Mulher para presidente? Não!
Cátia Barbosa
terça-feira, setembro 19, 2017
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Colocaram-me
a questão: “porque é que um homem teme uma mulher para presidente?”. Tentei
refletir e encontrar uma resposta certa para essa pergunta, mas percebi que não
a tinha. Lembrei-me, então, de um título que li algures “homem não teme mulher
independente, mas teme mulher autónoma”.
A
verdade é que, durante muitos séculos, a
mulher foi sustentada pelo marido. Era vista como incapaz e impotente. E,
atualmente, as coisas já não funcionam assim. As mulheres ganham o seu próprio
dinheiro e são independentes. Mas penso que não seja a independência o que mais
assusta os homens, mas a autonomia. Sim, porque autonomia e independência são
duas coisas distintas. Enquanto uma mulher independente pode não ser autónoma,
uma mulher autónoma vai ser sempre independente. Isto porque vai à luta,
procura, investiga, toma iniciativa e não tem medo de mostrar que não precisa
de ninguém para se afirmar.
Ora,
partindo deste princípio, talvez se encontre uma possível resposta para a
difícil questão colocada no início deste artigo. Quando uma mulher decide que
quer ser presidente é, claramente, autónoma. Aliás, é dos maiores atos de
autonomia que podem existir. É o querer ir mais além, é o querer governar. E se
uma mulher que tem autonomia quanto a si mesma já assusta um homem, imaginem com
autonomia quanto a um país inteiro. Isso, aliado ao facto de a mulher já ter
sido dependente e vista como um ser inferior, assusta. Nem todos os homens
estão habituados ou aceitam que o estatuto da mulher tenha mudado ao longo dos
anos. Alguns ainda a encaram como incapaz de assumir algumas funções, funções
essas que, para eles, são funções apenas de homens. E quando uma mulher tenta
assumir essas funções, nem todos estão de acordo.
Posto
isto, penso que a questão “porque é que um homem teme uma mulher para
presidente?” vai ser sempre difícil de responder. Acho que nem os próprios
homens têm a resposta certa para essa pergunta. Mas também penso que é
exatamente por aí que temos de começar a refletir. Não será que o facto de não
termos resposta para essa questão já é, por si só, uma resposta?
Publicado em Repórter Sombra.

