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sábado, 16 de julho de 2016

André Mendonça: «Depois os rituais de bruxaria para me tornar hétero e me demoverem da ideia de ser homossexual e o mais grave foi saber que me colocavam drogas na comida para me pôr doente.»

sábado, julho 16, 2016 2 Comments
Chama-se André Mendonça e, como tantos outros, foi mais uma vítima da homofobia. Tudo começou quando, por volta dos doze anos, começou a perceber que não se sentia atraído por raparigas. Daí até perceber que era homossexual foi só um passinho.
A sua homossexualidade moldou-lhe a adolescência por, segundo os colegas, “ser diferente”. Na escola foi vítima de bullying, chegando mesmo a ser ameaçado, humilhado e insultado nas aulas. Ao não aguentar a pressão e os constantes insultos por parte dos colegas, André decidiu abandonar a escola ficando, assim, apenas com o 11º ano concluído.
A verdade é que, se na escola as coisas não estavam fáceis, em casa também não. Os pais não aceitaram a homossexualidade do jovem afirmando “que pouca vergonha! És a vergonha da família! Não tens vergonha de ser assim? Não me faças, nem eu nem o teu pai, passar vergonhas!” Esta falta de apoio familiar fez com que André tomasse a decisão de deixar a Madeira –local onde nasceu- e ir viver para Lisboa com o seu atual companheiro.
Atualmente, o jovem não mantém qualquer tipo de contacto com a família e está desempregado, sendo que é o seu companheiro quem suporta todas as despesas de ambos.
Nesta entrevista, André fala-nos do difícil e duro percurso que fez até aqui assim como da forma como a homofobia está presente em toda a parte.


Com que idade e como começaste a perceber que gostavas de pessoas do mesmo sexo que tu?
Desde cedo. Por volta dos seis anos comecei a perceber que era diferente, simplesmente apercebia-me que não conseguia fazer tudo como as outras pessoas. Foi algo que, mais tarde, vim a saber tratar-se de ter nascido prematuro, com vinte e seis semanas, e ter tido paralisia cerebral aos dois anos. Sempre tive a sensação de as pessoas me tratarem de forma diferente. Entre os doze e catorze anos comecei a perceber que algo em mim era diferente, que me sentia atraído por rapazes e as raparigas não me diziam nada. Apenas aos dezasseis anos é que consegui encarar o facto de gostar de alguém do mesmo sexo de forma positiva. Não foi um percurso nada fácil dado que me foi ensinado, por provir de uma família cristã, que ser homossexual era errado, doença, pecado.

A verdade é que a sociedade consegue ser muito cruel com aquilo que considera “diferente”. Quando decidiste assumir a tua homossexualidade perante os teus colegas e amigos sentiste que foste, automaticamente, tratado de forma diferente?
No ambiente escolar as coisas não foram nada fáceis. Desde a primária sempre fui discriminado por ser diferente, por andar de forma diferente, por não fazer as coisas no mesmo timming do que os outros, por ter algumas facilidades dado o problema de saúde aquando dos primeiros anos de vida. Quanto à questão da homossexualidade propriamente dita, sempre fui alvo de polémica na escola, fui vítima de bullying desde o 5º ano até ao 12º ano. Os amigos, a maioria deles, nunca esperavam que os ditos boatos da escola fossem verdade. Pensavam tratar-se de uma “brincadeira de crianças infantis”. E sempre tive quase nenhuns amigos, apenas pessoas oportunistas que queriam aproveitar-se de mim como podiam.

E a tua família? Como lhes disseste e como reagiram?
A primeira pessoa da família a quem contei foi uma tia minha que me disse que isso seria um desastre, uma bomba e que ninguém iria aceitar e respeitar-me. Que mal poderia querer que isso que lhe dissera fosse verdade e como poderia ter eu tanta certeza por ser tão novo.
Infelizmente, não tive a hipótese de contar aos meus pais, eles descobriram porque invadiram a minha privacidade: não podia ter a porta do quarto trancada e um dia leram as minhas sms porque esqueci-me do telemóvel e espiaram o que fazia no computador. Se por ventura tivesse tido essa hipótese, a minha intenção seria guardar o segredo mais uns anos porque desde cedo soube que não iriam saber respeitar-me e aceitar-me. Na altura em que se debatia a legislação do casamento entre pessoas do mesmo sexo, ouvia os meus familiares a tecerem comentários depreciativos e homofóbicos.
A reação dos meus pais quando descobriram que eu era homossexual foi uma catástrofe: “Que pouca vergonha! És a vergonha da família! Não tens vergonha de ser assim? Não me faças, nem eu, nem o teu pai passar vergonhas! Pelo teu irmão não faças uma coisa dessas!" (irmão este que não se encontra com vida, morreu à nascença e é inadmissível os meus pais usarem o meu irmão para me demover de gostar de rapazes). As coisas foram piorando: “Tu só gostas é de levar no cú! Devias é levar com a comichão das urtigas! Tu não prestas, és tonto, és uma vergonha! E quem foi que te meteu isso na cabeça?”. “Homens são homens, não são gatos!”; “Uma pessoa por ter uma tatuagem, piercing, gostar de homens ou mulheres, não é considerada sociedade nenhuma, é a coisa mais horrível que existe, é a podridão do mundo”, “Isso não são pessoas, não são nada!”
Chegando ao extremo de dizer-me: “É melhor pegares numa arma e matares os teus próprios pais, assim já ficas livre de nós já que é isso que queres! É melhor isso do que dizeres que és paneleiro! Só por uma gaja te ter dado com os pés, tu viraste!”.
Com o passar do tempo vieram outras expressões: "Filho, eu quero que tu sejas como o pai diz!” ; "Esses filhos da puta, esses paneleiros” ; “Esses amigos com quem tu andas, tens de mudar o rumo da tua vida! Assim não vais chegar longe!” ; "Não sei o que vês num homem, uma mulher tem tanto para dar a um homem, bem como um homem tem tanto para dar a uma mulher! Experimenta e vais ver como é bom!” ; "Pensei que tu eras meu amigo e gostavas de mim, não sei que tempestade vai na tua cabeça, eu ao pé de ti até me sinto um cachorro por tu não gostares de mulheres!” ; "Tu tens de pensar na tua vida e apenas um dia mais tarde (aos trinta anos), quando já trabalhares e ganhares, é que podes estar com quem quiseres e fazeres o que bem entenderes!” ; "Já é tempo de parares com essas coisas, não tens vergonha!? Já te disse para estudares, não é para andares a ver meninos!”; “As putas vão para a rotunda, tu não sei para onde vais!”.
Primeiro foram as expressões, as discussões constantes. Depois os rituais de bruxaria para me tornar hétero e me demoverem da ideia de ser homossexual e o mais grave foi saber que me colocavam drogas na comida para me pôr doente.

O facto de teres levado algum tempo para contar aos teus pais e aos teus amigos fez com que tivesses de passar por muita coisa sozinho. Como digeriste tudo isso?
Não foi mesmo nada fácil conseguir assimilar estar coisas num curto espaço de tempo, completamente tudo fora dos planos que eu tinha imaginado na minha mente, a vida trocou-me as voltas todas. Tive de crescer em mentalidade, aprender a lidar com coisas que aos 15/16 anos ninguém pensa ter de enfrentar. Cheguei até a ter uma depressão por causa da situação toda. Não foi, de todo, fácil de aprender a aceitar-me, a ter respeito por mim tal e qual como sou dado a educação que me foi dada na infância e dado o facto de viver num meio em que ser gay implica viver dentro do armário.

O preconceito está em toda a parte e não consegue não atuar. Há algum episódio em que tivesses sido vítima desse preconceito que possas partilhar connosco?
Cheguei a ser ameaçado na escola com uma navalha e um isqueiro. Os meus colegas de turma colocavam pioneses nas cadeiras, vezes sem conta. Chegaram até a entornar-me uma garrafa de leite para cima da roupa com o propósito de me humilhar e enxovalhar em plena sala de aula.
Numa aula de Educação Física estávamos a lecionar a modalidade de basebol e a professora mandou-me fazer de catcher, e certos colegas disseram-me: “ah, vai lá apanhar as bolas, tu só gostas é disso, seu vadio! Não fazes nada nas aulas! Só gostas de estar sentado e só gostas é de levar no rabo e de leitinho, não é seu cabrão?” Fiquei com um trauma no desporto devido ao bullying passado desde há alguns anos, relembro-me de tudo o que eu passei em pequenino e entro em modo depressivo. Depois, as pessoas não me sabem integrar. Põem-me sempre de parte, colocado a um canto. Sempre foi assim. E depois começam a gritar comigo, dizendo que eu não sei jogar e que não jogo direito, e gozam comigo. Tudo aliado ao facto de não me sentir bem nos balneários com os rapazes. No 11º e 12º tive atestado médico a Educação Física (dado os problemas de saúde que tive à nascença). Fazer aquelas aulas para mim era uma tremenda tortura psicológica! Foi horrível todo este processo. Acabei por abandonar a escola em Janeiro de 2014, ficando apenas com o 11º ano completo para todos os efeitos. Isto, devido ao facto de a situação ter chegado ao limite do que aguentava e não suportar mais a pressão psicológica tanto em casa como na escola. Estava na altura de pôr o meu ponto final, quando para mais, eu sabia que a escola não estava minimamente interessada em defender os meus direitos.

O que é que pesou na tua decisão de te mudares para Lisboa?
Estava sem saber o que iria fazer, apenas queria sair dali, daquele casulo, daquele sitio onde nada fazia sentido e recomeçar de novo noutro local. Pesou tudo um pouco. Se me iria ambientar à nova cidade, se ia conseguir socializar e fazer amigos, o medo de andar sozinho principalmente à noite mas, por outro lado, sabia que iria ter liberdade para ser eu mesmo.

Numa entrevista disseste que o teu atual companheiro é o teu primeiro relacionamento sério. Como percebeste que era amor?
No início, o que ambos apenas queríamos era uma “amizade colorida” mas com o evoluir do tempo o cupido fez das suas. É absolutamente incrível e impensável encontrar alguém com a cabeça no lugar num site de engate muito popular, “Manhunt”. Este é daqueles sítios onde jamais se pensa que se encontra alguém para algo sério, verdadeiro e duradouro.
É tão incrível como um "não queres companhia para dormir?" fez o encanto daquela noite. Parece um filme, foi no momento certo, à hora certa - Destino. Desde que o vi, senti o “clique”, algo me disse que ali à minha frente estaria uma pessoa muito especial, com muito para me dar: amor, carinho, amizade, etc. Pelo evoluir das coisas semana após semana, a vontade, a necessidade de estar a falar horas e horas, o convívio, estar frente a frente, era cada vez maior. O desejo de ter a pessoa só para nós era notório. Desde o início, percebi que estava perante uma pessoa com a cabeça no lugar, tendo alguma vivência similar à minha, sempre abordamos todos os temas com maturidade, partilhando a visão, vivência e experiencia de vida de cada um de nós. São tudo coisas que nos fazem crescer, mudar e evoluir. Estou orgulhoso de cada passo, cada conquista ecada vitória de ambos.

O que a maior parte das pessoas não consegue entender nos casais homossexuais é o facto de se amarem porque “vai contra a natureza humana”. Alguma vez sentiste que a sociedade olhava para ti e para o teu namorado na rua como não sendo um “casal saudável” só por serem do mesmo sexo?
Sim, já duas vezes. Uma quando passávamos o fim-de-semana do dia dos namorados no Porto. Uma senhora apontou-nos o dedo, perseguiu-nos e queria tirar-nos os sacos das compras do supermercado. Se não fosse um grupo de idosos do outro lado da rua a mandarem embora, não sei o que teria sido. A outra, em Portimão, na Páscoa. Um rapaz mais ou menos da nossa idade pediu isqueiro para o cigarro, dissemos que não e seguimos em frente. Como ele viu que estávamos de mão dada começou a seguir-nos e a insultar-nos. Nós seguimos caminho sem olhar para trás, até ao momento em que ele nos atira uma pedra da calçada que quase atinge a cabeça do meu namorado. Aí aceleramos o passo mas ele continua a perseguir-nos durante mais uns quantos metros, até que decide ir-se embora.

Achas que isso tem contribuído para o facto de teres dificuldade em arranjar emprego?
O mercado de trabalho encontra-se muito complicado e precário. Em parte, noto que a dificuldade se deve a não haver quem se digne a dar oportunidades para a pessoa mostrar aquilo que vale, o seu potencial, poder começar e evoluir para poder finalmente ter experiência (requisito fulcral na maioria dos anúncios de emprego).
E depois ninguém está para perder tempo a ensinar alguém,
querem é máquinas e autênticos robots que não falem, não reclamem e aceitem ser escravizados. É quase impossível não ter um trauma com isto. Eu acredito e sei ver que sou capaz de fazer coisas interessantes. A questão aqui é que as empresas não vêem isso e estão a borrifar-se para o resto. Não acreditam no valor das pessoas. Tenho, desde que cá estou, experimentado diversas coisas, no entanto, não houve sequer nenhuma dessas que vingasse e perdurasse. O facto de ter a condição de saúde que tenho também acaba por limitar-me e não há quem seja capaz de respeitar as limitações e incluir-me dando uma oportunidade.     
E por outro lado, tudo se rege em padrões e costumes impostos, a sociedade acaba por impor “modelos” para as profissões. Por exemplo, não podes ter maneirismos, ter um lado artístico, ter o cabelo pintado, usar makeup ou usar roupa de um estilo diferente. É bizarro porque penso “desde quando é que se julga o livro pela própria capa?” e “como é que isso influência a minha prestação enquanto profissional?”. Acho que deveria haver liberdade para podermos ser nós mesmos. Quem o faz acaba por ser logo discriminado e posto de parte por decidir ser genuíno. Por, no fundo, teres a coragem para seres “tu próprio” tal e qual como és, te sentes e identificas.

O que dirias às pessoas que te julgam a ti e a tantas outras pessoas com orientações sexuais “diferentes”, afirmando que a homossexualidade é uma doença?
A homossexualidade não é uma doença, doença é, sim, a pequenez da mente das pessoas em quererem ser retrogradas e massacrar os outros com idealismos e convicções baseadas em “ques”. O amor vence tudo. Se incomoda assim tanto alguém ser homossexual e demonstrar afeto, está mais do que na hora de abrir os olhos e ver o mundo lá fora. É desolante ser tratado, rotulado e julgado como se fosse um produto de supermercado com um código de barras. Doí, magoa e fere. Devemos simplesmente não impor barreiras ao amor. Estamos em 2016, vamos andar para a frente! Trata só os outros com o respeito que gostarias que tivessem por ti. Para amarmos alguém não interessa o sexo, raça, religião. O que interessa mesmo é o significado do sentimento “amor” para nós e para esse alguém. Ser homossexual não faz alguém pior ou melhor mas sim alguém mais forte, com a vivência na primeira pessoa para o mundo cruel que te rodeia. Quem é homossexual é uma pessoa como as outras, também têm um projeto de vida, casar, constituir família, ser bem sucedido. Isto é um pequeno detalhe que faz parte de nós desde a nossa existência, é uma forma de amar tal como a heterossexualidade, é bonita, verdadeira, real, sincera.

Consideras que teres dado a cara num programa de televisão te permitiu abrires mentalidades e afirmares o teu direito de seres feliz?
Sem dúvida que sim. Foi das melhores coisas que fiz. Decidi, finalmente, que já estava mais do que na hora de partilhar a minha história de vida, a minha vivência, por forma a inspirar outros e a demonstrar a força e a coragem e orgulho que tenho em ser quem sou. E também para poder contribuir para uma diminuição do preconceito e homofobia existentes! O feedback que obtive aquando da emissão do programa foi bastante positivo. Quem viu ficou comovido com o meu testemunho e felicitou a minha coragem para ser quem sou sem medos.

Numa entrevista, referiste que a tua família se esqueceu da tua existência. Até à data, nunca mais te tentaram procurar ou estabelecer algum tipo de contacto?
Embora o tempo passasse, os meus pais continuaram os iguais de sempre: a renegar-me, maltratar-me e criticar-me por tudo e mais alguma coisa. Continuaram as chantagens e manipulações emocionais, o quererem saber tudo da minha vida pessoal e íntima, sem olhar a meios. Até que chegou o ponto de rutura, sendo que foram eles próprios que decidiram abandonar-me e deixar-me sem chão, no natal de 2015. Quase seis meses se passaram desde que eles me deixaram de apoiar financeiramente. Não me falam, nem me retribuem as chamadas que lhes faço. Ignoram-me, não só eles mas todos os familiares, como se eu alguma vez existisse. É triste, mesmo muito, mas a vida é para a frente. Se não querem saber de mim para nada, manifesto o mesmo sentimento para com eles e faço de tudo para seguir com a minha vida em frente. Até à data, quer depois da ida ao programa bem como da referida entrevista, não tive qualquer contacto por parte de algum familiar sejam os pais, bem como tios/tias, primos/primas. Simplesmente ninguém se lembra de mim nunca, desde que vim para cá e não vou ser eu a preocupar-me que eles existam pois só me falam quando necessitam de algo. Família se fosse de verdade deveria de ter o dever e preocupação de quinze em quinze dias ou de mês a mês perguntar se estou bem, se preciso de alguma coisa, como corre a minha vida. Mas não, não querem saber. Assim sendo, não preciso de pessoas assim na minha vida. Mais vale esquecer, nem os consigo considerar como pais mas sim progenitores.

O que dirias aos teus pais se eles estivessem a ler esta entrevista?
Família é todos os dias. É para sempre. É dar apoio não importando a causa. É estar lá para o que os outros necessitam. Sinto pena por estes seres serem incapazes de ver o que há de belo em mim. Não há ganhos na vida sem sofrimento, aprendemos a nos tornar-nos mais fortes e mais maduros. Quanto à família, a única que tenho tido mais perto de mim tem sido o meu namorado, tendo este feito mais por mim do que eles a vida inteira. A família de sangue, que esperava dignamente que me respeitasse, não o faz. Continuam sempre a culpar os outros por aquilo que acontece, dizerem mal de tudo e todos. Um dia vão acordar para a realidade mas aí será bastante tarde demais. Cada um vê o que quer ver e como quer ver.
Eu, desde pequeno, sempre dei todos os sinais que seria homossexual. Nunca ninguém quis saber disso. Ninguém foi capaz de olhar com olhos de ver, de apoiar e tornar as coisas mais fáceis e descomplicadas, afinal, é apenas gostar de alguém que é do mesmo sexo, não se trata de um bicho-de-sete-cabeças tal como o encararam, o que importa é ser feliz.

Voltando à questão do trabalho, estás desempregado e tem sido o teu companheiro a suportar todas as despesas. Como é que têm conseguido lidar com esta dificuldade?
A situação tem sido complicada. Não tem sido nada fácil para mim ver o meu namorado a ter de suportar todas as despesas e não poder contribuir em praticamente nada. O facto de estar desempregado desde agosto de 2015 e de ter trabalhado apenas três meses num local onde fui explorado não ajuda em nada também. Custa entregar currículos, tentar e tentar, bater no ceguinho e no final nada. Custa-me não ter uma solução imediata para o problema porque seria isso que necessitava. E já cheguei à conclusão que ou consigo um fator “cunha” ou então será complicado entrar no mercado de trabalho.

Por fim, o que dirias às pessoas que estão a conhecer esta tua história e de que forma gostarias que o teu futuro melhorasse a nível profissional?
Sei que um dia vou mostrar a todos que me tornei alguém com família, filhos, trabalho e realização. Aquilo que me fizeram foi tão mau, mas tão mau, que me deixou marcas irreversíveis. Por outro lado, ajudou-me a crescer em pessoa, aprendi a ser mais forte, a perceber que o mais importante não é ter o armário cheio de roupa cara e bens materiais, mas sim amor, carinho, amizade, e coisas que às vezes nos parecem fúteis, aqueles pequenos detalhes mas que fazem a diferença no dia-a-dia de alguém.
Desde pequeno que fui obrigado a cozinhar para poder alimentar-me porque os meus progenitores passavam o tempo quase todo a trabalhar. A paixão foi crescendo e, com o passar do tempo, após muito pensar e da insistência do meu namorado e alguns amigos, decidi criar uma página de facebook - https://www.facebook.com/culimendarte/.
No entanto, até hoje, não tive sucesso algum e aquilo que idealizava ser para ganhar uns trocos de venda de comida não se concretizou. Em parte, dado a viver numa grande cidade e da invasão robótica nas cozinhas. Hoje em dia as pessoas já fazem de tudo em casa.
Quero ter algo meu, o meu ganha pão, uma espécie de salão de chá irreverente onde possa vender os meus produtos caseiros e artesanais mas dado não ter capital próprio torna-se mais complicado conseguir seguir em frente e delinear o projeto. Acho que essa solução, se fosse possível, neste momento seria a mais viável. Caso contrário. resta-me esperar que alguma alma bondosa me consiga integrar em alguma coisa ou ajudar-me no que for possível para poder sentir-me útil, realizado e feliz.


Terminada esta entrevista, resta-me agradecer ao André pelo contacto e por ter partilhado connosco toda a sua história.


terça-feira, 7 de junho de 2016

«E se fosse consigo?» Violência Doméstica

terça-feira, junho 07, 2016 4 Comments


"Violência Doméstica" foi o tema do oitavo programa "E se fosse consigo?".
Não pude não assistir ao programa porque é um tema que me choca imenso. Acho absurdo que em pleno século XXI ainda haja quem pense que um casamento significa expormo-nos a situações que vão contra os nossos princípios ou vontades. 
Não pude conter a minha revolta ao ouvir uma mulher dizer que o seu marido a obrigava a ter relações sexuais com ele contra a sua vontade porque era a obrigação dela enquanto mulher dele. Ridículo. Um casamento exige sacrifícios de ambas as partes, significa que temos muitas vezes de fazer opções e tomar decisões conjuntas, mas não exige obrigações. Ninguém é obrigado a nada porque um casamento não deve tirar a individualidade de ninguém. Como seres humanos individuais temos o direito de tomar as nossas próprias decisões e fazermos o que nós queremos sem que ninguém nos impeça. 
Na minha opinião, muitas pessoas usam o casamento como desculpa para tudo. Uma desculpa esfarrapada, diria eu. Tiram a beleza daquilo que -para quem pensa como eu- é um casamento, Um casamento devia ser uma união entre duas pessoas que se amam e que querem construir uma família. Uma união pura, simples, bonita e baseada numa liberdade conjunta. Liberdade, é essa a palavra, Liberdade de terminar uma relação quando esta já não estiver a resultar e de ir embora quando já não se sentir feliz.
A violência não deve ser usada em situação alguma! Mas ainda menos num casamento, uma união onde é suposto haver amor. Porque raio é que há pessoas que dizem que batem porque amam? Não percebem que a violência é o oposto extremo do amor? 

quarta-feira, 1 de junho de 2016

«E se fosse consigo?» Os jovens e o álcool

quarta-feira, junho 01, 2016 7 Comments

Se há coisa que é bastante atual e que tende a continuar assim é o excesso de álcool por parte dos jovens. Esta problemática foi abordada na passada segunda feira no programa "E se fosse consigo?", na SIC.
Como sempre, dois atores foram para a rua em plena luz do dia. O rapaz, completamente alcoolizado, insistia com a namorada que queria conduzir o carro. A namorada, em contrapartida, não o deixava pegar na chave por alegar que seria perigoso conduzir naquele estado. Muitos foram os que passaram pelos jovens e nada fizeram. Outros pararam e ameaçaram chamar a polícia se o jovem decidisse conduzir sob o efeito de álcool.
A verdade é que, cada vez mais, os jovens pensam que para se integrarem ou divertirem precisam de beber álcool até não poder mais. Custa-me que assim seja. Sempre que alguém bebe e decide conduzir não está só a pôr em risco a sua vida mas a dos outros. Não me importa se alguém não tem maturidade suficiente para cuidar de si, se prefere fazer coisas ridículas só porque é "fixe" ou se acha que beber até cair para o lado é que está a dar. Mas importa-me que isso venha a prejudicar outras pessoas. Pessoas inocentes que estão a fazer a sua vida normalmente e que morrem num acidente de viação antes mesmo de poderem chegar a casa só porque alguém sem a mínima noção achou que podia pegar no carro completamente bêbado. Custa-me que pessoas percam a vida por culpa das ações de outras. É triste e não faz sentido. Não faz sentido que uma família fique destruída porque alguém não soube medir as consequências.
Por isso, por favor, parem para pensar e não cometam um erro que não só pode tirar a vida dos outros como a vossa própria vida! A vida é uma dádiva. Todos os dias morrem imensas pessoas que preferiam continuar aqui, a viver. E cada um de nós tem a sorte de estar vivo e nem sempre sabemos aproveitar isso. Tudo pode ser feito desde que com limites. Por isso, façam o que têm a fazer, bebam, divirtam-se, mas sempre com limites.

terça-feira, 24 de maio de 2016

«E se fosse consigo?» Maus tratos a idosos

terça-feira, maio 24, 2016 4 Comments

"Maus tratos a idosos" foi o tema do programa "E se fosse consigo?", da passada segunda-feira. Um idoso e uma mulher que trata dele no meio da rua onde milhares de pessoas passam. A mulher trata mal o idoso negando-lhe água e chamando-lhe "velho caquético", afirmando que nem a filha quer saber dele porque ele é um chato. Os maus tratos e as palavras agressivas usadas pela mulher são mais do que suficientes para que a polícia tenha de ser chamada ao local mas são muitos os que passam e ignoram a situação. 
Por outro lado, fiquei bastante surpresa com algumas reações. Uma mulher viu a situação e seguiu caminho mas, passado uns minutos, volta com uma garrafa de água na mão para dar ao senhor e afirma que vai chamar a polícia. Quando se apercebe que tudo se tratava de um programa de televisão, a senhora começa a chorar e diz que lhe custou muito ver a forma como a mulher estava a tratar aquele idoso porque tinha perdido o seu pai há pouco tempo e acha absurdo que as pessoas sejam capazes de tratar assim uma pessoa mais velha. Muitos foram aqueles que passaram e disseram "um dia a senhora também vai chegar lá, vamos todos ser velhos". Uma coisa que me deixou a pensar. Há tantos velhos (e sim, eu digo velhos, porque ser velho não é uma ofensa, é uma dádiva) que são abandonados pelas suas famílias, maltratados e roubados. Será que as pessoas que os fazem não pensam que um dia vão estar na mesma situação? Também não se vão conseguir mexer, vão ter dores pelo corpo todo e, quem sabe, doenças que surgem com a idade. Eu acho, sinceramente, que as pessoas não param para pensar que, um dia, também elas vão precisar que alguém cuide delas, que lhes faça companhia e que lhes dê motivos para aproveitar os últimos dias da sua vida com um sorriso na cara. Mas parece que as pessoas se esquecem disso. Acham que vão ser novas e independentes para sempre. Acham-se donas do mundo e, por isso, os mais velhos já não importam. Mas importam sim. As pessoas que hoje são velhas, ontem foram os jovens que ajudaram o nosso país a evoluir, foram médicos, advogados, eletricistas, professores, e tantas outras coisas. Eles deram o seu contributo ao país e ao mundo e não merecem acabar a sua vida sozinhos e maltratados. Não depois de uma vida repleta de esforço e trabalho.
Os idosos não são um "peso". Como disse um senhor -e muito bem- no programa "os mais velhos são bibliotecas". E como qualquer biblioteca merecem ser preservados e valorizados porque é fácil abandonar, maltratar e desprezar. Difícil é dar amor e retribuir tudo aquilo que algum dia eles fizeram por nós.


quarta-feira, 18 de maio de 2016

«E se fosse consigo?» Violência no namoro

quarta-feira, maio 18, 2016 7 Comments

Violência no namoro foi o tema abordado no programa "E se fosse consigo?", da passada segunda-feira.
Sinceramente, de todos os temas que já foram apresentados este foi aquele em que eu estou mesmo à espera de ver mais reações por parte do público porque acredito que, quando se trata deste tipo de violência, as pessoas conseguem agir mais rapidamente do que com os temas dos programas anteriores. Isto passa-se porque os outros programas referiam-se, sobretudo, a preconceito (homofobia e racismo) e, nesse aspeto, acho que, infelizmente, ainda vivemos num país onde as pessoas dizem que "aceitam" mas lá no fundo não conseguem respeitar sequer. Neste caso, ver um namorado a agredir verbalmente e fisicamente a namorada em plena rua, fez com que muitas pessoas manifestassem o seu desagrado e algumas chegassem mesmo a chamar a polícia. Confesso que fiquei bastante contente com o que vi. Pessoas mais velhas, jovens, raparigas, rapazes e até mesmo pessoas de outras nacionalidades, não conseguiram ficar indiferentes quando viram um rapaz chamar nomes e gritar com a namorada enquanto lhe tentava tirar o telemóvel para ver as suas mensagens. "És mau rapaz", foi um dos comentários que uma senhora fez antes de ligar para a polícia. "Ela vem connosco", foi outros dos comentários proferido por um grupo de raparigas que tiraram a vítima do local. Como era de esperar, ainda houve muita gente que passou e ignorou a situação por não saber o que fazer mas o número de pessoas que decidiu ajudar a rapariga foi bastante superior. Deixou-me feliz. Feliz porque já se começa a perceber que os jovens já conseguem identificar situações de violência no namoro. Ainda há uma elevada percentagem de casais jovens que consideram que ver as mensagens do parceiro, decidir que roupa o parceiro não pode vestir ou impedi-lo de ver os seus amigos, não é violência. Mas é. E esta cena realizada por dois atores num jardim mostrou como um namorado exigir ver as mensagens do telemóvel da sua namorada, só por si, já é um ato violento. Por vezes esse é só o primeiro sinal da violência. Primeiro o telemóvel, depois os amigos, depois a roupa e por fim, o primeiro estalo. Às vezes isto é um ciclo. Aliás, a violência no namoro é um ciclo. É um "desculpa, não vai voltar a acontecer" que se vai repetir até que a vítima tenha coragem de pôr um ponto final nesta situação e pedir ajuda.
Mais uma vez, felicito a SIC por este programa excelente que nos mostra estas realidades. Cada programa me faz relembrar de que estas coisas existem e por vezes estão bem perto dos nossos olhos e nós não vemos porque somos demasiado distraídos ou então vemos e ignoramos. E é uma pena que estejamos tão preocupados com coisas secundários e que nos esqueçamos que há muitas situações destas a acontecer no nosso país e que a nossa ajuda é fulcral para que elas parem ou, pelo menos, abrandem.

Têm seguido o programa, internautas?

segunda-feira, 9 de maio de 2016

«E se fosse consigo?» Homofobia

segunda-feira, maio 09, 2016 4 Comments
Como ser humano com sentimentos que sou, há certas coisas que me incomodam e a homofobia é uma delas. Esta temática foi abordada no programa de hoje, E se fosse consigo? e não consegui ficar indiferente.
Numa paragem de autocarro, três atores puseram as pessoas à prova. Um casal de rapazes de mãos dadas e uma mulher que os insultava por considerá-los uma aberração causaram algumas reações nas pessoas que por lá passavam. O que mais me chocou foi mesmo ter ouvido as opiniões da maior parte das pessoas. Eu sabia que tínhamos muitas pessoas preconceituosas no nosso país mas nunca pensei que fossem tantas. Havia quem dissesse que eles podiam fazer o que quisessem mas consideravam a homossexualidade uma doença. Sinceramente, para mim, a homossexualidade não é uma doença mas a homofobia é. Não consigo mesmo conter a minha indignação quando oiço coisas como "coitados, eles não têm culpa de ser assim, é uma doença" ou "oh filho, isso não tem cura?". É irritante e ao mesmo tempo agonizante. O mundo não evolui, as mentalidades não evoluem, nada evolui. Fiquei ainda mais indignada quando ouvi uma senhora dirigir-se a um dos supostos homossexuais e dizer "não ligues meu filho, vocês são dois rapazes bonitos. Qualquer dia separam-se e arranjam duas raparigas jeitosas". Mas porque é que as pessoas acham que a homossexualidade se resolve empurrando o homossexual para cima de alguém hetero? Aliás, porque é que as pessoas pensam que a homossexualidade tem de se resolver? Não tem. E não tem porque não é um problema. É uma orientação e cada um tem a sua. As pessoas deviam deixar-se desse vício terrível que é criticar tudo e todos. Como uma jovem referiu e muito bem "o amor é para todos" e não devemos julgar ninguém pela pessoa que escolheu amar. Até porque não se trata de uma escolha, o amor acontece sem que o possamos controlar. 
Não me canso nem tenho vergonha de dizer que tenho orgulho e admiração por pessoas que enfrentam esta sociedade idiota em que vivemos e não têm problemas em admitir o que são. Não faz sentido nenhum haver pessoas a esconderem-se de si mesmas e a não aceitarem-se como são só porque sabem que a sociedade as vai excluir. Porque não são elas que estão erradas, é a sociedade. Esta sociedade mesquinha que vê maldade em tudo. Que sente nojo e raiva de pessoas só porque elas amam pessoas do mesmo sexo. É ridículo e sufocante. Dói-me na alma que hajam pessoas que não dão uma oportunidade de conhecer alguém só porque esse alguém tem uma orientação sexual diferente da sua. Até pode ser uma pessoa fantástica, das melhores que existem mas nunca vai ser vista dessa forma porque ninguém se dá ao trabalho de interrogar-se sobre a sua personalidade porque partem do princípio que essa personalidade está definida na sua orientação sexual. Mas não está. E tenho pena que haja tanta gente a não pensar assim. Na minha opinião, não devíamos sequer rotular as pessoas. Para quê chamar "gay", "lésbica" ou "bissexual"? Para quê estes rótulos? Pessoas gostam de pessoas e pronto. Se todos pensássemos assim e não arranjássemos nomes para tudo o mundo, certamente, seria bem melhor e não haveria tanto preconceito. O amor dá-se entre pessoas e pessoas amam outras pessoas, ponto. Não é preciso dar nomes a homens que amam mulheres e mulheres que amam mulheres. Somos todos pessoas e todos amamos. O facto de eu gostar de homens não significa que sinta repulsa por mulheres que gostem de mulheres. É amor e o amor é bonito em todas as formas. 
Por isto mesmo, acho que devíamos lutar todos juntos para mudar mentalidades. Não ter medo de defender e ajudar aqueles que estão em situações de exclusão por parte da sociedade. Aceitar cada um como é porque somos todos seres humanos e todos merecemos as mesmas oportunidades.

quarta-feira, 4 de maio de 2016

«E se fosse consigo?» Bullying

quarta-feira, maio 04, 2016 7 Comments
No post que fiz sobre o novo programa da SIC, E se fosse consigo?, uma leitora do blog sugeriu-me que fosse falando das temáticas abordadas em cada programa. Achei uma ideia super interessante porque considero que os temas abordados são da máxima importância porque nos alertam para vários problemas existentes na sociedade.
Assim, no terceiro programa, exibido na passada segunda-feira, o tema abordado foi o bullying. Confesso que, até agora, foi aquele que mais me marcou não só pelas reações das pessoas mas pelos testemunhos apresentados. Ouvir uma mãe falar do seu filho que se suicidou por ser vítima de bullying marcou-me de uma forma particular, sobretudo porque a direção da escola nunca alertou os pais do rapaz ou envolveu-se nesta questão por "medo". Por outro lado, o testemunho de jovens na casa dos dezasseis/dezassete anos deixaram-me completamente de rastos. A verdade é que achamos que sabemos tudo sobre bullying mas não sabemos. É sempre pior do que pensamos. Há jovens que passam por situações terríveis e inimagináveis, fazem queixa e não são ajudados porque "são coisas de crianças", ao ponto de crianças de dez, onze e doze anos tomarem anti-depressivos e medicamentos para se conseguirem aguentar e continuarem a estudar porque são muitos aqueles que não têm forças para continuar a sua vida. É incrível a capacidade que o ser humano tem de precisar de fazer alguém sentir-se inferior para se sentir melhor consigo mesmo. É uma dependência extrema do outro. É uma parvoíce total porque ao rebaixarmos os outros não estamos a ser superiores, muito pelo contrário, estamos a ser inferiores. Estamos a agir como animais selvagens tendo como diferença o facto de a natureza dos animais ser assim e a nossa poder ser uma opção nossa. Eu acredito que, quando nascemos, nascemos com duas faces: a boa e a má. Cabe-nos a nós mostrar e desenvolver aquela que queremos. Infelizmente, a maior parte das pessoas opta por escolher a face má e fazer coisas que não só as prejudicam a si próprias, como aos outros. E é isso que me revolta. Magoarmos pessoas inocentes, descarregarmos os nossos erros, falhas e frustrações nos outros. Há objetos próprios onde podemos descarregar a raiva. Os sacos de boxe foram feitos para isso mesmo, para serem pontapeados e agredidos. Se eles existem e servem para isto porque é que continuamos a escolher as pessoas? E digo "nós" porque já todos nós, em alguma altura da nossa vida, descarregámos as nossas frustrações em cima de alguém que não teve culpa nenhuma. 
A verdade é que, na minha opinião, o mundo e a sociedade só vão evoluir quando aprendermos a dar as mãos e a ajudar o outro. Ajudar a vítima de bullying mas também o agressor porque a vítima é quem mais sofre mas o agressor também precisa de ajuda. Ignorar estes casos é simplesmente ridículo porque os jovens que estão a ter "atitudes de criança" são os adultos do futuro. Aqueles que vão conviver com os nossos filhos, contribuir para o desenvolvimento (ou não) da sociedade e, sinceramente, não acredito que crianças com maus comportamentos que não sejam ajudadas consigam seguir um caminho bom. Porque elas escolheram a sua face má e cabe à família, aos amigos e aos educadores ajudá-las a encontrar o caminho certo onde fazer das outras crianças um saco de boxe não faz parte da lista de opções.

terça-feira, 26 de abril de 2016

«E se fosse consigo?»

terça-feira, abril 26, 2016 25 Comments

"E se fosse consigo?" é o nome da nova aposta da SIC para as noites de segunda-feira. 
Conceição Lino é a apresentadora que dá voz ao programa que pretende alertar-nos para os problemas da sociedade para os quais tantas vezes fechamos os olhos. 
O primeiro programa retratou o tema do racismo. Foram contratados três atores para representarem uma cena num café em que a filha ia apresentar ao pai o namorado de cor escura. O pai tem uma atitude completamente racista dizendo que ela não pode namorar com um rapaz de cor por não ser do mesmo "nível" que ela. Esta cena acarretou várias consequências para as pessoas que estavam a assistir a este suposto problema de família. Muitas mantiveram-se caladas e, apesar de não concordarem com esta atitude, não disseram nada. Outras não conseguiram controlar e mostraram-se completamente contra esta atitude do pai alegando que ele estava a ser racista.
Por sua vez, ontem, o segundo programa, abordou o tema da obesidade. Uma filha vai com a mãe a uma sessão grátis de exercício físico na praia e é humilhada pela mãe quando esta alega que ela não pode participar por ser gorda. Diz que se ia expor ao ridículo quando estivesse na praia em biquini a fazer exercício porque é demasiado gorda. Várias pessoas dizem à mãe que isso não é forma de falar com a filha e que ela tem todo o direito de fazer o que a faz feliz porque o seu tamanho não importo. Outras pessoas, mais uma vez, limitam-se a ouvir e a não se meter na conversa.
O próximo programa será sobre bullying e confesso que estou bastante ansiosa. Acho a ideia deste programa televisivo fantástica! Numa altura em que a televisão portuguesa está cheia de programas sem nexo nenhum em que assistimos a pessoas fechadas numa casa a ter comportamentos ridículos e a ganhar dinheiro fácil, este tipo de programas são extremamente importantes para "limpar" o panorama da televisão portuguesa porque tem um propósito. E esse propósito é mudar mentalidades, mostrar o quanto as pessoas sofrem por serem consideradas inferiores por motivos absurdos. Afinal, cada um é como é e não deve ser julgado só porque é diferente de nós. Todos somos diferentes e é isso que nos torna especiais.
Por isso, bato palmas à SIC e dou os parabéns à Conceição Lino por, mais uma vez, mostrar que é uma mulher brilhante!

Já viram o novo programa da SIC?
O que acham deste novo formato?

Até logo, Diamond!

Obrigada pela visita!
Volta Sempre :)