Nós, a comida e o instagram
Cátia Barbosa
quarta-feira, julho 26, 2017
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As
redes sociais podem ser bastante viciantes. Quando damos por nós já postamos
tudo sobre nós e revelamos alguns segredos que talvez não quiséssemos revelar.
O
instagram é uma das redes sociais mais usadas no que diz respeito à partilha de
fotografias. Partilhamos tudo, desde selfies sorridentes a pratos de comida
saborosos. A questão que se coloca quando ponderamos acerca do que partilhamos
numa rede social como o instagram é “de que forma isso molda a imagem e a relação
que temos com nós mesmos?”. A verdade é que, nas redes sociais, todos parecemos
felizes. Todos temos a vida perfeita, comemos os melhores petiscos e visitamos
os melhores lugares. Mas não será que por trás de cada fotografia existe um
coração partido à procura de algo que o motive a continuar a bater? E no que
diz respeito à comida, não será que a forma como construímos a relação
instagram-comida pode ser prejudicial para a nossa saúde?
A
verdade é que um prato bonito resulta sempre numa boa foto. Mas a situação
agrava-se quando a prioridade deixa de ser a comida e o que satisfaz o nosso
corpo e passa a ser o prato ideal para a foto do instagram. Infelizmente, nem
toda a gente consegue controlar o vício por esta (e tantas outras) rede social
e há quem chegue mesmo a perder-se de uma forma quase assustadora. Assim, o
instagram acaba por tornar-se um meio capaz de influenciar a nossa alimentação
e, consequentemente, a nossa saúde. Importam as fotos bonitas, os pratos mais
saborosos e o número de likes que estes vão alcançar. E assim se esquecem as
calorias, os açúcares, as proteínas e o quão prejudiciais se tornam para a
nossa saúde. É como se estas pessoas se esquecessem delas mesmas em prol do que
é mais benéfico para o “melhor instagram”.
Desta
forma, é visível que não é fácil combater um vício. E um vício prejudicial à
nossa saúde não é só o tabaco ou o álcool. Uma coisa tão simples como uma rede
social pode causar graves danos no nosso corpo se não soubermos utilizá-la da
melhor forma. E, pensando em tudo isto, a questão que fica no ar é “será justo
condicionarmos aquilo que queremos ser em prol daquilo que uma rede social quer
que sejamos?”
Publicado em Repórter Sombra

