Porque odiamos?
Cátia Barbosa
terça-feira, janeiro 19, 2016
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Desde que começamos a
crescer somos alertados pelos nossos pais para a palavra “ódio”. Dizem-nos que
é algo muito mau, que nos prejudica enquanto seres humanos e que não devemos
deixar que nos domine. Mas o que é, na realidade, o ódio? Porque é que odiamos?
A verdade é que nem
sempre nos referimos corretamente ao ódio. Nós dizemos “odeio esta comida” ou
“odeio ir para a escola” quando simplesmente deveríamos dizer “não gosto”. Mas
fazemo-lo porque sempre nos foi incutido que o ódio é o pior sentimento que
existe e nós usamo-lo sempre que queremos descrever algo pelo qual não nutrimos
qualquer tipo de sentimento bom. Talvez esse seja um dos motivos para odiarmos:
o facto de não provocar em nós qualquer sentimento positivo. Assim sendo, é mais
fácil odiar peixe, legumes, sopa, estudar e correr se estes não nos provocam
qualquer tipo de bem-estar. É por isto que odiamos tanta coisa ao longo da
nossa vida.
Desta forma, em certas
alturas da nossa vida, damos por nós a dizer que odiamos aqueles que um dia
foram nossos amigos. Talvez isto aconteça porque essas pessoas que um dia nos
fizeram feliz já não estão mais ali. Desiludiram-nos e a dor dentro de nós é
tanta que o simples facto de odiar nos alivia um bocadinho por dentro. Penso
que é esse o grande escape de cada um de nós. Sobrepor um sentimento mau a um
bom para nos protegermos e evitarmos que o sofrimento se prolongue. Afinal, se
continuarmos a amar alguém que nos fez mal vamos continuar a chorar noites a
fio mas se, em contrapartida, nos deixarmos dominar pelo ódio, vamos acabar por
conseguir reunir forças para ultrapassar todas as fases más e para mostrar ao
mundo que somos capazes.
Assim sendo, se o ódio
é um sentimento bom? Não. Se eu acho que nos ajuda? Não. Mas a verdade é que
ele existe e, na minha opinião, ele não é mais do que um meio de refúgio. Nós
amamos inconscientemente, não o conseguimos controlar. Mas eu acredito que
consigamos controlar o ódio e todos os sentimentos menos bons que se colam ao
nosso íntimo. Basta querer ultrapassar barreiras com sorrisos ao invés de
armas.
Texto escrito para o Repórter Sombra. Disponível aqui.
