

quarta-feira, 26 de julho de 2017

Nós, a comida e o instagram

quarta-feira, julho 26, 2017 12 Comments

As redes sociais podem ser bastante viciantes. Quando damos por nós já postamos tudo sobre nós e revelamos alguns segredos que talvez não quiséssemos revelar.
O instagram é uma das redes sociais mais usadas no que diz respeito à partilha de fotografias. Partilhamos tudo, desde selfies sorridentes a pratos de comida saborosos. A questão que se coloca quando ponderamos acerca do que partilhamos numa rede social como o instagram é “de que forma isso molda a imagem e a relação que temos com nós mesmos?”. A verdade é que, nas redes sociais, todos parecemos felizes. Todos temos a vida perfeita, comemos os melhores petiscos e visitamos os melhores lugares. Mas não será que por trás de cada fotografia existe um coração partido à procura de algo que o motive a continuar a bater? E no que diz respeito à comida, não será que a forma como construímos a relação instagram-comida pode ser prejudicial para a nossa saúde?
A verdade é que um prato bonito resulta sempre numa boa foto. Mas a situação agrava-se quando a prioridade deixa de ser a comida e o que satisfaz o nosso corpo e passa a ser o prato ideal para a foto do instagram. Infelizmente, nem toda a gente consegue controlar o vício por esta (e tantas outras) rede social e há quem chegue mesmo a perder-se de uma forma quase assustadora. Assim, o instagram acaba por tornar-se um meio capaz de influenciar a nossa alimentação e, consequentemente, a nossa saúde. Importam as fotos bonitas, os pratos mais saborosos e o número de likes que estes vão alcançar. E assim se esquecem as calorias, os açúcares, as proteínas e o quão prejudiciais se tornam para a nossa saúde. É como se estas pessoas se esquecessem delas mesmas em prol do que é mais benéfico para o “melhor instagram”.
Desta forma, é visível que não é fácil combater um vício. E um vício prejudicial à nossa saúde não é só o tabaco ou o álcool. Uma coisa tão simples como uma rede social pode causar graves danos no nosso corpo se não soubermos utilizá-la da melhor forma. E, pensando em tudo isto, a questão que fica no ar é “será justo condicionarmos aquilo que queremos ser em prol daquilo que uma rede social quer que sejamos?”

Publicado em Repórter Sombra

Até logo, Diamond!

Obrigada pela visita!
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